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Combustíveis

Dependência de rodovias deixa o Brasil no acostamento

Greve/locaute dos caminhoneiros e Dia Mundial do Meio Ambiente convidam ao debate sobre a dependência brasileira de combustíveis fósseis

Publicado em 04 de Junho de 2018 às 18:43

Públicado em 

04 jun 2018 às 18:43

Colunista

Crédito: Beth Santos/Secretaria Geral da PR

Ecos da greve/locaute dos caminhoneiros e esta semana na qual é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente oferecem motivação para debater a dependência que o Brasil tem de combustíveis fósseis – a ponto de criar o bolsa diesel, imposta pelo rodoviarismo.

A memorável frase do presidente Washington Luís, “governar é abrir estradas”, materializada há 90 anos, em 25 de agosto de 1928, com a inauguração da Rio-Petrópolis, soou como cartilha primorosa de gestão pública.

Washington Luís fez rodovias e Juscelino Kubitschek implantou a indústria de carros nacional. Casamento perfeito, apadrinhado pela busca do progresso. O Brasil precisava industrializar-se mais.

Nesse espírito, em 16 de junho de 1956, JK criou o famoso Geia (Grupo Executivo para Implantação da Indústria Automobilística Brasileira) concedendo facilidades para fabricantes. Ótimo. O país só montava veículos (caminhões Ford, FNM, General Motors, International, Jeep Willys etc) e começou a trocar a montagem pela produção. A nacionalização dos "FeNeMês" (assim o povo chamava os robustos caminhões FNM) aconteceu em 1958. De lá para cá foram produzidos cerca de 82 milhões de veículos e desenvolveu-se engenharia de qualidade detentora de muitos prêmios internacionais.

O Brasil anda muito sobre rodas. Caminhões movimentam 62,8% dos produtos que circulam de norte a sul ; trens, 21%; 14% flutuam nas hidrovias (o Brasil tem 29 mil quilômetros de rios e lagos disponíveis para navegação, mas só usa 13 mil); e 2,2% vão via aérea.

Apesar desse quadro, estamos apegados ao passado no que diz respeito a combustíveis. Países europeus e asiáticos vão tirar de circulação veículos movidos a produtos fósseis, para combater a poluição. Aqui, nem se fala nisso.

A França e o Reino Unido anunciam o fim da venda de carros novos a diesel e a gasolina até 2040. Na Áustria, já em 2020; na Noruega, em 2025; na Holanda, em 2030. A Alemanha promete seguir o comboio, mas não divulga a data. Na Índia, o prazo também é 2030, e se prepara para comercializar carros elétricos em grande escala, o que já começa a acontecer aceleradamente na China.

O Brasil está ficando no acostamento.

 

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