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Rodrigo Medeiros

Crescimento econômico e social vêm do avanço na sofisticação produtiva

Assim como no Brasil, a crise capixaba é estrutural, ainda que haja alguma recuperação cíclica em curso

Publicado em 28 de Dezembro de 2018 às 16:52

Públicado em 

28 dez 2018 às 16:52
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros
Tecnologia em prol da diversificação e sofisticação da produção Crédito: Divulgação

Em 1952, o governador Jones dos Santos Neves, discursando em Colatina, Noroeste do Estado, lançou a advertência de que os galhos dos cafezais eram frágeis para sustentar nossos sonhos de progresso. Grandes projetos de industrialização foram relevantes para alavancar o segundo ciclo de desenvolvimento capixaba, ainda que a concentração de renda tenha seguido o padrão brasileiro.

O terceiro ciclo de desenvolvimento capixaba chegou nos anos 2000, a partir da diversificação dos serviços, porém ele coexistiu com uma base produtiva tomadora de preços. A queda dos preços globais das commodities, em meados de 2014, coincide com o início da recessão brasileira e expôs a fragilidade dessa estratégia de inserção externa. O Estado do Espírito Santo, que possui um grau de abertura comercial acima da média brasileira, empobreceu e as receitas dos seus municípios retrocederam ao patamar de 2010. Assim como no Brasil, a crise capixaba é estrutural, ainda que haja alguma recuperação cíclica em curso.

Uma discussão interessante tem sido feita no âmbito da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), mais especificamente no Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies). Nesse sentido, merece destaque o Estudo Especial nº 01/2018, assinado por Vanessa de Lima Avanci e Nathan Marques Diirr, sobre as exportações capixabas entre 1997 e 2017.

De acordo com o estudo, “no período analisado, a composição da pauta de exportações capixabas não passou por modificações muito significativas e se manteve concentrada, em termos de valor, em uma cesta de commodities”. Os analistas destacam que, a partir de 2010, a exploração de petróleo no Estado aumentou a sua participação nas exportações e acentuou a dependência da economia capixaba das flutuações de demanda e dos preços internacionais.

Citando referências internacionais, os autores destacam que “as atividades produtivas de maior intensidade tecnológica têm um potencial mais elevado do que as atividades agrícolas ou ligadas a recursos naturais de gerar desdobramentos para a economia como um todo”. O processo de desindustrialização precoce não escapa aos olhares de Avanci e Diirr. Para eles, “a perda de participação de produtos manufaturados e de maior valor agregado na pauta de exportações pode fragilizar a economia frente aos choques externos”. O avanço na sofisticação produtiva é o caminho para o desenvolvimento econômico e social.

 

Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

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