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Economia viva num mundo de incertezas

Abalo nas bolsas não muda a percepção de que a economia mundial crescerá em 2018. E a China busca produtos embarcados no Espírito Santo

Publicado em 19 de Fevereiro de 2018 às 21:16

Públicado em 

19 fev 2018 às 21:16
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Chegou a melhor notícia que se poderia esperar após o terremoto na bolsa norte-americana, há poucos dias, que irradiou onda negativa nos mercados de todo o mundo: não foi alterada a percepção de tendência de crescimento global. Os pregões já começam até a se recuperar. O abalo foi muito menos intenso, comparado aos de 2000 e de 2008.
Mas alguma coisa mudou: o ânimo em relação ao futuro. Afinal, as bolsas não fizeram apenas uma brincadeira de carnaval. Teme-se cenário mundial de elevação de juros, induzido pelos EUA. Não se sabe até quando os bancos centrais europeus e asiáticos conseguirão manter taxas bem baixas. Os mais vulneráveis sofrerão maior impacto. É o caso do Brasil, em situação fiscal delicada. A aversão ao risco ganha motivação extra.
A volatilidade já está se assanhando. Por conta da insegurança, neste mês (até a última sexta-feira) os investidores retiraram US$ 9,3 bilhões dos principais mercados emergentes, segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF), entidade formada pelos 500 maiores bancos do planeta.
Se os gigantes fossem os mais atingidos seria difícil continuar acreditando em expansão do PIB global. Principalmente na dose prevista pelo FMI, antes do tremor das bolsas: 3,9%. Periféricos só puxam a economia quando os graúdos deixam. Assim, um avanço pouco mais modesto já estará de bom tamanho - e fará inveja ao Brasil – notadamente se a reforma da Previdência gorar.
As bolsas de valores parecem acostumadas a conviver, sem alarme, com um grave perigo que há anos ronda a economia internacional: é a possibilidade de estouro da dívida pública da China – decorrente de investimentos exagerados do governo, para impulsionar atividades produtivas. O buraco fiscal continua a aumentar, aceleradamente. Mete cada vez mais medo. Hoje equivale a 282% do PIB. Eventual perda do controle poderia gerar uma crise financeira maior do que o “crash” das hipotecas norte-americanas em 2008.
Enquanto isso, a China cresce entre 6% e 7% ao ano, e caminha para se tornar a maior economia do mundo em 2025. Este vigor favorece o comércio exterior capixaba, garantindo boa demanda de commodities. Entre elas, o tradicional minério de ferro.
*O autor é jornalista
 

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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