Um dos principais temas do debate econômico sobre o Espírito Santo diz respeito ao desempenho da indústria, bem abaixo do esperado. Isso preocupa, em função das interações que estabelece com vários segmentos da economia.
A produção física das fábricas no território capixaba teve a maior queda entre todas no país, primeiro semestre: -5,5%, enquanto a média nacional cresceu 2,3%. Em julho, o setor se levantou e avançou 5,8%. Em agosto, voltou a recuar: -0,9%, a terceira pior taxa do país. De janeiro a agosto deste ano, o desempenho local foi ruim, com retração de 3,4%, atrás apenas de Goiás (-3,6%). Contrasta com o nacional, cujo resultado é positivo: 2,5%.
Alguns segmentos industriais alegam que não conseguem repassar aumentos de custo da produção para o preço, resultando em compressão das margens e redução do volume fabricado
Na verdade, a perda de fôlego vem desde o ano passado. Considerando os últimos 12 meses, a atividade industrial local amarga taxa negativa de 3,1%, a maior do Brasil. Ou seja, o Espírito Santo é um dos estados onde a indústria sente mais dificuldades para recuperar perdas da recessão.
Alguns segmentos industriais alegam que não conseguem repassar aumentos de custo da produção para o preço, resultando em compressão das margens e redução do volume fabricado. Na verdade, esse é um problema de produtividade, que não está avançando na proporção necessária.
No entanto, a principal explicação das oscilações no desempenho está na característica da indústria local, concentrada em poucas áreas, como petróleo, minério de ferro, aço e celulose, de grande negociabilidade global, mas também vulneráveis às flutuações de demanda e preço no cenário internacional. A confusão causada por Trump no comércio exterior está afetando negativamente investimentos e exportações de economias emergentes.
Existe uma pauta própria da indústria, expressa por várias entidades, à espera do próximo presidente da República: ajuste fiscal (principalmente reforma da Previdência) para melhorar a confiança de investidores no ambiente de negócios, modernização tributária, redução da carga burocrática, e intensificação das concessões de infraestrutura à empresas privadas. As recomendações na área do transporte interessam de perto ao Espírito Santo em três modais, representados pelo aeroporto de Vitória, a Codesa, e a BR 262.
Por certo, será necessário o apoio político de entidades empresariais ao governo e ao Congresso, para destravar pautas mais polêmicas, notadamente a reforma da Previdência.