São inaceitáveis as condições precaríssimas de segurança nas principais rodovias no Espírito Santo. Dá medo viajar nelas. Viraram palcos de cenas dantescas, resultando perdas de vidas e sérios prejuízos à economia e à imagem do Estado.
Foram 3.986 acidentes, que deixaram 3.401 pessoas feridas, entre elas 890 gravemente, e provocaram 201 mortes. Números de guerra? Não, este é o balanço da Polícia Rodoviária Federal sobre as ocorrências registradas em 2017 nas rodovias federais em território capixaba. É um quadro incivilizado, que avançou para o horror.
Esses quase 4 mil acidentes custaram R$ 426 milhões à sociedade, segundo a PRF. O cálculo considera pessoas (despesas hospitalares, com remoção, e interrupção da produção pelo afastamento do trabalho), dispêndio das instituições com o atendimento, e danos patrimoniais. Importante sublinhar: a perda de uma vida não tem preço.
A insegurança nas estradas vem de falhas do poder público associadas a irresponsabilidade ou imperícia de motoristas. Muitas tragédias decorrem do consumo de álcool, de desrespeito às leis de trânsito (excesso de velocidade, ultrapassagem proibida etc) e do uso de veículos de alto risco, pelas más condições.
O Estado decepciona em vários aspectos: pela legislação de baixo poder de inibição a infrações, pela fiscalização insuficiente e pelas estradas que viraram armadilhas mortais - sinalização ruim, falta de duplicação e conservação precária. A pressão da sociedade tem de continuar.