O IPCA, índice de inflação oficial ao consumidor medido pelo IBGE, passou de 0,22% em agosto para 0,54% em setembro, de acordo a divulgação feita esta semana pelo instituto. No ano, a inflação acumulada está em 7,64%, o mais elevado para o período desde 2003, quando atingiu 8,05%. Já no acumulado nos últimos 12 meses, avanço é de 9,49%.
Economia e Você - Bruno Funchal - 09-10-15
Para o mês de setembro, o que mais pesou no bolso do consumidor brasileiro foi o aumento de 12,98% no preço do botijão de gás. O impacto poderia ter sido ainda maior se as distribuidoras tivessem aplicado o percentual máximo permitido pela Petrobras, de 15%. De janeiro a setembro, a alta do produto é de 17,56%.
Influenciado pelo aumento do gás, os preços relativos a habitação registraram a taxa mais alta entre os grupos analisados pelo IBGE, de 1,30%, após chegar a 0,29% em agosto. O custo de água e esgoto também influenciou o resultado, com avanço de 1,48% em algumas cidades, dentre elas na região metropolitana de Vitória.
Além do gás de cozinha ter puxado o avanço geral de preços, as tarifas de ônibus (2,59%) e as passagens aéreas (23,13%) também pesaram sobre o IPCA, levando o grupo de transportes a subir 0,71%, depois de ter recuado 0,27% em agosto.
Os alimentos também voltaram a subir em setembro, depois de terem recuado no mês anterior, chegando a uma alta de 0,24%. O que ficou mais caro foram os alimentos consumidos fora de casa (0,77%). Os consumidos em casa ficaram praticamente iguais de um mês para o outro. O destaque fica para o preço do frango que registrou alta de 1,45% por conta do aumento na demanda em substituição da carne bovina.
Vale lembrar que a inflação de setembro ainda não reflete, por exemplo, o aumento nos preços dos combustíveis feito semana passada e tender a ter impacto no índice. Se não afeta no índice, afeta na expectativa de mercado para o índice. Inflação alta para esse ano já está na expectativa de todos nós. Porém uma coisa que vem preocupando são os reajustes nas expectativas de mercado.
Apenas no ultimo mês, desde o inicio de setembro até o início de dezembro a expectativa média de Mercado tem sido revisada para cima de forma sistemática. Só para termos uma ideia, em 01 de setembro a expectativa de IPCA para 2015 e 2016 era de 9,3% e 5,5% respectivamente. Em 01 de outubro, um mês depois, os numeros foram revisados para 9,55% e 6%, mostrando uma maior dificuldade em controlar os preços mesmo com a atual politica de juros elevados.
Se confirmada a estimativa, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando somou 12,53%