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Por que o Tesouro Direto está com retorno negativo?

Oscilações têm mexido com o mercado de renda fixa. Entenda quais os impactos dessa volatilidade nos seus investimentos

Publicado em 11 de Novembro de 2024 às 10:41

Andre Motta

Publicado em 

11 nov 2024 às 10:41
Investir em títulos de renda fixa, como o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado, é uma escolha comum para quem busca segurança e proteção contra a inflação. No entanto, muitos investidores se surpreendem ao ver oscilações nos valores desses investimentos antes do vencimento.
Nos últimos 3 meses, por exemplo, a maioria dos títulos (exceto o Tesouro Selic) apresenta retorno negativo para seus detentores. Esse fenômeno, conhecido como marcação a mercado, explica por que essas aplicações também passam por períodos de volatilidade – algo que pode assustar quem não espera ver um saldo negativo. Vamos entender como isso acontece e por que a volatilidade dos retornos não significa necessariamente perda.
A marcação a mercado é uma prática contábil que ajusta diariamente o valor dos títulos com base nas condições do mercado, principalmente as taxas de juros.
Quando o investidor adquire um título no Tesouro Direto, ele está comprando uma promessa de pagamento com taxas definidas para o vencimento. Contudo, até que chegue esse prazo, o valor do título varia conforme o cenário econômico e a taxa de juros vigente. Ou seja, o que aparece na posição do banco ou corretora é o valor do título para resgate no dia, caso o investidor decida antecipar seu resgate e sair do título antes do vencimento, será aquele valor ali, marcado a mercado que ele receberá.
Site do Tesouro Direto permite conhecer opções de títulos
Site do Tesouro Direto permite conhecer opções de títulos Crédito: Shutterstock
Por exemplo, se o título foi adquirido a uma taxa de 5% ao ano, e a taxa de mercado para o mesmo tipo de título sobe para 7%, o valor de mercado do título original cai. O motivo é simples: investidores novos podem agora comprar títulos similares que pagam mais juros, o que desvaloriza o título anterior.
Quando o governo emite títulos, ele depende do mercado para captar recursos, e o investidor espera uma taxa de retorno atrativa para emprestar seu dinheiro. Em momentos de incerteza econômica, como preocupações com a dívida pública ou com a política fiscal, os investidores exigem juros mais altos, o que aumenta a taxa para novos títulos. Esse efeito eleva os juros de mercado e reduz o valor dos títulos já emitidos a taxas mais baixas, gerando desvalorização para quem os possui.
Por outro lado, se a confiança no governo aumenta e a economia demonstra sinais de estabilização, o mercado aceita juros menores. Nesse cenário, o valor dos títulos comprados a taxas mais altas sobe, proporcionando uma valorização para o investidor que comprou antecipadamente.
Para entender esta volatilidade dos títulos de renda fixa é preciso avaliar a confiança do mercado na trajetória fiscal do país. Atualmente, o Brasil enfrenta incertezas relacionadas ao equilíbrio das contas públicas e à dívida pública, o que aumenta a desconfiança dos investidores. Como resultado, o mercado exige uma taxa de retorno mais alta para compensar o risco percebido, elevando as taxas de juros e, consequentemente, reduzindo o valor dos títulos existentes.
Essa desconfiança é um fator que pode fazer com que as taxas permaneçam altas até que o governo consiga sinalizar um equilíbrio para a economia. Para o investidor, isso significa que, ao menos temporariamente, os títulos de renda fixa estarão sujeitos a essa volatilidade até que as expectativas econômicas se estabilizem.
É fundamental que o governo enderece a trajetória dos gastos públicos, para que os juros voltem a patamares mais normais, impedindo assim que a dívida brasileira atinja patamares inviáveis, o que resultaria em forte desvalorização da nossa moeda e em inflação elevada na economia brasileira.
Embora a marcação a mercado gere volatilidade, é importante lembrar que o retorno contratado está garantido, desde que o investidor mantenha o título até o vencimento. Assim, as oscilações observadas ao longo do caminho representam apenas variações temporárias. Quem investiu no Tesouro IPCA+, por exemplo, terá o retorno da taxa pactuada mais a inflação, enquanto no Tesouro Prefixado, o investidor recebe a taxa prefixada contratada, independentemente das mudanças nas taxas de juros durante o período.
Portanto, quando vemos uma redução no saldo de investimentos em renda fixa, não estamos lidando com uma perda definitiva, mas sim com uma variação de valor no curto prazo. Ao levar o título até o vencimento, o investidor receberá exatamente o que foi prometido no momento da compra, logo não é motivo para resgatar os títulos realizando prejuízo, o correto é manter a tranquilidade e deixar que com o tempo os retornos esperados se materializem.

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