Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Crônica

Com arara e sem parque

Nossa primeira troca de olhares não foi animadora. Ela gritou com força e me fez ficar preocupado com a possibilidade de ter sido criada uma antipatia definitiva

Publicado em 08 de Março de 2018 às 17:18

Públicado em 

08 mar 2018 às 17:18
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu Alvaro Abreu
Amora chegou no começo da noite de sexta-feira. Fomos em comitiva apanhá-la no setor de cargas do aeroporto. Estava estressadíssima dentro de uma pequena caixa de madeira comprida, onde passou muitas horas vendo um mundo totalmente estranho, através de uma tela de arame. Nossa primeira troca de olhares não foi nada animadora. Ela gritou com força e me fez ficar preocupado com a possibilidade de ter sido criada uma antipatia definitiva.
Vi que compensa esperar um filhote de arara por alguns meses, mas começo a acreditar que foi totalmente em vão esperar 26 anos pelo Parque Tecnológico de Vitória
Em casa, achei por bem deixá-la ficar diante da gaiola com as quatro calopsitas de Manu. Pelo silêncio, acho que percebeu que estava em ambiente familiar, mas não quis sair da caixa enquanto estivemos por perto. O criador nos disse que ela poderia ficar dois dias sem querer comer ou beber.
Passei o sábado por conta dela, tentando provar ser pessoa confiável. Para tanto, lancei mão de uma varinha de bambu e lasquei uma das extremidades em muitas varetas, algo bastante atraente para quem gosta de bicar o que esteja por perto. Antes mesmo de ter gasto toda a sua raiva atacando a varinha, mergulhei a ponta na água e ofereci pra ela. Deu gosto vê-la bebendo as duas primeiras gotas. Passei um bom tempo repetindo a operação com movimentos suaves até que matasse a sede. Em seguida, prendi um pedacinho de mamão entre as lascas e estendi pra ela que, depois de vencer o que restava de desconfiança, recolheu a comida com a parte superior do bico e comeu com esganação. O fato é que, de gota em gota, e de pedaço em pedaço, ela foi enchendo o papo amarelo e abrindo o coração, a ponto de deixar que eu usasse a tal varinha para dar as primeiras coçadas na cabeça dela. Se arara sorrisse, Amora teria sorrido pra mim. Tranquila a bordo do seu poleiro móvel, tomou um bom banho de mangueira e passou o resto do dia prestando atenção na conversa de adultos animadíssimos, comendo jabuticabas tiradas do pé, servidas na ponta dos dedos.
Vi que compensa esperar um filhote de arara por alguns meses, mas começo a acreditar que foi totalmente em vão esperar 26 anos pelo Parque Tecnológico de Vitória.
*O autor é engenheiro de produção, cronista e colhereiro
 

Alvaro Abreu

Alvaro Abreu Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Nome de Camillo Neves, candidato a vice-governador, não consta em trecho da propaganda eleitoral de Ricardo Ferraço.
Justiça Eleitoral libera propaganda de Ricardo Ferraço sem nome de vice na TV
Luiz Neiva Da Silva na WSL de Guarapari
WSL de Guarapari: três capixabas brilham no 1º dia e avançam no QS 4000
Ministro do STF André Mendonça
Igreja cita cortes fora de contexto e exclui vídeos de pregação de Mendonça

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados