Dados referentes ao fechamento do mês de agosto pela PNAD Contínua mostram que a taxa de desemprego ficou em 8,7. É a maior taxa da série, iniciada em 2012. No trimestre anterior, de março a maio, o índice havia atingido 8,1%, enquanto que o mesmo trimestre do ano passado apresentava uma taxa de desemprego de 6,9%.
Assim, população desocupada cresceu 7,9% em relação ao trimestre de março a maio e chegou a 8,8 milhões de pessoas. Já em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o aumento foi ainda maior, de 29,6%.
Confira a opinião do comentarista Bruno Funchal no Economia e Você desta sexta-feira (30).
Economia e Você - Bruno Funchal - 30-10-15
AS FONTES DO AUMENTO
A população ocupada ficou estável tanto na comparação com o trimestre anterior quanto ao mesmo trimestre de 2014. O número de empregados com carteira assinada caiu 1,2% sobre o período de março a maior e 3% diante do período de junho a agosto de 2014.
Com a economia em recessão e com a queda da renda média no setor privado, está havendo uma procura maior por trabalho. A taxa de participação no mercado está maior. Há uma maior procura por trabalho de jovens que postergavam sua entrada no mercado, menos tempo de seguro desemprego, assim, juntamente com o fraco ritmo da economia, mercado não gera vagas suficiente e não absorve essa população. Em comparação com o ano passado foi verificado um aumento de 1,2 milhão de pessoas a mais procurando emprego, aumento de 2,2%.
Dessa massa de pessoas entrantes no mercado, menos de 200 mil encontraram emprego, aumentando a parcela da taxa de desempregados. Em todo trimestre, haviam 8.8 milhões de pessoas desempregadas em todo país.
QUALIDADE DO EMPREGO
Outro destaque é que a qualidade do emprego esta piorando. O mercado teve queda de mais de um milhão de empregos com carteira assinada em um ano, isso é perda de estabilidade. Acaba gerando busca por estabilidade, o que faz com que pessoas sigam para mercado de trabalho que não está contratando, pelo contrário. A ocupação na indústria geral caiu 1,7%,
ou seja, 223 mil pessoas a menos em relação ao trimestre de março a maio deste ano. O recuo foi ainda mais pesado se os dados forem comparados com o trimestre de junho a agosto do ano passado, com o setor industrial mostrando baixas de 3,5% e o de construção, de 2,9%.
A carteira de trabalho reduz fortemente. Quando uma pessoa perde emprego com carteira, isso leva com que no domicílio a pessoa [que antes não estava procurando emprego] procure compor a estabilidade perdida. Como o mercado não está contratando, há uma pressão forte, e essa pressão faz com que esse crescimento expressivo, de ter um aumento nunca antes visto na série histórica da pesquisa. A queda do emprego com carteira assinada e o crescimento do emprego por conta própria são os maiores já observados na série.
Impacto no Rendimento
O rendimento médio real dos trabalhadores chegou a R$ 1.882 no trimestre, indicando uma queda de 1,1% em relação ao trimestre de março a maio. Frente ao mesmo trimestre de 2014, não houve variação.
Os trabalhadores domésticos foram os que mais sofreram redução em seus rendimentos, 2,7%, seguidos pelos empregados no setor privado com carteira de trabalho, 1,8%. No geral a queda é menor pois houve aumentos no setor público.
Nível de ocupação
O nível de ocupação caiu, no ano, de 56,7% para 56%. De acordo com o coordenador, esse recuo é preocupante. “Preocupa por conta de que você teve um mercado com percentual pelo menos igual e ele [agora] está menor [o nível da ocupação, que é comparação da população ocupada e da população em idade para trabalhar]. Ou seja, a população está crescendo, e a população ocupada não cresce na mesma proporção.”
Pnad X PME
Na Pnad, são investigados 3.464 municípios e aproximadamente 210 mil domicílios em um trimestre. A taxa de desemprego calculada pela Pnad Contínua também é superior à registrada pela PME, que apontou desocupação de 7,5% em julho, e de 7,03% na média dos meses de maio a julho. A PME calcula o desemprego considerando apenas seis regiões metropolitanas, e são visitadas 45 mil residências.