O último levantamento da Quaest para a Rede Gazeta, na
véspera do 1º turno, oferece um conjunto de boas notícias para o ex-prefeito de
Vitória Lorenzo Pazolini (Rep) e seu comitê de campanha. Na quinta pesquisa da
série iniciada em abril sobre as eleições no Espírito Santo, o candidato do
Republicanos aparece pela primeira vez numericamente à frente do governador
Ricardo Ferraço (MDB). A rigor, ambos continuam tecnicamente empatados, quadro
já observado na pesquisa anterior, divulgada em 25 de setembro. Mas as posições
se inverteram.
Em 25 de setembro, Ricardo liderava com 33% das intenções estimuladas de voto, contra 31% de Pazolini. Agora, Pazolini lidera com 34%, ante 31% de Ricardo.
O candidato do PT, Helder Salomão (PT), estagnou: oscilou dentro da margem de
erro, caindo de 12% para 10%.
De um levantamento para o outro, no intervalo de pouco mais
de uma semana, Ricardo caiu 2 pontos percentuais (de 33% para 31%), enquanto Pazolini subiu 3 pontos (de 31% para 34%). Nessa combinação,
Pazolini ganhou 5 pontos; antes 2 pontos atrás, agora está 3 pontos à frente.
Como a margem de erro da pesquisa deste sábado é de 2 pontos
percentuais para mais ou para menos, a vantagem numérica de 3 pontos de
Pazolini configura empate técnico.
De todo modo, o filme, frame
a frame, é favorável ao
ex-prefeito de Vitória. De agosto para cá, ele vem crescendo regularmente a
cada nova pesquisa.
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Convertendo as intenções estimuladas em “votos válidos” (sem
brancos, nulos e indecisos), Pazolini, com base na Quaest da véspera, chega a 45%. No limite da margem de erro, está
tecnicamente empatado com Ricardo, que alcança 41%. Vale lembrar que, para vencer a disputa neste domingo (4), em
turno único, o candidato precisa atingir 50% dos votos válidos mais um.
Já na intenção de voto espontânea, o percentual de indecisos
ainda é muito alto: na semana passada, eram 61% indecisos; agora, são 53%.
Mas Pazolini cresceu bem também na espontânea, subindo fora da margem de erro,
de 16% para 23% das menções. Já Ricardo subiu dentro da margem de erro, de 14% para 16%.
Pazolini cresceu entre parte dos eleitores de Ricardo, ou
seja, tirou votos do governador, e entre parte dos que pretendiam votar em branco
ou nulo (queda de 11% para 6%) – até porque, curiosamente, o
percentual de indecisos subiu bem nesta última semana, passando de 11% para 18%.
Variação no cenário
de 2º turno
A simulação de segundo turno entre o governador e o
ex-prefeito prova que Pazolini conseguiu “virar” alguns votos do próprio e
Ricardo.
Em 25 de setembro, o governador vencia com vantagem de 5
pontos (dentro da margem de erro daquele levantamento, que foi de 3 pontos para
mais ou para menos): 43% para
Ricardo contra 38% de Pazolini.
Agora, os dois seguem tecnicamente empatados, mas as posições também se invertem: Pazolini venceria por 41%, ante 39% do emedebista.
O cruzamento de dados fornece uma série de sinais
reveladores, que nos ajudam a explicar o crescimento do ex-prefeito nos últimos
dias (ou, mais precisamente, onde ele cresceu).
Desde a rodada anterior, no dia 25 de setembro, Pazolini
cresceu em praticamente todas as faixas de todos os recortes (por sexo, idade, renda,
escolaridade, religião, cor e identificação política). Onde ele não cresceu, ficou
estável, oscilando dentro da margem de erro. Não perdeu terreno em nenhuma
categoria.
O candidato do Republicanos cresceu entre homens e,
principalmente, entre mulheres. Cresceu consideravelmente entre quem tem maior
renda média. Ampliou ainda mais sua vantagem entre eleitores de “direita não
bolsonarista”. Segue vencendo entre evangélicos, mas ganhou terreno também
entre católicos.
Todos os números a seguir dizem respeito à intenção estimulada
de voto.
Recorte por identificação
política
Entre lulistas, esquerda não lulista e bolsonaristas, houve pouca oscilação desde a pesquisa anterior. Ricardo segue vencendo entre lulistas e esquerda não lulista; Pazolini, entre bolsonaristas, em patamares quase iguais aos registrados no fim de setembro.
A diferença importante se deu entre eleitores independentes
e, destacadamente, entre eleitores de direita não bolsonarista (numerosos no
Espírito Santo). Isso é muito importante porque, segundo a Quest, “independentes”
correspondem a 29% dos
entrevistados; “direita não bolsonarista” são 22%. Juntos, esses dois grupos totalizam mais da metade dos
entrevistados: 51%.
Entre independentes, Ricardo segue ganhando. Mas a vantagem
do governador nesse grupo, que era de 15
pontos em setembro, é de apenas 5
pontos agora (o que configura empate técnico nesse segmento).
Já na direita não bolsonarista, Pazolini aumentou ainda mais
sua vantagem: no fim de agosto, tinha 15
pontos de frente sobre Ricardo; no fim de setembro, a vantagem do
ex-prefeito nesse estrato subiu para 27
pontos; agora, subiu para 34 pontos:
59% para Pazolini contra 25% de Ricardo.
Recorte por gênero
Pazolini cresceu entre homens e mulheres. Entre mulheres, subiu
4 pontos. Entre homens, subiu 3.
O ex-prefeito passou a ganhar numericamente de Ricardo entre
mulheres, por 32% a 30% (antes, Ricardo o vencia por 29% a 28%). Agora, no eleitorado
feminino, os dois estão tecnicamente empatados.
O ex-prefeito também superou Ricardo entre os homens: agora, vence por 37% a 32% (antes, Ricardo o vencia por 38% a 34%).
Recorte por faixa
etária
Na divisão por faixa etária, Pazolini subiu ou se manteve no
mesmo patamar em todas. Ricardo caiu bem entre os mais idosos (60 anos ou mais).
No fim de agosto, tinha 56% da preferência
dessa faixa etária; na semana passada, 43%;
agora, 34%.
Recorte por
escolaridade
Por escolaridade, Pazolini subiu em todas as faixas. Entre
eleitores com ensino médio ou ensino superior, o ex-prefeito já ganhava de
Ricardo, mas aumentou sua vantagem.
Ricardo ainda derrota Pazolini entre os eleitores com ensino
fundamental, mas a vantagem do governador caiu de 13 para 6 pontos: antes, 38%
a 25%; agora, 34% a 28%.
Eleitores que só têm o fundamental são quase metade do total
de entrevistados: 44%.
Recorte por renda
Entre eleitores que recebem até dois salários mínimos,
Ricardo ganhava com folga no fim de setembro (11 pontos de vantagem): agora, os
dois estão tecnicamente empatados. Entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos,
já estavam e continuam tecnicamente empatados.
A diferença se deu entre quem ganha mais de 5 salários
mínimos: nesse segmento mais “abonado”, Pazolini ampliou bem a sua vantagem, que
saltou de 3 para 17 pontos (35% a 32% em setembro; 45% a 28% agora).
Recorte por cor
No recorte por raça ou cor da pele, Pazolini ganhou terreno entre
brancos e pardos. Manteve-se com o mesmo índice entre pretos.
Recorte por religião
Entre evangélicos, o resultado oscilou pouco: Pazolini segue
à frente com 11 pontos de vantagem.
Entre católicos, o ex-prefeito cresceu. Em setembro, Ricardo
ganhava com 11 pontos de vantagem: 38% a
27%. Agora, o governador segue numericamente à frente, mas por apenas 3
pontos (empate técnico): 35% a 32%.
“Muito interessados
na eleição”
Por fim, outro dado bastante eloquente. Entre os eleitores capixabas,
o baixo ou nulo interesse pelo processo eleitoral ainda predomina. Dos 1.800
entrevistados, só 39% se dizem muito
interessados nas eleições. Outros 60%
se dizem pouco interessados (36%) ou
nada interessados (24%).
Mas, entre os que se declaram “muito interessados”, Pazolini
cresceu bastante: de 35% para 46%. Enquanto isso, Ricardo caiu: de 35% para 27%.
Ou seja, entre aqueles 39% que estão “muito interessados”, quase a metade diz que pretende votar em Pazolini. Uma semana atrás, ele e Ricardo empatavam nesse grupo. Agora, Pazolini tem vantagem de 19 pontos percentuais.
Dados do levantamento
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Quaest sobre o cenário
eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada nos dias
2 e 3 de outubro, com 1.800 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de
95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de
questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram
selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de
grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa
está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob
o protocolo ES-09011/2026.
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