Nessa semana, a CNI divulgou seu ranking de competitividade que compara 18 economias. Esse ranking tem como dimensões de análise: custo e disponibilidade de capital e de mão-de-obra, infraestrutura, impostos, ambiente macroeconômico e de negócios, educação e tecnologia da informação. Esta é a quinta edição do relatório, publicado pela primeira vez em 2010.
Economia e Você - Bruno Funchal - 20-01-17
Considerando todos os fatores, o Brasil ocupa o penúltimo lugar na classificação geral de competitividade, à frente somente da Argentina e atrás de países como Peru, Colômbia e Chile. Este último está em sexto lugar, um dos mais competitivos do grupo de países analisados. Entre os nove fatores, apenas em quatro – Disponibilidade e custo de mão de obra, escala no mercado doméstico, Educação e Tecnologia e inovação – o país não se encontra no terço inferior do ranking. Nesses fatores, o Brasil situa-se no terço intermediário.
O fator cujo Brasil aparece em melhor posição é Educação (9ª) e a pior posição em Disponibilidade e custo de capital, em último lugar. O resultado em Educação deve-se variável Gastos com educação (4ª), no Brasil gasta-se muito se comparado com outros países, apesar de não termos um desempenho tão bom assim. Tanto é que nas demais dimensões associadas ao fator – como a qualidade da educação – o país se encontra no terço inferior do ranking. Em Disponibilidade e custo de capital, o país aparece em último lugar com a mais alta taxa de juros real de curto prazo e o maior spread da taxa de juros.
O país também ficou mal posicionado em ambiente de negócios e ambiente macroeconômico: em ambos os quesitos ficou em penúltimo lugar, outra vez à frente apenas da Argentina. De acordo com a CNI, os fatores que influenciaram na baixa posição em ambiente macroeconômico foram inflação, dívida bruta e carga de juros elevadas e baixa taxa de investimento. No quesito ambiente de negócios, o país é puxado para baixo por conta da burocracia e das relações trabalhistas, eficiência do estado e segurança jurídica.
O primeiro lugar na classificação geral da pesquisa é ocupado pelo Canadá, seguido pela Coreia do Sul, Austrália, China, Espanha e Chile. Entre os fatores pesquisados, o Canadá só não figura nos primeiros lugares nos quesitos disponibilidade e custo de mão de obra e ambiente macroeconômico.
Pesquisas como essa são relevantes para identificar os principais problemas e escolher quais e como ataca-los. O lado bom é que de todas as dimensões apontadas como falhas, existem discussão para melhora como a eficiência do estado (pela PEC 55), redução de burocracia, reformas trabalhistas, etc. O diagnóstico está sendo bem feito, e alinhado com nossas necessidades, nos resta trabalhar para melhorar e subir na competitividade por só a competitividade faz o Brasil ser mais atrativo para novos negócios, fundamental para a volta da geração de empregos e do crescimento econômico.
Fonte: Bruno Funchal/ Doutor em Economia