Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • E se as mulheres não tomassem a iniciativa de organizar as festas de Natal?
Reflexão

E se as mulheres não tomassem a iniciativa de organizar as festas de Natal?

Não estou advogando pelo fim do Natal. Apenas gostaria que refletíssemos sobre a disparidade da responsabilidade de cuidados privados-domésticos entre mulheres e homens

Publicado em 18 de Dezembro de 2019 às 04:00

Públicado em 

18 dez 2019 às 04:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo Renata Bravo
Festa de final de ano Crédito: Divulgação

Na próxima semana, o Natal será celebrado por milhares de famílias no país. Até pra quem não é praticante de alguma religião que tem o cristianismo como base, a data comemorativa entra no calendário de muitas famílias. É tempo de shopping lotado, trânsito congestionado e retomada de grupos de WhatsApp para combinar amigo-x, confraternização de fim de ano do trabalho e para organizar a ceia de Natal e o almoço do dia 25. Eu não escapei disso, claro. E uma coisa me chamou mais atenção do que nos anos anteriores: a iniciativa e a preocupação em organizar desde os presentes, passando pela decoração até chegar no dia de celebrar é sempre das mulheres.

Parece cansativo ouvir o tempo todo que as mulheres são as responsáveis pelo cuidado do lar e de todas as questões de atenção que envolvem a família. É cansativo, mas mais cansativo é para todas essas mulheres que se desdobram em inúmeros turnos para dar conta de tudo e ter um momento agradável em família.

Seria interessante, por exemplo, se essas mulheres fizessem uma paralisação como a greve geral feita em 8 de março (vale lembrar, dia em que se comemora o Dia Internacional da Mulher) por tantas que, ao redor do mundo, cruzaram os braços para mostrar o impacto nas relações privadas e públicas que o trabalho das mulheres tem, mas que, de forma diametralmente oposta, possui uma desvalorização tamanha.

Caso isso acontecesse e as mulheres não tomassem a iniciativa de coordenar as compras, as listas de convidados, as roupas dos integrantes da família e as comidas, será que as decorações nas casas e as mesas postas seriam feitas ou a ceia e o almoço de Natal seriam como em “um dia qualquer”? Não nos esqueçamos das lembranças dadas por muitas famílias a professoras (sim, a maioria é mulher) de creches e escolas como forma de agradecimento pelos cuidados terceirizados dos filhos que, por empiria, são combinadas no “grupo de mães” das escolas. Ah, e ainda há, como em todos os anos, o envio da mesma “piadinha” sobre o fardo que é para homens acompanharem as mulheres em compras de Natal.

Não estou advogando pelo fim do Natal, das confraternizações nem dos jantares e almoços, muito menos das trocas de presentes. Adoro decorações natalinas, estar entre amigos e familiares que eu amo e tenho certeza que a maioria que está lendo também gosta. Apenas gostaria que refletíssemos sobre a disparidade da responsabilidade de cuidados privados-domésticos entre mulheres e homens. Se o Natal é tempo de alegria, que seja para todo mundo e não apenas para quem vai se sentar à mesa com tudo pronto como se as coisas acontecessem como num passe de mágica. Feliz Natal!

Renata Bravo

Renata Bravo Renata Bravo

Renata Bravo assina uma das colunas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Brasil diz ter convocado diplomata argentina para cobrar explicações sobre viagem de Flávio Bolsonaro
Macário Júdice Neto está preso desde dezembro
Macário Júdice é solto com uso de tornozeleira após quase um ano de prisão
Compra on-line; Black Friday; e-commerce; compra virtual; comércio eletrônico
O consumidor mudou mais nos últimos cinco anos do que nas duas décadas anteriores

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.