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ECONOMIA E VOCÊ

O que esperar da economia brasileira em 2017?

Confira a análise completa com o comentarista Bruno Funchal no Economia e Você desta sexta-feira (06)

Publicado em 06 de Janeiro de 2017 às 12:25

Publicado em 

06 jan 2017 às 12:25
Os anos de 2015 e 2016 foram muito ruins para a economia e a política brasileira. Decisões equivocadas dos governos, em todas as esferas, levaram o país para a situação que estamos hoje de recessão, alto desemprego e redução de renda. Apesar da confusão política algumas ações vêm sendo tomadas para a correção de rota da nossa economia, como o foco sendo na geração de emprego.
Economia e Você - Bruno Funchal - 06-01-17
Em 2016 não foi visto nenhuma melhora na economia real, apesar dos preços dos ativos Brasileiros terem se valorizado bastante ao longo do ano, principalmente os títulos públicos e as ações das empresas brasileiras. Mas o que esperar da economia real para 2017?
Começando pelo crescimento da economia brasileira, a expectativa mediana para 2017 é de um crescimento tímido de 0,5%, com uma recuperação mais forte apenas em 2018 (2,3%). Esse crescimento vai ser puxado em sua maior parte pelo setor agrícola, com crescimento estimado em 3,37%. O maior problema é que o setor agrícola representa apenas uma pequena parte da economia brasileira. O setor de maior peso é o setor de serviços, que tem um crescimento esperado de 0%. Esse resultado do setor de serviços puxa o crescimento brasileiro para baixo em 2017. O lado bom é a volta de um crescimento positivo depois de 2 anos de recessão aguda.
É importante observar que 0,5% é a expectativa. O resultado pode ser muito diferente desse dependendo dos eventos que irão ocorrer ao longo do ano como a reforma da previdência, trabalhista, etc.
Se por um lado o resultado de crescimento deixa a desejar, a inflação está voltando para o centro da meta. Para 2017 a expectativa é de que seja 4,87% em 2017 e 4,5% para 2018. Esse resultado é bom para nós consumidores pois em período de renda baixa, inflação baixa que defende o poder de compra dos consumidores é fundamental. Como consequência da inflação baixa, abre-se uma janela para mais reduções nas taxas de juros. A expectativa é que fechemos o ano de 2017 com taxa de juros SELIC em 10,25% e 2018 em 9,75%. Essa tendência de redução de juros na economia é positiva tanto para pessoas que podem tomar crédito a custos mais baixos, quanto para as empresas viabilizando mais investimentos.
A expectativa em relação a taxa de cambio é que fique relativamente estável em torno dos 3,50. Essa taxa de cambio ainda beneficia nossa balança comercial, sendo esperado um superávit de 46 bilhões de dólares. Esse número ainda pode ser muito influenciado principalmente por 3 motivos: a nova politica externa brasileira de maior abertura, efeito Trump com a redução na relação comercial com o Mexico e o Brexit.
Por último, mas não menor importante temos o resultado fiscal. O ano de 2016 foi fortemente marcado pelo debate fiscal no brasil, a partir da PEC do teto dos gastos. O grande efeito da PEC é a maior previsibilidade em relação ao comportamento do crescimento do gastos e da dívida, mas sem muito efeito de curto prazo no déficit per se. Em 2017 espera-se um déficit primário de 2,2% do PIB. Como projetamos um crescimento de 0,5% da economia, em 2018 esse déficit deve cair para 1.7% do PIB. Esse resultado ainda é muito ruim mas deve seguir uma tendência de queda a medida que o crescimento brasileiro volte.
É importante ressaltar que todas essas projeções são feitas a partir das informações que temos hoje, e em um país onde cada dia novas notícias bombásticas surgem o que vamos ver de fato em 2017 pode ser diferente, principalmente se as reformas relevantes não forem aprovadas.
Fonte: Bruno Funchal/ Doutor em Economia

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