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Vitor Vogas

Davi Diniz, o "um" de Casagrande

Governador eleito aposta em um técnico para desafio político

Publicado em 09 de Novembro de 2018 às 08:39

Públicado em 

09 nov 2018 às 08:39
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Anunciado nesta quinta-feira (8) por Casagrande como chefe da Casa Civil em seu governo, Davi Diniz está longe de ser uma surpresa. Nas “bolsas de apostas” (inclusive a nossa), sempre foi, desde 7 de outubro, um dos nomes considerados seguríssimos na equipe do governador eleito, ao lado de outros como Tyago Hoffmann (PSB) e Lenise Loureiro (PPS).
O que causou certa surpresa no anúncio foi a posição na qual Diniz foi escalado para jogar no novo time de Casagrande. Apesar de ser filiado ao PPS, Diniz não se notabilizou, até hoje, por sua atuação política. Seu perfil, reforçado pelos cargos que ocupou no primeiro governo de Casagrande e na Prefeitura de Vitória, é eminentemente técnico. Até hoje, predominou em sua trajetória o exercício do conhecimento em áreas como a fazendária e a orçamentária.
À frente da Casa Civil, Diniz terá testadas habilidades de outro tipo – aliás, terá que provar que as possui. Será o grande responsável pela articulação política do governo, principalmente na interface com a Assembleia Legislativa. Não há de ser tarefa simples.
O próximo plenário se apresenta como um desafio até para o mais experimentado negociador. Com 20 partidos representados em 30 cadeiras e praticamente sem bancadas partidárias que de fato mereçam o nome, a nossa Assembleia será a 4ª mais fragmentada do país. O próprio Casagrande já reconheceu que a relação terá que ser sempre “um a um”. Bem, o “um” de Casagrande, a quem caberá tratar individualmente com os 30 do outro Poder, será Davi Diniz.
Questionado sobre a inexperiência nessa praia, o ex-secretário de Planejamento de Casagrande e atual secretário de Fazenda de Luciano Rezende na Capital respondeu que, na realidade, desenvolveu essa habilidade política ao longo dos últimos anos. Citou a fase final do mandato passado de Luciano, de 2015 para 2016, quando a Câmara de Vitória dificultou muito a vida do prefeito, inclusive na votação do Orçamento municipal. Coube a ele, então, entrar em campo pessoalmente na relação com os vereadores.
Agora, a Câmara de Vitória pode parecer recreio no jardim de infância.
Bloco dos novatos
Como a coluna publicou nesta quinta-feira (8) no Gazeta Online, um grupo de sete deputados estaduais eleitos para o primeiro mandato, além de Vandinho Leite (PSDB) – que retorna à Assembleia –, almoçou ontem em um restaurante de Jardim Camburi, para iniciar a articulação de um “bloco dos novatos” que pode se desdobrar em uma chapa na disputa pela Mesa Diretora. Querem que a próxima Mesa e o comando das comissões reflitam a renovação de 50% que saiu das urnas.
Batalha do Orçamento
Por falar em Assembleia, há uma pressão muito forte por parte de uma ala de líderes partidários para que o presidente, Erick Musso (PRB), dê sequência à tramitação do projeto de lei orçamentária do governo Paulo Hartung (sem partido) para 2019. Erick suspendeu a tramitação e se comprometeu com Casagrande a não pautar o projeto até o fim deste ano, de modo que o governador eleito possa enviar um substitutivo em janeiro.
Pressão em Musso
Entre os que defendem a retomada da tramitação estão o presidente da Comissão de Finanças, Dary Pagung (PRP), Theodorico Ferraço (DEM), Nunes (PT), Eliana Dadalto (PTC), entre outros. Uma das queixas é que, com o projeto parado, os deputados não podem definir as suas emendas para o ano que vem.
E tome pressão!
A coluna apurou que, nos bastidores, alguns deputados estão recolhendo assinaturas dos pares para uma carta que pretendem endereçar a Musso, a fim de pressioná-lo para que ele remeta logo o projeto do atual governo para a Comissão de Finanças. Por ora, Musso mantém sua decisão de segurar a peça orçamentária na Mesa Diretora. O projeto se encontra literalmente sobre a mesa do presidente.
Já voltamos com OAB-ES
Hoje interrompemos a nossa série de entrevistas com os três postulantes à presidência da OAB-ES. Em breve publicaremos a coluna com a terceira e última candidata, Elisângela Leite Melo.
Luiz Carlos não!
Na abertura da coluna desta quinta, escrevi com erro o nome do candidato José Carlos Rizk Filho. Esse é o nome correto. Peço desculpas ao candidato e aos leitores pela gafe.
E vamos de erratas
Na coluna do dia 1º, a construção do texto deu a entender que Álvaro Duboc foi secretário de Ações Estratégicas durante todo o 1º governo de Casagrande (2011-2014). Na verdade, André Garcia foi o chefe da pasta em 2011 e 2012.
Y más errores
Já no dia seguinte, referi-me a José Pepe Mujica como senador do Uruguai. Na realidade, ele renunciou ao cargo em agosto. Era senador em março, quando fez o discurso citado na coluna.
Santuzza x Rizk
Citada ontem por Rizk, a advogada Santuzza da Costa Pereira encaminhou nota para rebater a acusação de incoerência (ela se opôs a Homero Mafra na eleição da OAB-ES em 2015 e agora está na chapa de Ricardo Brum, o candidato da situação): “Tenho trinta anos de advocacia construída por uma trajetória de muita luta e pautada em uma única bandeira que é a defesa da advocacia. Essa trajetória não se faz com oportunismos exacerbados e posições contraditórias. Sempre tive lado, história e berço do qual me orgulho muito. Oposição por oposição é um discurso vazio. Galgar posição pela mera posição nunca foi meu norte. Nunca precisei de cargo para defender aquilo em que acredito.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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