Partido do presidente Bolsonaro, o PSL elegeu a 2ª maior bancada na Câmara dos Deputados. Passada a euforia eleitoral, a realidade da atividade parlamentar tem trazido à tona a falta de coesão dessa bancada. Não chega a surpreender, dadas as circunstâncias em que ela se formou. Em comum, seus representantes apoiaram o projeto bolsonarista. De agentes de segurança a youtubers, muitos deles – em sua grande maioria, principiantes – conseguiram chegar à Câmara na esteira da eleição presidencial, tão somente por terem se filiado ao partido de Bolsonaro e por terem o 17 no número. Mas falta ao PSL programa, história e identidade política consistente, que pudessem dar coesão a essa bancada de neófitos. O resultado, na Câmara, tem sido o Partido do Samba Louco.
Na Assembleia, o PSL também foi bem, tendo feito a maior bancada, com quatro dos 30 deputados estaduais. Mas também ali, embora em menor escala, a bancada do partido não tem mostrado até agora uma atuação que realmente possa ser chamada de coesa. Na verdade, o início da legislatura tem servido mais para expor diferenças entre os membros da bancada do que pontos de contato.
Refiro-me particularmente aos dois representantes do oficialato da PMES eleitos pelo PSL: Capitão Assumção e Coronel Alexandre Quintino. Pela origem em comum (ambos inclusive são acusados de incitamento e aliciação na greve de 2017), chegou-se a imaginar que eles teriam uma atuação casada. Mas não tem sido bem assim. A discussão em torno de mudanças na forma de promoção de praças e oficiais tem deixado as diferenças entre ambos ainda mais evidentes.
Assumção e Quintino formularam contrapropostas à minuta dos projetos em gestação no governo Casagrande. Mas os dois não estão exatamente falando a mesma língua. Em entrevista à coluna, publicada na segunda-feira, Quintino disse que o objetivo é promover uma convergência com as propostas que vierem do governo. Assumção, por sua vez, admite que o colega é “mais contemplativo” e não se mostra nem um pouco amigável ao novo Comando-Geral da PMES.
Quintino é mais ligado a Casagrande e muito mais conciliador. Assumção tem perfil mais radical, inclusive em relação a essa matéria. Diz que os projetos do governo sobre promoções são “ilegítimos” porque nasceram de uma “comissão clandestina” formada junto ao Comando-Geral da PMES. E acha muito difícil que haja uma convergência entre as propostas do governo e as dos deputados do PSL. “O projeto deles é um sistema iOS, um sistema com código fechado. O nosso é um Android, no qual você pode mexer.”
Como publicamos na terça, o Comando-Geral da PMES informou que os projetos foram elaborados a partir de uma comissão formada por 17 oficiais, que começaram a realizar estudos em outubro de 2018. Segundo o Comando-Geral, o processo foi marcado pela transparência desde o início. Assumção, por sua vez, dá a entender que nenhum projeto que venha do governo sobre promoções contará com seu apoio, seja qual for o mérito, pois ele considera que o projeto nasceu contaminado pela gestão Nylton Rodrigues/Alexandre Ramalho (seus inimigos na PMES), logo, na sua visão, com uma espécie de “vício de origem”.
Em resumo: nem os deputados estaduais do PSL estão se entendendo bem.
VEREADOR NO GOVERNO
O vereador de Vila Velha Ricardo Chiabai (PPS) foi nomeado para o cargo de subsecretário estadual de Mobilidade Urbana, vinculado à Secretaria dos Transportes e Obras Públicas. O suplente dele na Câmara de Vila Velha é João Artem (PSB), vereador de muitos mandatos e ex-articulador do prefeito Max Filho (PSDB) na Casa.
FALA QUE EU TE ESCUTO
A ex-chefe da Polícia Civil Gracimeri Gaviorno foi nomeada como nova ouvidora-geral do Estado, cargo vinculado à Secretaria de Segurança. Ela é irmã do atual comandante-geral da PMES, o coronel Moacir Barreto.
BAIXAS PRP
Após 15 anos no PRP, o deputado estadual Dary Pagung desfiliou-se ontem, oficialmente, do partido, com entrega do ofício de desfiliação à Executiva municipal e à Justiça Eleitoral. O mesmo fez o outro deputado estadual eleito pelo PRP, Lorenzo Pazolini. Dary era o presidente estadual da legenda.
COMBINOU COM HUDSON?
O 1º secretário estadual do PRB, Toninho Magalhães, aliado de longa data de Rodney Miranda (PRB), afirma que o ex-prefeito de Vila Velha tem interesse em se lançar novamente à prefeitura em 2020. A questão é que Rodney, atual secretário de Segurança de Goiás, terá que se entender com Hudson Leal. Também filiado ao PRB, o deputado já disse à coluna que só não será candidato a prefeito de Vila Velha em 2020 “se Deus não quiser” e que, mesmo que tenha só 1% de intenções de voto, vai para a disputa. Assim, das duas, uma: ou um deles troca de sigla ou os dois vão brigar internamente pela legenda.