Na próxima semana, o Natal será celebrado por milhares de famílias no país. Até pra quem não é praticante de alguma religião que tem o cristianismo como base, a data comemorativa entra no calendário de muitas famílias. É tempo de shopping lotado, trânsito congestionado e retomada de grupos de WhatsApp para combinar amigo-x, confraternização de fim de ano do trabalho e para organizar a ceia de Natal e o almoço do dia 25. Eu não escapei disso, claro. E uma coisa me chamou mais atenção do que nos anos anteriores: a iniciativa e a preocupação em organizar desde os presentes, passando pela decoração até chegar no dia de celebrar é sempre das mulheres.
Parece cansativo ouvir o tempo todo que as mulheres são as responsáveis pelo cuidado do lar e de todas as questões de atenção que envolvem a família. É cansativo, mas mais cansativo é para todas essas mulheres que se desdobram em inúmeros turnos para dar conta de tudo e ter um momento agradável em família.
Seria interessante, por exemplo, se essas mulheres fizessem uma paralisação como a greve geral feita em 8 de março (vale lembrar, dia em que se comemora o Dia Internacional da Mulher) por tantas que, ao redor do mundo, cruzaram os braços para mostrar o impacto nas relações privadas e públicas que o trabalho das mulheres tem, mas que, de forma diametralmente oposta, possui uma desvalorização tamanha.
Caso isso acontecesse e as mulheres não tomassem a iniciativa de coordenar as compras, as listas de convidados, as roupas dos integrantes da família e as comidas, será que as decorações nas casas e as mesas postas seriam feitas ou a ceia e o almoço de Natal seriam como em “um dia qualquer”? Não nos esqueçamos das lembranças dadas por muitas famílias a professoras (sim, a maioria é mulher) de creches e escolas como forma de agradecimento pelos cuidados terceirizados dos filhos que, por empiria, são combinadas no “grupo de mães” das escolas. Ah, e ainda há, como em todos os anos, o envio da mesma “piadinha” sobre o fardo que é para homens acompanharem as mulheres em compras de Natal.
Não estou advogando pelo fim do Natal, das confraternizações nem dos jantares e almoços, muito menos das trocas de presentes. Adoro decorações natalinas, estar entre amigos e familiares que eu amo e tenho certeza que a maioria que está lendo também gosta. Apenas gostaria que refletíssemos sobre a disparidade da responsabilidade de cuidados privados-domésticos entre mulheres e homens. Se o Natal é tempo de alegria, que seja para todo mundo e não apenas para quem vai se sentar à mesa com tudo pronto como se as coisas acontecessem como num passe de mágica. Feliz Natal!