Afinal, por que o coronel Nylton Rodrigues “pediu para sair” do cargo de secretário de Defesa Social da Serra? É o que todo o mundo político capixaba se pergunta desde que a notícia veio à tona, na última terça-feira. Com absoluta convicção, o que podemos afirmar é que Nylton não pediu para sair do cargo por “motivos familiares”, tampouco “para se dedicar mais à leitura”, como alegou.
Há uma hipótese forte circulando nos bastidores: a de que Nylton brigou com Audifax de modo irreparável na penúltima sexta-feira (17), o que culminou com a decisão do prefeito de exonerá-lo. A questão é: por que brigaram? Aliás, por que brigaram se, semanas antes, o prefeito emitia sinais de que era ele, Nylton, sua principal aposta para sucedê-lo à frente da prefeitura em 2020?
Conversando com fontes ligadas ao governo Casagrande, aos protagonistas do litígio e à política serrana, a coluna reuniu algumas especulações. A primeira é que Nylton desagradou ao governo Casagrande precisamente em um momento no qual Audifax precisa com urgência restabelecer uma boa relação administrativa e política com o Palácio Anchieta. Assim, contrariou o prefeito.
Audifax teria se irritado com a entrevista concedida por Nylton ao ES1 na sexta-feira da semana passada, na qual o então secretário fez críticas ao governo estadual. O prefeito não teria sido informado previamente sobre a entrevista, feita dentro de um ônibus. Respondendo a uma pergunta da repórter sobre o anúncio do governo Casagrande de rede Wi-Fi em alguns coletivos, Nylton opinou que a medida é equivocada, por aumentar o risco de roubo de celulares dos passageiros. Após a entrevista, prefeito e secretário teriam se desentendido.
Outra especulação veiculada no mercado é que, na verdade, um novo pacto político já teria sido fechado entre Audifax e Casagrande de modo sigiloso. Segundo essa versão, a enigmática exoneração de Nylton teria sido “a pedido” não do próprio (conforme versão oficial), mas do governador. Isso em virtude da ligação indissolúvel do secretário com o ex-governador Paulo Hartung, inimigo nº 1 de Casagrande – no governo passado, Nylton foi comandante-geral da PMES e secretário estadual de Segurança Pública. A cabeça dele, assim, teria sido condição de Casagrande para ajudar Audifax na Serra, um “sacrifício”, ou “oferenda”, como prova do compromisso político do prefeito.
Por essa linha especulativa, a próxima exoneração seria a do secretário de Desenvolvimento Econômico da Serra, José Eduardo Azevedo, também membro do secretariado na última administração hartunguista (na pasta de Desenvolvimento). Procurado pela coluna, Azevedo negou enfaticamente a mínima chance de estar de saída: “Não há nada disso”, repetiu ele várias vezes em uma ligação de 1 minuto.
Por sua vez, Casagrande nega peremptoriamente ter tido qualquer conversa de teor político com o prefeito. Um aliado íntimo do governador foi categórico: “Não! De modo algum. Renato não faz isso, nem com os amigos nem com os inimigos. Ele não age assim”. No mínimo, a hipótese contraria o discurso oficial de Casagrande, mantido desde os primórdios da campanha de 2018, de que “não perderá um segundo perseguindo adversários”.