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ES: Que História é Essa?

A história do Morro do Penedo e das ilhas do Boi e do Frade

Ouça a participação do comentarista Rafael Simões

Publicado em 18 de Março de 2024 às 11:52

Publicado em 

18 mar 2024 às 11:52
Ilha do Frade, em Vitória, em dia chuvoso no ES
Ilha do Frade, em Vitória, em dia chuvoso no ES Crédito: Fernando Madeira
O tema desta edição do "Espírito Santo: Que História É Essa?", com o comentarista Rafael Simões, foi motivado por meio da sugestão do ouvinte Vando. Ele sugeriu contar a história do Morro do Penedo. Vamos às histórias:
CBN - ESPÍRITO SANTO: QUE HISTÓRIA É ESSA? - 18-03-24
Penedo:
O Morro do Penedo é uma formação rochosa granítica, com 132 metros de altitude, localizado na foz do Rio Aribiri em Vila Velha. Devido à sua localização estratégica e à sua imponente beleza, foi o primeiro monumento natural a ser tombado no Estado do Espírito Santo, em 1983, e abriga várias histórias, lendas e até mesmo cantigas de roda. Este enorme monumento já serviu inclusive de suporte para a corrente de ferro que fechava o canal da Baía de Vitória, impedindo a passagem de navios piratas.
A Bola de Fogo e o Couro Que Se Arrastava. Conta a lenda que enorme bola de fogo, partindo da Vigia, ia sumir-se na crista do Penedo. O forte ruído, como se imenso couro estivesse sendo arrastado pedra abaixo, ouvia-se para o espanto de todos. Daí surge a lenda do arrasto de correntes. Reza ainda a lenda que a pedra, em dias de tempestade, solta assombrosos gemidos.
Alguns mapas do Espírito Santo Colonial, mostram o maciço sendo chamado de Penedo Grande, como no caso do mapa mais antigo dedicado ao Espírito Santo, feito em cerca de 1590 por Luís Teixeira. Em outros casos, ele é chamado até mesmo de Pão de Açúcar, como no mapa da Capitania do Espírito Santo, de 1631, feito por João Teixeira Albernaz, o Velho.
No tempo do Brasil colônia, o Penedo era considerado o guardião da ilha, protegendo os habitantes e navegantes. Moedas eram atiradas do convés dos barcos, pois quem conseguisse acertar o Penedo teria um pedido atendido. Também eram jogadas batatas pelos marinheiros, para que os navios não fossem engolidos pelo Penedo. Acreditava-se também que a pedra soltava gemidos em noites de tempestade. Há cantigas de roda, poesias e canções que fazem alusão ao Penedo, como essas:
Penedo vai, Penedo vem, Penedo é terra. De quem quer bem. Venha cá, fulana, venha cá, meu bem, se tu és de tua mãe és minha também.
Maravilhante (Zé Antônio e Rogério Borges) Gosto daquela casinha Que tem lá no pé do Penedo Maravilhante visão que me fez imaginar guaanira*. Doce ilha do mel (bis) Timaratimbas e catraieiros. Não queira mal a minha Terra natal Cartão postal do meu coração.
*Guaanira: forma como os índios chamavam a Ilha de Vitória, equivale a Ilha do Mel*
Segundo Auguste de Saint-Hilaire, botânico Francês, em sua visita ao Brasil no século XIX, “Há uma carícia junto à pele causada pelo vento, que se desvia de edificações e traz o cheiro do mar, aquele mais longe, sem fim no horizonte e que fica logo aí, o mundo começa logo depois do Penedo, pequeno Pão de Açúcar da província, como uma irreal imitação da loja de souvenir”.
O Morro do Penedo já possuía vocação turística desde o início do século passado e algumas propostas foram criadas. Por exemplo um projeto de passarela, elaborado pelo Engenheiro Saldanha da Gama, ligando a Curva do Saldanha ao Penedo, em 1929.
Na década de 1970, com a implantação do Porto de Capuaba, uma forte pressão popular deu início ao processo de tombamento no Conselho Estadual de Cultura, que aconteceu em 1983. Em 5 de junho de 2007, o prefeito então Max Filho criou a unidade de conservação do Monumento Natural Municipal Morro do Penedo.
As ilhas do Boi e do Frade:
Segundo José Teixeira de Oliveira, do grupo de pessoas que embarcaram com Vasco Fernandes Coutinho para “conquistar e povoar” a capitania, são escassas as notícias. Os mais abalizados autores registram mais ou menos sessenta, aí incluídos “dois fidalgos de elevada nobreza”: D. Jorge de Menezes, “o das proezas nas Molucas e do descobrimento da Nova Guiné”, e D. Simão de Castelo-Branco. – Ambos, “por mandado de S. A., iam cumprir suas penitências a estas partes”. Degredados é que eles eram.
Basílio Daemon arrola, entre as construções iniciais, “um forte no lugar onde hoje [1879] se acha a Fortaleza de Piratininga”. Parece mais razoável admitir que a cerca externa, de mais rápida execução, constituiu a obra de defesa do primeiro instante. O forte veio depois. Teria estrutura mais custosa e se destinaria à defesa contra os corsários, que, durante séculos, serão perigo constante.
As casas para morar e para rezar somariam, no máximo, trinta as edificações necessárias aos pioneiros. A hipótese é otimista desde que, à falta de outros dados, sejam aceitos os oferecidos pelos cronistas – mais ou menos sessenta pessoas compunham a expedição transportada pela Grorya.
Desapareceram os registros das primeiras cessões de terras, mas, pelo menos das ilhas situadas na baía, se conhecem os nomes dos aquinhoados. Assim é que a primeira junto à barra – atual ilha do Boi – foi distribuída a D. Jorge de Menezes; a imediata – hoje Ilha do Frade – a Valentim Nunes. Ambas, por muitos anos, conhecidas pelos nomes dos seus proprietários. Gabriel Soares de Sousa, meio século depois, descrevendo o litoral da capitania, dirá: “A primeira ilha, que está nesta barra, se chama de D. Jorge, e mais para dentro está outra, que se diz de Valentim Nunes”.
No Século XVII, ou princípios do XVIII, um veleiro, com carregamento de reses, naufragou nas proximidades da ilha, quando alguns bois foram dar às suas praias. Daí o nome, que mais certo seria no plural, pois que vários bois foram ali ter, tão perto estava. A partir de então a Ilha serviu como local de quarentena para os animais que chegavam na Capitania.
Entre 1970 e 1980, são concluídos os aterros que ocasionaram o desaparecimento das praias Comprida, Santa Helena, do Canto e Suá e a incorporação das ilhas do Boi e do Frade ao tecido urbano da cidade. Verifica-se, também, a conclusão do aterro da Ilha do Príncipe com a instalação da nova rodoviária e a construção da segunda ligação da ilha com o continente.
Já a Ilha do Frade ganha esse nome por conta da ocupação da Ilha por frades beneditinos no século XVII.
[fontes: prefeituras de Vitória; Vila Velha; G1]

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