Após desbravar os segredos dos vinhos Pinot Noir e Riesling, nesta edição do Minuto do Vinho, Luiz Cola fala tudo sobre a casta Syrah. A uva produz vinhos profundos e encorpados, marcado por notas de especiarias e frutas negras maduras. "É uma casta que pode originar vinhos com perfis aromáticos distintos", aponta o comentarista. Ouça o quadro completo!
Minuto do Vinho - 08-10-20
Conheça:
Um levantamento feito no início da década de 2010 mostrou que a variedade é a sexta no mundo com maior área plantada, o equivalente a 185.568 hectares (o que representa incríveis 4% dos vinhedos do globo), perdendo apenas para Cabernet Sauvignon, Merlot, Airen, Tempranillo e Chardonnay. Para se ter uma ideia do crescimento que ela teve, em 1990, havia pouco mais de 35 mil hectares plantados no planeta, com a Syrah na 35a posição entre as mais cultivadas. Em 2000, o número passou para pouco mais de 101 mil ha, já aparecendo em oitavo lugar. Um crescimento de quase 200% em uma década.
Apesar de a França ter a maior quantidade de área plantada, com quase 70 mil ha, a Austrália vem logo atrás com cerca de 42 mil ha. Os outros principais produtores são: Espanha (20 mil ha), Argentina (12,8 mil), África do Sul (10,1 mil), Estados Unidos (9,1 mil), Itália (6,7 mil), Chile (6 mil) e Portugal (3,5 mil).
Apesar de ter nascido na França, a fama da Syrah (Shiraz) ocorreu com o boom dos vinhos australianos entre os anos 1980 e 1990.
Origem
Várias lendas cercam a origem do nome dessa casta, mas a verdade científica é menos empolgante. No século XIII, o cavaleiro Gaspard de Stérimberg, retornou das Cruzadas e estabeleceu-se ao sul da cidade de Lyon, perto do entroncamento dos rios Rhône e Isère. Lá, ergueu uma capela para São Cristóvão e viveu como ermitão, isolado do mundo. Acredita-se que ele ou talvez outros cruzados, ao retornarem para a França depois das batalhas no Oriente Médio, teriam trazido consigo mudas de vinhas da cidade de Shiraz (ou Chiraz), na Pérsia, então um importante centro comercial da antiguidade.
Outra lenda dá conta de que os imigrantes gregos da cidade de Foceia (atualmente Foça, na Turquia) teriam criado relações comerciais no Mediterrâneo e também fundado portos e cidades, entre elas Massalia (Marselha). Assim, eles teriam trazido as mudas adquiridas em Shiraz, na Pérsia, e as implantado na região ainda no século VI a.C. Há chances ainda de a variedade ter sido originada no mar Egeu, numa das ilhas gregas das Cíclades chamada Siro (ou Syra).
No entanto, alguns acreditam que a origem da uva Syrah no Rhône é ainda anterior, remontando a 310 a.C. Na época, Agathocles, tirano que reinava na ilha siciliana de Siracusa (Syracusa) teria trazido consigo mudas de vinhas quando esteve no Egito. Da ilha, as vinhas teriam se espalhado pelo sul da França.
As origens da variedade estão mesmo diretamente ligadas ao norte do vale do rio Rhône, mais especificamente na área ao norte do rio Isère e à leste do Rhône, até o lago de Genebra, entre a França e a Suíça, no departamento de Isère.
A análise de DNA feita em 1998 pela UC Davis e pelo INRA (instituto de pesquisas agronômicas) em Montpellier, no sul da França. O levantamento surpreendeu os cientistas e mostrou que a Syrah é um cruzamento natural entre a Mondeuse Blanche, branca, e a Dureza, tinta. A Mondeuse, natural da região de Savóia, próxima ao Rhône, costumava ser cultivada também em Ain e Isère. A Dureza, natural de Ardèche, logo a oeste do rio Rhône, costumava ser cultivada em Drôme e também em Isère. Portanto, os ampelógrafos concluíram que o nascimento da Syrah deve ter se dado em um local em que essas duas variedades eram plantadas, portanto, mais provavelmente em Isère por volta do século XII.