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ECONOMIA E VOCÊ

Começamos o ano com o "pé direito"? Desaceleração da inflação e queda dos juros

Confira o comentário de Bruno Funchal no Economia e Você nesta sexta-feira (13)

Publicado em 13 de Janeiro de 2017 às 12:44

Publicado em 

13 jan 2017 às 12:44
Começamos o ano de 2017 com uma boa notícia, o monstro da inflação está desaparecendo e a cada número que é divulgado percebemos que está caminhando para a tão sonhada meta, meta esta que não vemos ser cumprida há muitos anos.
O IBGE divulgou nesta quarta-feira o IPCA. A medida de inflação oficial do país ficou em 0,3% em dezembro, o menor para o mês desde 2008, com isso, o indicador fechou o ano de 2016 em 6,29%, a menor inflação desde 2013.
Economia e Você - Bruno Funchal - 13-01-17
Em 2015, o índice havia avançado 10,67%. No início do ano e com a mudança da equipe do banco central a expectativa era de que a inflação ficasse em torno dos 7%, que já seria um bom resultado, dado a catástrofe de 2015. A estimativa mais recente dos economistas do mercado financeiro apontava que o IPCA chegaria no final de 2016 a 6,35%, segundo o boletim Focus, do BC. Mesmo assim o fechamento do ano nos mostrou que a inflação está cedendo a uma velocidade mais rápida que esperávamos.
Isso acontece principalmente por dois motivos. Primeiro, a política monetária austera conduzida pelo Banco Central e, segundo, pelo ambiente econômico recessivo que nos encontramos. Com um resultado melhor que as expectativas para 2016, temos bons indícios de que teremos inflação próxima ao centro da meta em 2017. Para esse ano espera-se algo em torno de 4,8% e para 2018 4,5%. Essa é a primeira boa notícia para os consumidores, afinal inflação baixa defende nosso poder de compra, essencial em períodos de redução de renda como temos hoje.
Diferente do passado recente, o Banco Central vem fazendo seu papel que é perseguir a meta de inflação, e para isso precisou elevar as taxas de juros. Com a melhora na expectativa de inflação começa a abrir espaços para uma redução mais agressiva e contínua das taxas de juros (SELIC), que é o que devemos observar daqui para frente.
Assim, na própria quarta-feira, dia de reunião do COPOM, o comitê de política monetária decidiu por unanimidade (e sem viés) a redução de 0,75% da taxa de juros básica da economia, para 13% ao ano. Essa redução marca uma aceleração no ritmo de corte que até então vinha sendo feito em doses de 0,25% (duas vezes). A redução acima do esperado pelo mercado foi justificada pela melhora nas expectativas de inflação e um ritmo de atividade econômica ainda pior do que o já esperado. Essa decisão contrariou o consenso de que a aceleração seria para 0,5 ponto. O jornal Valor Econômico fez uma pesquisa com 38 economistas e mostrou 33 deles esperando redução de 0,5 ponto e cinco projetando corte de 0,75 ponto. O próprio BC já tinha dito que avaliava a possibilidade de intensificar o ritmo de corte em função do fraco desempenho da economia e do impacto disso sob a inflação.
Não sabemos até que ponto essa maior redução tem o foco de preservar capital político, pois medidas mais lentas tendem a gerar contestações acerca da equipe, como aconteceu no final do ano passado com a contestação do Meirelles e do Ilan por conta da lentidão da economia. Não acredito que esse 0,25% adicional vai fazer toda essa diferença na economia nem na inflação, mas pode preservar o grupo, ponto essencial para continuar conduzindo o Banco ao longo de 2017.
Ao que tudo indica essa tendência de redução de juros irá continuar ao longo do ano, com expectativa de chegarmos em dezembro com uma taxa em torno dos 10% ao ano. É importante lembrar que as medidas fiscais também contribuem para o ritmo de queda dos juros, e assim como a votação da reforma da previdência.
A continuar assim, devemos começar a sentir, mesmo que lentamente impactos positivos na economia, e o melhor, com preços controlados que mantem o poder de compra da renda do consumidor. Com corte de juros o custo do crédito cai, favorecendo consumo das famílias e investimento das empresas, contribuindo para a melhora da atividade econômica.
Fonte: Bruno Funchal/ Doutor em Economia

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