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Angelo Passos

Com 573 mil toneladas, ES bate novo recorde na exportação de café

Espírito Santo exportou em julho o maior volume mensal de café conilon de sua história: 573,7 mil sacas

Publicado em 15 de Agosto de 2019 às 16:57

Publicado em 

15 ago 2019 às 16:57
Exportação de café conilon bate recorde no ES Crédito: Amarildo
O Espírito Santo exportou em julho o maior volume mensal de café conilon de sua história: 573.717 sacas. O recorde anterior era de 546.769 sacas alcançado há 28 anos, em agosto de 1991. Esse tipo de commodity – grande especialidade do nosso solo – respondeu por 81,8% do total exportado pelo Estado no mês passado: 701.075 sacas, somando arábica, conilon e solúvel.
Em 2019, deve sair do Espírito Santo para o exterior um volume próximo a 4 milhões de sacas de conilon, segundo previsão do Centro de Comércio de Café de Vitória. É muita coisa. Neste ano, de janeiro a julho, foram exportadas 2,2 milhões de sacas. Em 2017, sob os reflexos da estiagem, seguiram apenas 270 mil sacas de conilon.
É para comemorar? Nem tanto. A quantidade é exuberante, mas o retorno financeiro, não. Os preços do café (conilon e arábica) desabaram justamente em função do excesso de oferta no Brasil e demais países produtores.
Conforme é feita a produção, o valor que o mercado paga pelo café deixa apenas lucro ínfimo para quem investiu na lavoura. Ou, não cobre nem os custos para produzir – sempre crescentes. A consequência é nefasta a médio prazo. A descapitalização leva o produtor a restringir tratos à lavoura. A renovação é precária. A qualidade do produto cai, e há perda no peso. Isso é lesivo também para a indústria e para o exportador.
Nas vendas para o exterior, o dólar nas alturas (não se sabe até quando) está adoçando lucros. Há também o ganho de escala decorrente do grande volume embarcado. Em contrapartida, o preço deprimido do café reduz a base da remuneração do exportador pelo serviço de preparo do produto para embarcar.
Mesmo com os preços baixos, a estimativa da Conab é de que em 2019 as colheitas do conilon e do arábica no Espírito Santo renderão R$ 3,76 bilhões aos produtores. Isso tem reflexo muito importante, durante alguns meses, no comércio interiorano e nas prefeituras de mais de 60 municípios que vivem à sombra dos cafezais.
Mas, não satisfaz os produtores. Os R$ 3,76 bilhões que começaram embolsar significam 18,6% menos do que R$ 4,61 bilhões obtidos com a safra em 2018. A queda é de R$ 860 milhões, um grande desestímulo ao plantio.
“O momento é muito delicado para todo o arranjo produtivo, principalmente para os produtores, diante de preços tão deprimidos e custos de produção crescendo”, avalia o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, Jorge Nicchio.

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