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Vitor Vogas

Coronel Nylton no lugar de Garcia: um recado para a tropa

Veja os destaques da coluna publicada na edição deste domingo (7) do jornal A Gazeta

Publicado em 06 de Janeiro de 2018 às 20:29

Públicado em 

06 jan 2018 às 20:29
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

A cada oportunidade, o governador Paulo Hartung tem prestigiado e desfiado elogios à dupla que hoje comanda a Segurança Pública no Espírito Santo: o secretário André Garcia e o comandante-geral da PM-ES, coronel Nylton Rodrigues, comandante interino da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), no lugar de Garcia, desde 31 de dezembro até a próxima terça-feira (9).
A opção do governador pelo coronel Nylton para substituir Garcia, mesmo que por poucos dias, possui um fortíssimo significado simbólico. Tão logo foi noticiada, a escolha chamou muita atenção, tanto por fatores históricos como pela conjuntura atual.
Primeiramente, há o quase ineditismo do fato, o que, por si só, é digno de nota. Um cientista político e uma fonte da PM garantem: essa é a primeira vez em 25 anos que alguém acumula, mesmo que por breve período, as posições de comandante-geral da PM e de secretário estadual de Segurança Pública. O último caso similar se deu durante o governo de Albuíno Azeredo, quando o coronel Luiz Sérgio Aurich acumulou as duas funções, de 8 de janeiro de 1993 a 10 de agosto daquele ano.
Em segundo lugar, há o contexto atual, o qual põe em evidência uma ferida não cicatrizada e uma relação ainda muito turbulenta, sujeita a novos sobressaltos, entre as duas pontas da Segurança Pública no Estado: em um extremo, os comandos da Sesp e da PM; no outro, os policiais que atuam na linha de frente do combate à violência. Essa, logicamente, é uma dificuldade estabelecida desde a greve deflagrada por PMs no Espírito Santo em fevereiro de 2017.
A relação entre comando e subordinados já foi pior, no auge da paralisação e no imediato pós-greve, mas a verdade é que focos de insatisfação latentes na tropa nunca deixaram de existir. O tensionamento é constante, situação que ainda tende a recrudescer com a nova leva de expulsões que deve se confirmar em breve como desfecho de inquéritos policiais militares (IPMs) abertos contra participantes do motim, conforme publicado pelo colunista Leonel Ximenes na última terça-feira.
A expectativa, aliás, é confirmada por agentes da alta cúpula do governo – fala-se em um pacote de mais de 100 punições aguardado para janeiro ou fevereiro. Ou seja, uma relação que já não é fácil entre base e topo da hierarquia da PM tende a se tornar ainda mais tensa.
Some-se ao nosso raciocínio o fato de que, via de regra, quem substitui o titular da Sesp em caso de licença ou férias é um dos subsecretários. Desta vez, porém, eles foram preteridos em favor de Nylton.
Noves fora, resta evidente que Hartung designou Nylton para responder interinamente pela Sesp durante estes dias com um propósito certo: o de mandar um “recadão”, como ele mesmo costuma dizer. Um recado não para fora, não para a sociedade capixaba, mas acima de tudo para dentro da própria PM: o de que o governo não vai retroceder e de que Nylton, o coronel que topou o desafio de assumir o comando-geral da tropa no momento mais crítico de sua história, segue prestigiadíssimo, legitimado e respaldado para seguir liderando o que o governo acredita que deve ser feito.
Assim, ao aproveitar a licença de Garcia para prestigiar seu comandante-geral de forma inédita, e ainda por cima neste momento delicado, nomeando-o para o comando da Sesp, Hartung fez um anúncio por meio de um gesto que fala mais que mil palavras: tanto Nylton como Garcia sofreram enorme pressão das bases ao longo de 2017, e a permanência da dupla nos cargos foi posta em xeque mais de uma vez. Mas o governador está determinado a mantê-los até o fim. E ambos estão autorizados a seguir implementando o conjunto de medidas de reestruturação da PM anunciadas desde o fevereiro sangrento.
Doa a quem doer.
Valorização da tropa
Indagado sobre os motivos da escolha do nome do comandante-geral da PM para o substituir, André Garcia disse à coluna que o motivo central da opção do governador foi prestigiar a própria instituição, a qual, como ressalta Garcia, possui quase 200 anos de existência. Foi uma forma, portanto, de prestigiar por extensão todos os homens e mulheres que compõem a PM no Estado.
Ajuda por tabela
Indagado se a escalação do coronel Nylton Rodrigues para substituí-lo poderia também ajudá-lo a reestreitar sua relação com a tropa, Garcia admite que, indiretamente, essa até pode ser uma consequência. Mas reitera que o foco não é esse e sim realmente o de valorizar a PM.
Substituição definitiva?
Outra especulação que lançamos a partir da escolha inusitada de Hartung é que talvez, ao conceder esses dias de comando para Nylton, Hartung possa estar treinando ou testando o comandante-geral da PM para uma eventual substituição definitiva. Esta pode vir a ser necessária se André Garcia decidir ser candidato a alguma coisa (caso esse em que terá que renunciar ao cargo até 7 de abril).
Nem sob tortura
Defensor dos direitos humanos, Garcia não fala sobre candidatura nem sob tortura. Convidado pela coluna a comentar esse palpite na última terça, Hartung preferiu não falar em hipótese. Voltou, porém, a enaltecer a competência da dupla.
Investigação histórica
Conforme A GAZETA publicou no início de dezembro, quase toda a tropa da Polícia Militar, composta por cerca de 10 mil homens, está sendo investigada pela Corregedoria, em uma apuração de dimensões históricas. Até agora, alguns policiais já foram expulsos da corporação por transgressões disciplinares como a queima da farda, deserção, incitação ao aquartelamento ou até por ferir a disciplina e a segurança. Há dezenas de inquéritos policiais militares abertos, sendo 26 deles coletivos e destinados a cada uma das unidades da Polícia Militar.
Fora da zona de conforto
O ano de 2018 reserva ao governador Paulo Hartung uma situação à qual ele não está habituado, no seu trabalho de inserção em um projeto nacional: no Estado, exceto por 1998 (quando perdeu para José Ignácio a convenção do PSDB), Hartung sempre teve pleno controle e autonomia para definir suas próprias candidaturas. Desta vez, a eventual participação dele em um projeto e/ou chapa presidencial depende de infinitas variáveis que fogem completamente às mãos dele.
“Vou ali e já volto”
Em tese, essa indefinição do cenário nacional é mais um motivo que pode levar PH a optar pela trajetória explicada na coluna de ontem: desincompatibilizar-se do governo em abril, deixar César Colnago (PSDB) no comando do Estado e, se for o caso, lançar candidatura em agosto para tentar voltar a ser governador.
Luciano ao Senado???
Como a coluna publicou no Gazeta Online na última sexta, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), cobrou do principal aliado, Renato Casagrande (PSB), definição sobre candidatura. Casagrande passou a admitir, para Luciano e um grupo seleto de aliados, que é pré-candidato ao governo. E, vejam só, sugeriu a Luciano que o prefeito se lance candidato ao Senado pelo grupo político de ambos. A informação é do próprio Casagrande.
Marcos Do Val
O ex-governador também confirma que o instrutor e especialista em segurança pública Marcos Do Val, filiado ao PSB, tem buscado viabilizar candidatura ao Senado. Do Val já prestou consultoria particular à PM-ES em áreas como operações policiais de risco. Casagrande o tem encorajado. “Ele está muito animado. Tem uma base muito forte em redes sociais. Eu disse a ele que, se conseguir transformar essa base em apoio eleitoral, ótimo.” Na greve da PM, em fevereiro de 2017, Do Val teve papel controverso.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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