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Opinião da Gazeta

Correios: assaltos e sucateamento expõem vulnerabilidade

A violência é mais uma face dramática dos Correios na atualidade, uma instituição com mais de três séculos e meio que até 15 anos atrás era considerada a mais confiável do país

Publicado em 25 de Junho de 2018 às 21:26

Públicado em 

25 jun 2018 às 21:26

Colunista

Agência dos Correios que sofreu assalto em Cariacica Crédito: Fernando Madeira

Em pleno sol do meio-dia, uma agência dos Correios na Avenida Expedito Garcia, em Campo Grande, foi cenário de mais um assalto, com direito a refém, troca de tiros e bandido baleado no roteiro. Não bastasse a crise financeira e de credibilidade que a estatal tem atravessado nos últimos anos, os Correios passam por mais esse tormento. Tornaram-se um alvo fácil (e preferencial) da criminalidade. Foram registrados em 2018, só no Estado, 24 assaltos e três tentativas a agências, oito arrombamentos e 11 roubos de cargas. Os dados são da Polícia Federal e foram divulgados no início do mês em reportagem deste jornal. Não é uma exclusividade do Espírito Santo; por todo o país a situação se repete.

Pode-se dizer tranquilamente que esse tipo de crime tornou-se uma epidemia, algo que remete aos assaltos a agências bancárias que assustavam os brasileiros nos anos 80 e 90. Até mesmo o planejamento das ações, com funcionários e clientes feitos reféns até que o sistema de senha libere os cofres, reforça a lembrança de mais de 20 anos atrás. Só foi possível reduzir substancialmente o terror quando os bancos passaram a investir em segurança, por força da lei.

As agências postais não são obrigadas a ter porta giratória, detectores de metal ou segurança armada, o que atrai os bandidos. Na sexta passada, um deles foi preso em plena Copa do Mundo, na Rússia, após a Polícia Federal cumprir um mandado pela suspeita de participação no assalto a uma agência de Itarana, no interior do Estado.

A violência é mais uma face dramática dos Correios na atualidade, uma instituição com mais de três séculos e meio que até 15 anos atrás era considerada a mais confiável do país. O sucateamento de sua infraestrutura expõe a sua vulnerabilidade, em todos os aspectos. Pode ser uma encomenda extraviada, pode ser mais uma agência assaltada: tudo é reflexo de uma empresa que, colecionando prejuízos, não conseguiu ainda se adaptar aos novos tempos.

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