Greve dos caminhoneiros abriu espaço para oportunismo político?
Adriano Oliveira*
Pedro é convidado para uma festa de 15 anos. O convite pedia traje esporte fino. Mas Pedro decide ir de camiseta e sunga. Quando chegou à festa, todos ficaram olhando para ele. Conclusão: Pedro chamou a atenção por estar vestido diferente. Chamar a atenção. Esta é uma regra básica do marketing político.
Políticos sábios adotam o comportamento de Pedro e conseguem chamar a atenção do eleitor. Na crise dos caminhoneiros, todos os presidenciáveis falaram a mesma coisa. Portanto, nenhum despertou o eleitor. Os presidenciáveis optaram pelo discurso fácil: apoiaram a greve e defenderam a redução da carga tributária. Nenhum presidenciável propôs o debate sobre o papel da Petrobras no mercado de combustível brasileiro.
Existiam dois argumentos: 1) Defender intervenção do governo na empresa; 2) Defender a atuação da Petrobras como empresa privada. Todos optaram pela alternativa 1. Fizeram isto em razão de temer a opinião pública. Eles sabem que a maioria da população é contrária à reforma e à privatização.
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Parte da população gosta do Estado. Compreensível diante da imensa desigualdade social e carência econômica. Por outro lado, a redução de tributos tem apelo popular. Porém, mais Estado e mais política social impossibilitam a redução de impostos sem o aumento de outros. E menos imposto gera déficit público e corte de investimentos. Os presidenciáveis poderiam ter aproveitado a greve para defender a reforma, mas não fizeram, pois temem a opinião pública. Nenhum presidenciável se destacou. Eles não optam por ser Pedro.
* O autor é cientista político e professor da UFPE