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Vitor Vogas

Os favorecidos por Musso

Confira a coluna Vitor Vogas deste sábado (9)

Publicado em 09 de Fevereiro de 2019 às 00:24

Públicado em 

09 fev 2019 às 00:24
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Charge Crédito: Arabson
Erick Musso (PRB); Marcelo Santos (PDT), Enivaldo dos Anjos (PSD), Euclério Sampaio (DC) e Hércules Silveira (MDB); Hudson Leal (PRB), Janete de Sá (PMN) e José Esmeraldo (MDB); Marcos Mansur (PSDB), Rafael Favatto (Patriota) e Raquel Lessa (PROS).
Eis a escalação completa do time de onze deputados reeleitos, capitaneados pelo presidente Erick Musso, que se formou na Assembleia Legislativa. São eles que hoje concentram a maior influência na Casa. Esse poderio se reflete na partilha tanto das comissões como dos cargos em comissão.
Os outros dez deputados que formam esse “clube dos 11” mostraram lealdade a Erick Musso no processo de eleição da Mesa Diretora, que culminou com a reeleição do presidente. Foram os primeiros a embarcar no projeto de reeleição de Musso. Como recompensa, têm recebido do presidente o mesmo tratamento “leal”. Com a ajuda de Marcelo Santos (PDT), Musso privilegiou seus aliados de primeira hora no preenchimento dos cargos estratégicos, à frente das comissões permanentes.
Num segundo momento das articulações visando à Mesa, dez dos deputados “novatos” – que não tinham mandato na Assembleia – também se juntaram ao movimento de reeleição de Musso, totalizando 20 apoiadores e garantindo-lhe a maioria em plenário. No fim, o presidente teve o apoio de 27 pares – só Majeski (PSB) e Theodorico (DEM) não fecharam com ele.
Mas note-se bem: os 20 que o apoiaram primeiro é que estão prestigiados por Musso. Mais ainda estão os 10 reeleitos que primeiro lhe deram sustentação. Sem exceção, todos os reeleitos que o apoiaram desde a primeira hora e que presidiam determinada comissão permaneceram na presidência do mesmo colegiado. Musso agiu diretamente, junto a Marcelo, para assegurar que assim fosse.
O novato Marcos Garcia (PV) chegou a disputar, nos bastidores, a presidência da Comissão de Agricultura com Janete de Sá, uma das primeiras aliadas do presidente. Janete levou a melhor, por intervenção direta de Musso. Hércules Silveira continuou à frente da Comissão de Saúde. Favatto seguiu na presidência da de Meio Ambiente e Marcelo Santos no comando da de Infraestrutura. Enivaldo virou presidente da de Cidadania. Hudson Leal conseguiu a colocação que queria: tornou-se o corregedor-geral.
Já na presidência da Comissão de Finanças – para muitos, a mais poderosa da Casa –, Dary Pagung (PRP) foi substituído por Euclério Sampaio. Dary apoiou prontamente a reeleição de Musso? Não. Euclério, sim. Simples assim. “Proteção de grupo”, define um deputado envolvido nas articulações da Mesa.
Falando em Mesa, Marcelo permaneceu na vice-presidência. Raquel desceu dois degraus, mas se manteve na nova formação: passou da 1ª secretaria para a 3ª. Já Enivaldo, antes 2º secretário, tornou-se líder do governo Casagrande.
O favorecimento dos 20 primeiros a aderir a Musso também se reflete na partilha de outro ativo cobiçado por deputados: a dos cargos comissionados vinculados à administração da Casa, de livre nomeação do presidente. Hoje, há em torno de 320 cargos do tipo. Nem todos entram no rateio, pois existe uma “reserva técnica” – servidores que não são movidos do lugar, para “a Casa não parar”. Musso, naturalmente, reserva para si uma cota maior. Já seus 20 apoiadores mais fiéis terão pelo menos cinco cargos cada um – totalizando mais de 100 cargos loteados. Aos demais? Nada.
“A política tem vencedores e vencidos”, traduz um deputado envolvido nessa negociação.
DUREZA PARA MARCELO
O timing da abertura da vaga do conselheiro Valci Ferreira no Tribunal de Contas do Estado não foi bom para Marcelo Santos. Isso por conta do “fator Durão”. Vale o mesmo raciocínio que levou Marcelo a desistir de assumir a Secretaria de Esportes: se ele deixar o mandato, Luiz Durão (PDT), acusado de estupro pelo MPES, é seu 1º suplente – logo, seu substituto. Deputados não tão inclinados a apoiar Marcelo já têm esse argumento na manga, pronto para ser usado. Tudo “em nome da imagem da Casa”.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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