As declarações do general Eduardo Villas Bôas foram inadequadas, feitas num momento extremamente sensível para o país. Em postagens no Twitter, não foi o cidadão que repudiou a impunidade, mas o comandante do Exército. Que ele se mantenha “atento às suas missões institucionais” é o que de fato se espera, afinal o Exército precisa mesmo se submeter à Constituição e ao poder civil no país.
Não havia, por isso, a menor necessidade de vir a público para ressaltar, num texto repleto de ambiguidades, aquela que já é de antemão a sua função constitucional. A não ser que de fato existam motivações antidemocráticas, o que seria intolerável. Pronunciamentos políticos, ademais, são vetados aos militares.
Seja qual for a decisão do Supremo, ela deve ser acatada pelo Exército e por todos os setores da sociedade. O combate à impunidade precisa ser empreendido num ambiente de total respeito às instituições democráticas. Já há traumas demais em nossa história recente a serem superados, a sociedade civil não precisa de mais sobressaltos como os provocados por essas declarações infelizes.