Era julho de 2021 quando uma operação — a Armistício — ganhou as ruas prendendo traficantes e advogados. Era a etapa ostensiva de uma investigação iniciada dois anos antes e que revelou a caixa-preta do principal grupo criminoso no Espírito Santo: como funcionava, seus métodos de atuação, a identificação dos membros, cadeia de distribuição de droga e até seu regulamento (cartilha). Informações que auxiliaram as forças de segurança a compreender a dinâmica do Primeiro Comando de Vitória (PCV), e nos anos seguintes ajudaram a desarticular ações e a viabilizar a prisão de várias lideranças criminosas, incluindo o Marujo. O apelido é de Fernando Moraes Pereira Pimenta, que anos antes tinha assumido o comando quando os líderes do grupo foram sendo presos. O que não foi suficiente para impedir que a cúpula criminosa continuasse gerindo o tráfico do sistema prisional, com informações repassadas de dentro da Penitenciária Máxima II (PSMA II), em Viana. Contavam com o apoio de advogados, que lançavam mão do uso indevido das prerrogativas essenciais à advocacia para garantir a comunicação criminosa. Foi o que revelou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com base nas informações da Armistício. Como caminham estas investigações nos dias de hoje? Ouça a participação da comentarista Vilmara Fernandes.
CBN - JUSTIÇA, SEGURANÇA E CIDADANIA - 07-05-25.mp3