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Espírito Santo: Que História é Essa?

Florentino Avidos: governo e legados para a história do ES

Ouça a participação do Doutor em História, Rafael Simões

Publicado em 17 de Julho de 2023 às 11:49

Publicado em 

17 jul 2023 às 11:49
Florentino Avidos
Florentino Avidos Crédito: Divulgação
Nesta edição do “Espírito Santo: Que História é Essa?”, o comentarista Rafael Simões traz como destaque que o Espírito Santo, antes da crise de 1929, se encontrava em uma posição de destaque dentro da política cafeeira. As forças políticas capixabas se organizaram a fim de lançar negociações que colocassem o café capixaba “no páreo” nacional. Mesmo com o destaque capixaba no cenário nacional, e a injeção urbanizadora na capital do estado, as mudanças da estrutura social aconteciam lentamente. Ao longo da década de 1920, com o incentivo do governo estadual, intensificou-se a corrente migratória em direção ao norte proveniente das regiões do sul e do centro do estado que estavam com o solo esgotado, ou não tinham mais terras a oferecer para novos ocupantes. Florentino Avidos nasceu em São João Marcos, na província do Rio de Janeiro, em 18 de novembro de 1870, filho de Florentino Avidos e de Isabel Avidos.
CBN - Espírito Santo: Que História é Essa? - 17-07-23.mp3
Seu pai, de família portuguesa de parcos recursos, emigrou para o Brasil aos 11 anos de idade ao lado de um comerciante português. Embora envolvido com o comércio, estudou por conta própria, tornando-se um pianista de grande talento. Casou-se com Isabel, jovem que pertencia a família de classe média alta carioca. O casal dedicou-se à vida no campo e adquiriu a fazenda Graciosa, onde Florentino nasceu. Isabel, que se havia formado em matemática e astronomia pela Sorbonne, em Paris, foi responsável pelos estudos do filho na própria fazenda. Com o objetivo de cursar o ensino superior, Florentino partiu para o Rio de Janeiro, então capital do Império, onde foi aceito na Escola Politécnica e formou-se em engenharia em 1893. Trabalhou como engenheiro ferroviário em São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco e estabeleceu-se em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, onde se casou em 1897 com Henriqueta Sousa Monteiro, sendo, portanto, seus cunhados Bernardino e Jerônimo Monteiro.
Entre 1902 e 1903, Florentino dirigiu a construção da primeira usina hidrelétrica do Espírito Santo, destinada a fornecer energia a Cachoeiro de Itapemirim. Poucos anos depois, foi encarregado da construção do último trecho da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo, adquirida pela Leopoldina Railway, entre Cachoeiro e Matilde, que completava a ligação de Vitória à capital federal. Foi também empresário, com uma torrefação de café em Cachoeiro e uma usina de beneficiamento de arroz em Natividade (MG).
No governo de Nestor Gomes (1920-1924), o Espírito Santo iniciou uma fase de prosperidade, mais uma vez graças ao aumento do valor e da exportação de café, que permitiu ao presidente do estado empreender um vasto programa de obras públicas, destacando-se entre elas a remodelação da capital. Com esse fim, Nestor Gomes criou o Serviço de Melhoramentos de Vitória e entregou sua direção a Florentino Avidos. A reforma urbanística da cidade estava em andamento quando chegou o momento da sucessão, e Nestor Gomes indicou Florentino como seu candidato.
Construiu duas pontes que foram fundamentais para alavancar o desenvolvimento capixaba. As Cinco Pontes, cujo nome oficial é Florentino Avidos, e a sobre o Rio Doce, em Colatina. Em Colatina ainda abriu uma estrada até Nova Venécia, possibilitando a chegada dos capixabas ao Noroeste do Espírito Santo, região que nos mapas, àquela época, ainda era identificada como “sertão desconhecido” ou “zona desconhecida”.
No seu governo foram construídas 201 escolas, ampliando o número de aluno matriculados de cerca de 14 mil para cerca de 21.500. Entre suas principais obras na capital podemos destacar a retificação da avenida Jerônimo Monteiro, abertura da avenida Capixaba e a construção de centenas de moradias para funcionários e classe média.
Nomeou seu filho, Moacir, também engenheiro, para o cargo que ocupara no Serviço de Melhoramentos de Vitória, continuou e ampliou o projeto que iniciara e acelerou o ritmo das obras, realizando uma completa transformação da capital. Abriu novas ruas, alargou e pavimentou outras, construiu escadarias e o viaduto Caramuru, para permitir a passagem de bondes pela região, reformou o serviço de esgoto e de abastecimento de água, construiu a rede de drenagem das águas pluviais, ergueu edifícios públicos e o Mercado da Capixaba (1926). Surgiu um novo bairro, Jucutuquara, e foram refeitas as vias de ligação com bairros mais afastados do centro.
Completando a urbanização, foi promulgado pela prefeitura um novo código de posturas, fixando normas com preocupações sanitárias e modernizadoras para as edificações. Em 1924, como resultado de negociações realizadas no governo anterior, a União transferiu para o estado capixaba a execução das obras do porto de Vitória, iniciadas pelo governo federal no início dos anos de 1910, mas interrompidas pouco depois. A administração de Florentino pôde assim retomar os trabalhos, construindo cais e armazéns, que deixou em andamento, e executando a edificação da ponte que leva seu nome, ligando Vitória ao continente e tornando-a acessível ao transporte ferroviário e rodoviário. O governo também abriu ou concluiu diversas rodovias e pontes, entre elas a ponte sobre o rio Doce, em Colatina, um marco na ocupação do norte do estado.
Durante o seu governo realizou-se em Vitória o Oitavo Congresso Brasileiro de Geografia – de vinte e quatro a trinta de novembro de 1925; que contou com a presença do Marechal Cândido Rondon, conhecido engenheiro militar e sertanista brasileiro, momento em que foi inaugurado o novo prédio do Grupo Escolar Gomes Cardim.
Você sabe que prédio é esse?
Não, não é o atual prédio da Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Gomes Cardim, no Centro de Vitória, estamos falando do prédio da FAFI. E qual seria a obra, não a mais importante, mais a mais impactante do governo Florentino Avidos?
Sim, isso mesmo o Teatro Carlos Gomes. Projetado em 1925, construído entre este ano e 1927, quando foi inaugurado. Projeto de Andrea Carloni. Ali, antes do Carlos Gomes, ficava o Teatro Melpômene, que se incendiou em 8 de outubro de 1924, sendo demolido em 1925 para dar lugar ao Carlos Gomes
Durante a gestão de Florentino, a política de valorização do café envolveu a ação dos estados produtores, e o Espírito Santo passou a fazer a sua parte: criou um Serviço de Defesa do Café estadual, que se empenhou em melhorar a qualidade do produto e se encarregou de regular a exportação do café capixaba, segundo cotas fixadas em convênio entre os estados produtores. Essa política beneficiou a cultura do café no estado, em forte expansão, e favoreceu a exportação pelo porto de Vitória, que passou a atrair a maior parte do café do sul capixaba, antes comercializado pelo porto do Rio, o que por sua vez impulsionou a economia da capital e as firmas exportadores de capital local.
Tivemos, ainda, as visitas, em 1926, dos presidentes Artur Bernardes e Washington Luís.
Florentino Avidos enviou 321 homens da Força Pública do Estado, em auxílio do governo federal, contra os revoltosos de 1924, que ficariam conhecidos como Coluna Prestes, que percorreu o Brasil entre julho de 1924 e janeiro de 1927.
Mas, tempos difíceis se avizinhavam com a grande crise de 1929, quando Florentino já havia sido sucedido por Aristeu Borges de Aguiar, e os ventos internos e externos irão levar à Revolução de 1930, quando o sistema político brasileiro e capixaba sofrerá mudanças impactantes e, por aqui, teremos a longeva governança de João Punaro Bley, com seus 12 anos e 2 meses de governo, sobre quem falaremos na semana que vem.

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