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Vitor Vogas

O que explica o crescimento de Pazolini no fim do 1º turno na Quaest

Desde a rodada anterior da Quaest, no dia 25 de setembro, Pazolini cresceu em praticamente todas as faixas de todos os recortes (por sexo, idade, renda, escolaridade, religião, cor e identificação política). Onde ele não cresceu, ficou estável

Publicado em 03 de Outubro de 2026 às 19:35

Públicado em 

03 out 2026 às 19:35
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
No sentido da leitura: Lorenzo Pazolini, Ricardo Ferraço e Helder Salomão
No sentido da leitura: Lorenzo Pazolini, Ricardo Ferraço e Helder Salomão A Gazeta

O último levantamento da Quaest para a Rede Gazeta, na véspera do 1º turno, oferece um conjunto de boas notícias para o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Rep) e seu comitê de campanha. Na quinta pesquisa da série iniciada em abril sobre as eleições no Espírito Santo, o candidato do Republicanos aparece pela primeira vez numericamente à frente do governador Ricardo Ferraço (MDB). A rigor, ambos continuam tecnicamente empatados, quadro já observado na pesquisa anterior, divulgada em 25 de setembro. Mas as posições se inverteram.


Em 25 de setembro, Ricardo liderava com 33% das intenções estimuladas de voto, contra 31% de Pazolini. Agora, Pazolini lidera com 34%, ante 31% de Ricardo. O candidato do PT, Helder Salomão (PT), estagnou: oscilou dentro da margem de erro, caindo de 12% para 10%.


De um levantamento para o outro, no intervalo de pouco mais de uma semana, Ricardo caiu 2 pontos percentuais (de 33% para 31%), enquanto Pazolini subiu 3 pontos (de 31% para 34%). Nessa combinação, Pazolini ganhou 5 pontos; antes 2 pontos atrás, agora está 3 pontos à frente.


Como a margem de erro da pesquisa deste sábado é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, a vantagem numérica de 3 pontos de Pazolini configura empate técnico.


De todo modo, o filme, frame a frame, é favorável ao ex-prefeito de Vitória. De agosto para cá, ele vem crescendo regularmente a cada nova pesquisa.


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Convertendo as intenções estimuladas em “votos válidos” (sem brancos, nulos e indecisos), Pazolini, com base na Quaest da véspera, chega a 45%. No limite da margem de erro, está tecnicamente empatado com Ricardo, que alcança 41%. Vale lembrar que, para vencer a disputa neste domingo (4), em turno único, o candidato precisa atingir 50% dos votos válidos mais um.


Já na intenção de voto espontânea, o percentual de indecisos ainda é muito alto: na semana passada, eram 61% indecisos; agora, são 53%. Mas Pazolini cresceu bem também na espontânea, subindo fora da margem de erro, de 16% para 23% das menções. Já Ricardo subiu dentro da margem de erro, de 14% para 16%.


Pazolini cresceu entre parte dos eleitores de Ricardo, ou seja, tirou votos do governador, e entre parte dos que pretendiam votar em branco ou nulo (queda de 11% para 6%) – até porque, curiosamente, o percentual de indecisos subiu bem nesta última semana, passando de 11% para 18%.

Variação no cenário de 2º turno

A simulação de segundo turno entre o governador e o ex-prefeito prova que Pazolini conseguiu “virar” alguns votos do próprio e Ricardo.


Em 25 de setembro, o governador vencia com vantagem de 5 pontos (dentro da margem de erro daquele levantamento, que foi de 3 pontos para mais ou para menos): 43% para Ricardo contra 38% de Pazolini.


Agora, os dois seguem tecnicamente empatados, mas as posições também se invertem: Pazolini venceria por 41%, ante 39% do emedebista. 

Cruzamentos dos dados

O cruzamento de dados fornece uma série de sinais reveladores, que nos ajudam a explicar o crescimento do ex-prefeito nos últimos dias (ou, mais precisamente, onde ele cresceu).


Desde a rodada anterior, no dia 25 de setembro, Pazolini cresceu em praticamente todas as faixas de todos os recortes (por sexo, idade, renda, escolaridade, religião, cor e identificação política). Onde ele não cresceu, ficou estável, oscilando dentro da margem de erro. Não perdeu terreno em nenhuma categoria.


O candidato do Republicanos cresceu entre homens e, principalmente, entre mulheres. Cresceu consideravelmente entre quem tem maior renda média. Ampliou ainda mais sua vantagem entre eleitores de “direita não bolsonarista”. Segue vencendo entre evangélicos, mas ganhou terreno também entre católicos.


Todos os números a seguir dizem respeito à intenção estimulada de voto. 

Recorte por identificação política

Entre lulistas, esquerda não lulista e bolsonaristas, houve pouca oscilação desde a pesquisa anterior. Ricardo segue vencendo entre lulistas e esquerda não lulista; Pazolini, entre bolsonaristas, em patamares quase iguais aos registrados no fim de setembro. 

 

A diferença importante se deu entre eleitores independentes e, destacadamente, entre eleitores de direita não bolsonarista (numerosos no Espírito Santo). Isso é muito importante porque, segundo a Quest, “independentes” correspondem a 29% dos entrevistados; “direita não bolsonarista” são 22%. Juntos, esses dois grupos totalizam mais da metade dos entrevistados: 51%.


Entre independentes, Ricardo segue ganhando. Mas a vantagem do governador nesse grupo, que era de 15 pontos em setembro, é de apenas 5 pontos agora (o que configura empate técnico nesse segmento).


Já na direita não bolsonarista, Pazolini aumentou ainda mais sua vantagem: no fim de agosto, tinha 15 pontos de frente sobre Ricardo; no fim de setembro, a vantagem do ex-prefeito nesse estrato subiu para 27 pontos; agora, subiu para 34 pontos: 59% para Pazolini contra 25% de Ricardo.

Quaest identificação política. Outubro de 2026
Quaest identificação política. Outubro de 2026 Reprodução/Quaest

Recorte por gênero

Pazolini cresceu entre homens e mulheres. Entre mulheres, subiu 4 pontos. Entre homens, subiu 3.


O ex-prefeito passou a ganhar numericamente de Ricardo entre mulheres, por 32% a 30% (antes, Ricardo o vencia por 29% a 28%). Agora, no eleitorado feminino, os dois estão tecnicamente empatados.


O ex-prefeito também superou Ricardo entre os homens: agora, vence por 37% a 32% (antes, Ricardo o vencia por 38% a 34%). 

Recorte por faixa etária

Na divisão por faixa etária, Pazolini subiu ou se manteve no mesmo patamar em todas. Ricardo caiu bem entre os mais idosos (60 anos ou mais). No fim de agosto, tinha 56% da preferência dessa faixa etária; na semana passada, 43%; agora, 34%. 

Quaest cruzamento idade. Outubro de 2026
Quaest cruzamento idade. Outubro de 2026 Reprodução/Quaest

Recorte por escolaridade

Por escolaridade, Pazolini subiu em todas as faixas. Entre eleitores com ensino médio ou ensino superior, o ex-prefeito já ganhava de Ricardo, mas aumentou sua vantagem.


Ricardo ainda derrota Pazolini entre os eleitores com ensino fundamental, mas a vantagem do governador caiu de 13 para 6 pontos: antes, 38% a 25%; agora, 34% a 28%.


Eleitores que só têm o fundamental são quase metade do total de entrevistados: 44%. 

Recorte por renda

Entre eleitores que recebem até dois salários mínimos, Ricardo ganhava com folga no fim de setembro (11 pontos de vantagem): agora, os dois estão tecnicamente empatados. Entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos, já estavam e continuam tecnicamente empatados.


A diferença se deu entre quem ganha mais de 5 salários mínimos: nesse segmento mais “abonado”, Pazolini ampliou bem a sua vantagem, que saltou de 3 para 17 pontos (35% a 32% em setembro; 45% a 28% agora).

Recorte por cor

No recorte por raça ou cor da pele, Pazolini ganhou terreno entre brancos e pardos. Manteve-se com o mesmo índice entre pretos.

Recorte por religião

Entre evangélicos, o resultado oscilou pouco: Pazolini segue à frente com 11 pontos de vantagem.


Entre católicos, o ex-prefeito cresceu. Em setembro, Ricardo ganhava com 11 pontos de vantagem: 38% a 27%. Agora, o governador segue numericamente à frente, mas por apenas 3 pontos (empate técnico): 35% a 32%.

Quaest cruzamento religião
Quaest cruzamento religião Reprodução/Quaest

“Muito interessados na eleição”

Por fim, outro dado bastante eloquente. Entre os eleitores capixabas, o baixo ou nulo interesse pelo processo eleitoral ainda predomina. Dos 1.800 entrevistados, só 39% se dizem muito interessados nas eleições. Outros 60% se dizem pouco interessados (36%) ou nada interessados (24%).


Mas, entre os que se declaram “muito interessados”, Pazolini cresceu bastante: de 35% para 46%. Enquanto isso, Ricardo caiu: de 35% para 27%.


Ou seja, entre aqueles 39% que estão “muito interessados”, quase a metade diz que pretende votar em Pazolini. Uma semana atrás, ele e Ricardo empatavam nesse grupo. Agora, Pazolini tem vantagem de 19 pontos percentuais.

Dados do levantamento

Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada pela TV Gazeta, foi realizada nos dias 2 e 3 de outubro, com 1.800 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-09011/2026.

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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