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Gabriel Tebaldi

Copa do Mundo não deve ser menosprezada

No campo, duas qualidades importam: talento e trabalho em equipe. Embora alguns craques se destaquem, um grupo é indispensável ao sucesso

Publicado em 22 de Junho de 2018 às 23:28

Públicado em 

22 jun 2018 às 23:28

Colunista

Indiferença com a Copa do Mundo Crédito: Amarildo

Há, no Brasil, um grande time defensor do “quanto pior, melhor”. Torcem para que tudo dê errado, que a economia não se recupere, que o governo afunde e que o país pare. Em época de Copa do Mundo, a Seleção é “o” alvo: que fracasse!. Embora pareça culto e intelectual, o time da derrota desconhece o mundo real.

É um absurdo desprezar a importância da Copa. Em 2014, a competição foi assistida por 3,2 bilhões de pessoas, pouco menos da metade da população do planeta! Sozinha, a Fifa soma 211 países filiados. Supera o Comitê Olímpico Internacional, com 206, até mesmo a ONU, com 193.

No campo, duas qualidades importam: talento e trabalho em equipe. Embora alguns craques se destaquem, um grupo é indispensável ao sucesso. A Copa também coloca todos os países em condições equitativas. Ricos ou pobres, potências ou não, todas as nações almejam o título. No mundial, PIB não decide jogo. Islândia, Senegal, Marrocos ou Panamá importam tanto quanto Estados Unidos e China (sequer classificados).

Esclareçamos: o sucesso da Seleção não mudará o Brasil, não acabará com a corrupção, não melhorará a saúde, muito menos a educação

A Copa também demonstra a riqueza da interação entre países. Cada vez mais, técnicos “estrangeiros” são contratados para inovar, pensar e transformar o modo de jogo de um povo, de uma cultura. O futebol transforma brasileiros em heróis na Europa; um egípcio e um senegalês em ídolos na Inglaterra; um nigeriano em campeão na Itália. Na contramão da xenofobia, o esporte mostra a riqueza da comunidade global.

Esclareçamos: o sucesso da Seleção não mudará o Brasil, não acabará com a corrupção, não melhorará a saúde, muito menos a educação. Contudo, sua derrota também não promoverá mudanças! A Copa não resolve os problemas de um país! É um dos poucos momentos capazes de reunir toda a população em um objetivo comum. Seu valor é cultural; sua festa é justa, digna e merecida.

Que o nosso povo, sofrido, desiludido e calejado possa viver, ao menos por um mês a cada quatro anos, alegrias sinceras, honestas, verdadeiras. E que essa terra dividida perceba a força que há ao vestir a camisa da Pátria.

*O autor é graduado em História e Filosofia e pós-graduado em Sociologia

 

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