
Antônio Carlos de Medeiros*
O Espírito Santo é um Estado emergente dentro de um país emergente. O crescimento econômico médio do ES tem sido um pouco maior do que o do Brasil. Entre 2002 e 2015, alta do Estado foi de 3,8%, e do Brasil, de 2,9%. A participação capixaba no PIB nacional também aumentou um pouco e tem representado entre 2% e 2,04%. Além disso, o ES tem ficado entre os dez Estados mais competitivos do país e, em 2010, tinha 0,74 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o 7º do país.
Há quem diga, no circuito nacional, que o Estado seria um “tigre asiático”, dada a supremacia do comércio exterior na economia local e a importância relativa do ES no balanço de pagamentos do Brasil.
A economia passou de uma onda primário-exportadora (café) para um estágio de plataforma de exportação, com uma maré de industrialização retardatária e concentrada na indústria extrativa (Vale e outras). No meio do caminho, nos anos 1970, criou-se o sistema Fundap de incentivos às importações, que turbinou o comércio exterior capixaba por 30 anos.
O desafio do próximo governador é avançar com esta agenda de Estado, na direção de uma terceira onda, com inovação e diversificação. A diversificação e a inovação passam pelas novas cadeias industriais
Hoje, a economia capixaba tende a ter maior participação na cadeia produtiva do petróleo e gás e do comércio varejista e atacadista, com um leve aumento da participação da indústria de transformação (Weg e outras). O comércio internacional ainda é o carro-chefe.
Tudo somado, o Espírito Santo vem construindo uma política econômica regional que se tornou agenda de Estado, ganhando longevidade e capacidade estrutural para produzir mudanças. Ela é consenso como política pública. Combinou incentivos e instrumentos regionais com incentivos e instrumentos federais. A resultante é uma mudança gradual do perfil econômico estadual.
O desafio do próximo governador é avançar com esta agenda de Estado, na direção de uma terceira onda, com inovação e diversificação. A diversificação e a inovação passam pelas novas cadeias industriais: do petróleo; da metalmecânica; da linha branca; da automotiva e da naval. Passam também pelo fortalecimento da vocação logística do Estado e por maior foco na indústria do turismo. Assim, segue na trilha para superar a condição de plataforma de exportação de commodities e gerar valor agregado. Também ganharia capacidade para se inserir no universo da Quarta Revolução Industrial: internet das coisas, inteligência artificial, big data, realidade aumentada e outras tecnologias digitais.
O foco é na sustentabilidade do processo de desenvolvimento. Foco na longevidade e aprimoramento institucional da política pública, para o adensamento das cadeias produtivas. O ES já sofreu há pouco tempo o efeito drástico da abrupta diminuição do Fundap, sem ter colocado no lugar iniciativas de diversificação econômica. Agora, é preciso ter cuidado para não sofrer o mesmo com a economia do petróleo, um recurso finito. Para onde vamos?
*O autor é pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science