Como mais uma arma para ajudar na recuperação da economia, o governo vem estruturando uma injeção de recursos na economia via saques das contas inativas do FGTS. Do total de recurso disponível para saque, algo em torno de R$ 43 bilhões, o governo espera que entre R$ 30 bilhões a R$ 35 bilhões sejam sacados pelos 30 milhões de trabalhadores, representando uma injeção de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na economia.
Segundo o governo essa medida terá impacto positivo para a retomada da economia pois contribui na redução do endividamento permite que as famílias voltem para suas atividades normais de consumo. De acordo com a nova regra, estabelecida pela MP 763 trabalhadores com carteira assinada que pediram demissão até o dia 31 de dezembro de 2015 podem sacar seus recursos dessas contas inativas. Mas a retirada desses recursos ainda depende do calendário divulgado pelo governo indo até p dia 31 de julho.
Economia e Você - Bruno Funchal - 17-02-17
A medida é boa no sentido de que permite que as pessoas usem sua poupança (compulsória) que tem uma rentabilidade baixíssima de uma forma mais adequada, como o pagamento de dívidas (muito mais caras do que o que se recebe de rentabilidade do FGTS), consumindo ou até mesmo investindo e recebendo mais de juros do que é pago pelo FGTS. Assim, do ponto de vista do trabalhador só traz ganhos.
Para a economia os benefícios são principalmente em termos de redução do endividamento das famílias que vem sendo um grande problema principalmente por conta das altas taxas de juros e do maior desemprego. A taxa de inadimplência ainda é alta, ficando em torno de 40% da população brasileira adulta (acima de 18 anos) de acordo com Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Assim, dada a alta inadimplência imagina-se que a maior parte dos recursos será destinada para pagar dívidas. Esse destino tem um impacto indireto sobre o consumo, uma vez que a redução de dívida pode trazer o consumo de volta mais rádio. Para consumo das famílias, estima-se algo em torno de 30% do montante resgatado, sem contar aqueles que não tem dívidas nem querem consumir vão investir o recurso.
Pelo lado das pessoas a pergunta que fica é: o que fazer com esse recurso. A resposta varia de pessoa para pessoa, dependendo da condição de cada um, se possui ou não dívida, se tem necessidade de consumir algo essencial etc.
Para aqueles que tem dívidas, o mais importante é pagá-las, da mais cara para a mais barata. Mas esse pagamento, se for feito de forma negociada e planejada, pode trazer bons frutos. Assim, antes de saldar a dívida é importante conversar com o credor e negociar o pagamento, fazendo um planejamento de como será paga a dívida. Os credores estão dispostos a negociar. Assim, a redução do endividamento pode ser ainda maior e mais estruturada do que simplesmente pegar todo o dinheiro sacado e pagar a dívida mais cara.
Para aqueles que não tem dívida, podem usar para consumo ou podem investir, deixando o recurso para uma situação de emergência. Nesse caso os melhores investimentos são aqueles de boa liquidez, e que rendem bem mais do que o FGTS, como os títulos do tesouro e os CDBs dos bancos. Para se ter um exemplo os títulos públicos do Tesouro Direto (Tesouro Selic por exemplo) rendem hoje 13% ao ano, 11% depois dos impostos aproximadamente. Isso é muito acima do rendimento da poupança e do FGTS.
Assim, o pior negócio é não fazer o saque. Isso sim é perder oportunidade e dinheiro.
Fonte: Bruno Funchal/ Doutor em Economia