O reajuste do preço da gasolina e do diesel para as distribuidoras foi anunciado pela Petrobras na noite desta terça-feira (29) e, menos de 24 horas depois, os postos já começavam a aumentar o preço dos combustíveis.
Qual o principal motivo para o aumento de combustíveis nesse momento? Podemos dizer que o principal vilão para o mais recente reajuste de preços dos combustíveis é a desvalorização do real frente ao dólar. Só para termos a noção da evolução do valor do barril de petróleo em reais, peguei os dados de preço do barril tipo WTI (West Texas Intermediate - preço referência no mercado americano) em dólar na plataforma.
Economia e Você - Bruno Funchal - 02-10-15.
Bloomberg e a evolução da taxa de câmbio dólar-real. Para termos uma ideia, em junho de 2014, o barril do petróleo atingia os 107 dólares (o maior valor no ano), antes de entrar ladeira abaixo. Nessa época o dólar estava cotado a 2.23 reais, o que fazia o barril custar 238 reais. O problema é que nessa época o preço da gasolina para a Petrobras era controlado pelo governo e estava gerenciando o aumento dos combustíveis para não pressionar a inflação. Em novembro, após a eleição, veio o primeiro reajuste. Nessa época o barril estava cotado a 66 dólares, com o cambio a 2,45, fazendo o preço em reais por 161 reais.
Da mesma forma que imediatamente após o preço do barril do petróleo despenca, atingindo em janeiro os 45 dólares, batendo a mínima de 40 em agosto, o real começa a se desvalorizar. Hoje o barril está cotado aos mesmos 45 reais de janeiro, enquanto que o dólar esta cotado a 4 reais, fazendo o preço do barril a 180 reais.
A Petrobras não tem mais como arcar com tal subsídio, nem deve, boa parte de sua dívida é em dólar e como seu produto é cotado em preço internacional é razoável que seja repassado para o mercado doméstico, como vários outros setores estão fazendo como o da carne bovina por exemplo.
Nesta terça-feira, a petroleira anunciou reajustes nos preços de venda da gasolina e do diesel nas refinarias a partir da 0h desta quarta (30). O aumento para a gasolina é de 6% e para o diesel, de 4%.
O aumento vem em um momento de crise, em que a estatal tem de lidar com uma dívida crescente, com a queda dos preços do petróleo e com denúncias de corrupção. Embora os preços internacionais tenham caído dramaticamente, o enfraquecimento do real contra o dólar neste ano significa que os preços na bomba no Brasil permanecem baixos, segundo a agência Reuters.
É bom lembrar que o último aumento nada teve a ver com mudanças nos preços internacionais nem com o cambio. Em janeiro de 2015, a tributação incidente sobre a gasolina e o diesel também foi elevada, conforme o decreto presidencial 8.395, publicado no "Diário Oficial da União". O aumento foi repassado ao consumidor pelos postos de gasolina.
De acordo com o Fisco, o impacto do aumento seria de R$ 0,22 por litro para a gasolina e de R$ 0,15 para o diesel. Porém, o aumento variou em postos diferentes.
Como consequência, o aumento nos preços dos combustíveis é um combustível adicional para a inflação alta. Esse aumento deve dar maior impulso à já elevada inflação do Brasil. O reajuste deve ter impacto direto de cerca de 0,20 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já no mês de outubro.
Com esse elemento adicional de pressão na inflação, é possível que índice de inflação chegue próximo do patamar de 10% e tende a iniciar 2016 com maiores chances de retorno para patamares abaixo do teto da meta do Banco Central, de 6,5%.
Novamente esse reajuste ainda é uma compensação de políticas malfeitas no período pré-eleitoral e não tem muito a ser feito, nem pela a empresa nem pelos consumidores. Note que novamente de todos os aumentos o maior deles ainda foi via aumento de impostos ocorrido no início de 2015, que nada ajuda a Petrobras nem os consumidores, serve apenas para tapar mais um buraco deixado pelo governo trapalhão.