É razoavelmente possível que o Espírito Santo seja o único Estado brasileiro a apresentar queda do PIB em 2019. O IBC-Br, que é calculado pelo Banco Central, o indicador que antecipa a evolução do PIB para o Espírito Santo, fechou o ano com variação negativa de 1,28%. Contrastando com o observado para o país, que embora abaixo das expectativas, apresentou-se positivo em 0,89%. Mas o recomendável é que se tenha cautela na leitura e interpretação desse resultado agregado negativo.
Primeiramente, temos que ter em mente que o PIB expressa, no agregado, um conjunto de fatores que interferem na sua formação e composição, inclusive certas especificidades que lhes são estruturais.
No caso específico capixaba, tomam peso, por exemplo, setores como extrativa mineral, que integram a produção de pelotas de minério e petróleo, produção de celulose e produtos metalúrgicos. Todos eles fortemente vinculados ao mercado internacional, sofreram quedas acentuadas de preços e quantidades no decorrer do ano de 2019.
Não fossem fatores externos internacionais, o desempenho da economia capixaba se mostraria positivo e muito provavelmente acima da média nacional. Mas o que não podemos perder de vista é o fato de que tais setores mexem mais com a superfície da economia do que com o seu dinamismo interno. No caso capixaba, ele é relativamente inelástico em relação às variações desses setores, que podem ser acentuadas.
Se analisarmos com maior cautela os números da economia capixaba relativos a 2019, vamos ver que o núcleo responsável pela queda do PIB está concentrado na extrativa mineral, que apresentou queda de 21%, consequência do episódio de Brumadinho, mas também do baixo desempenho do mercado externo, petróleo e celulose (-35%), numa combinação de fatores externos e outros ligados à estratégia empresarial.
Esse lado negativo, no entanto, contrasta com o bom desempenho da economia interna, inclusive com indicadores melhores do que observados em nível nacional. O consumo de gasolina e diesel, por exemplo, superou médias nacionais: diesel, 2,53% (ES), contra 1,03% (BR); gasolina 1,02% (ES), contra 0,99% (BR); receita nominal do varejo ampliado, 7,5% (ES), contra 6,4% (BR), receita nominal do setor de serviços, 4,7% (ES), contra 4,5% (BR). Tivemos também bom desempenho em 2019 na geração de ICMS, com crescimento de 11,3%, e no estoque de emprego formal, que cresceu 2,67%.