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Vitor Vogas

“O homem por trás de Pazolini”: vitórias como articulador; revés como candidato

E mais: a mulher de Da Vitória entra na campanha de Pazolini; base de Da Vitóta também vai para ele; Gilson Daniel, ao contrário, na campanha de rua com Ricardo; um prefeito do ES declara voto Lulaço; Banestes retira patrocínio a festa de servidores

Publicado em 21 de Outubro de 2026 às 05:00

Públicado em 

21 out 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Erick Musso em momentos da campanha de 2026 com Pazolini
Erick Musso em momentos da campanha de 2026 com Pazolini Fotomontagem

Presidente estadual do Republicanos, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) é, notoriamente, o homem de confiança de Lorenzo Pazolini, encarregando-se pessoalmente do trabalho de articulação política em nome do ex-prefeito de Vitória e candidato a governador. A proximidade política se traduz em proximidade física: comumente visto ao lado ou um passo atrás de Pazolini, Erick já foi descrito aqui como o “homem por trás de Pazolini” e “o homem que tem os ouvidos” do candidato do Republicanos.


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O caso específico de Erick Musso é um dos mais interessantes desta eleição. Como articulador político, ele acumulou algumas vitórias no primeiro turno, realizado no último dia 4. Já como candidato, o presidente estadual do Republicanos não teve o mesmo sucesso atingido como articulador político.


Os dois maiores triunfos de Erick se deram nas eleições majoritárias. Filiado ao Republicanos por ele, Evair de Melo elegeu-se senador como o segundo mais votado (e por muito pouco não teve mais votos até que Renato Casagrande).


Além disso, é claro, o próprio Pazolini, com 49,65% dos votos válidos, por muito pouco não venceu a eleição para governador no primeiro turno e, agora, é matematicamente o favorito para o Palácio Anchieta no segundo turno.


Já nas eleições proporcionais, o próprio Erick não conseguiu se eleger deputado federal, quatro anos após ter perdido a eleição para o Senado. Está sem mandato desde fevereiro de 2023 e assim seguirá por pelo menos mais dois anos.


Além disso, é preciso pontuar que, no Espírito Santo, o resultado do Republicanos foi pior que em 2022 na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.


Em 2022, o partido conservador ligado à Igreja Universal do Reino de Deus fez dois federais no Estado: Messias Donato e Amaro Neto. Desta vez, só um: Coronel Ramalho, que teve 60.085 votos. Apoiado pessoalmente por Pazolini e pela prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), Erick teve 53.726 votos e ficou como suplente.


Há quatro anos, a legenda fez quatro deputados estaduais no Espírito Santo (muito em função do puxador de votos, Sérgio Meneguelli). Neste pleito, foram apenas dois: Pablo Muribeca (reeleito) e Davi Esmael, hoje vereador de Vitória. 

Pule de dez (em caso de vitória)

Sem mandato, Erick é pule de dez para compor a equipe de governo de Pazolini, em caso de vitória do candidato a governador do Republicanos no próximo domingo (25): chefe da Casa Civil, secretário estadual de Governo ou outra função diretamente relacionada à articulação política. 

Bases de Da Vitória vão para Pazolini

Como expliquei aqui na última sexta-feira (16), o deputado federal Josias da Vitória (PP), reeleito para um terceiro mandato seguido na Câmara, retirou seu apoio pessoal a Ricardo Ferraço e liberou a militância estadual do PP no segundo turno... para tomar o sentido contrário.


Da Vitória é o presidente estadual do partido e da Federação União Progressista (composta pelo PP e pelo União Brasil). A federação está na coligação de Ricardo, apoiado por Da Vitória no primeiro turno.


O deputado ficou muito aborrecido com o comportamento de Renato Casagrande (PSB) na campanha do primeiro turno, entendendo que o ex-governador teria mantido uma “condução política muito violenta” contra ele, agindo pessoalmente para levar apoiadores dele para outros candidatos a federal. Esse seria o principal motivo da deserção no segundo turno.


O time de Casagrande nega isso. Fala em “desculpa esfarrapada” para justificar uma “traição” e uma “atrocidade”.

Mulher de Da Vitória na campanha de Pazolini 

Da Vitória não entrou pessoalmente na campanha de Pazolini. Mas – obviamente, por influência dele – sua base na Região Noroeste foi quase toda para a campanha do republicano, incluindo a própria esposa dele, Luciana Tozato. A mulher de Da Vitória fez o seguinte post: 

Nesta quarta-feira (20), a senhora Da Vitória publicou nos stories um vídeo em que participa de adesivaço de Pazolini em Vitória, com o jingle dele soando ao fundo. 

Exemplo de mudança de lado no PP

Um exemplo de como grande parte da base de Da Vitória se transferiu para a campanha de Pazolini é Doutor Sidiclei, prefeito de Pancas por dois mandatos, de 2017 a 2024. O ex-prefeito foi lançado na política por Da Vitória, tem o deputado como líder e lhe é muito leal. Entrou na política pelo PDT e se elegeu prefeito pelo então partido de Da Vitória. Em 2023, com Da Vitória assumindo a presidência estadual do PP, Sidiclei entrou na sigla.


Nesta eleição, o ex-prefeito foi candidato a deputado estadual, com quase 7 mil votos. No primeiro turno, apoiou Ricardo Ferraço. Agora, seguindo a nova orientação de Da Vitória, passou a apoiar Pazolini e redirecionou toda a sua base na região (Pancas e adjacências) para trabalhar pelo candidato do Republicanos.


“O Da Vitória e o Marcelo Santos tiveram problemas com a campanha do Ricardo. E estou acompanhando o novo posicionamento do meu líder”, explica Sidiclei, que é médico efetivo do Estado. 

Voto Lulaço: um prefeito do ES que vota em Lula e Ricardo Ferraço

Já o posicionamento do atual prefeito de Pancas, Guima, comprova duas coisas: como o PP hoje está dividido e como existe realmente o voto Lulaço (Lula e Ricardo Ferraço), inclusive entre líderes locais.

Filiado ao PP, Guima não fez campanha para Da Vitória para federal. Seu candidato foi Eustáquio de Freitas (PSB), não eleito. À coluna, o prefeito afirma: “Apoio e sempre apoiei Lula para presidente. Para governador, sou Ricardo Ferraço”.

Gilson Daniel de cabeça na campanha de Ricardo

O caso do Podemos é diferente do PP e do União Brasil, cujos líderes estaduais (Da Vitória e Marcelo Santos) se retiraram da campanha de Ricardo.


O Podemos também faz parte da coligação liderada por Ricardo. Mesmo assim, no início do segundo turno, a direção nacional do partido, representada por Renata Abreu, declarou apoio a Pazolini: uma mudança de lado, de cima para baixo.


Desde o primeiro momento, o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, protestou contra a decisão da nacional, classificando-a como uma “interferência abrupta e sem sentido”. De tão indignado, cogita até sair do Podemos após o pleito. Secretário-geral do partido no Espírito Santo, Wanderson coordenou a campanha de Ricardo no primeiro turno.


E quanto ao presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel? O deputado afirmou desde o primeiro momento que a decisão da nacional foi tomada à sua revelia e postou a defesa do voto RicaNaro.


Na última segunda-feira (19), Gilson foi além. Numa atitude que não deixa dúvida quanto ao seu lado no segundo turno, participou com Wanderson Bueno de atividade de campanha de Ricardo: uma carreata pelas ruas de Viana, postada pelo candidato. 

Banestes retira patrocínio a festa de servidores, diz Assembleia

Enquanto isso, em possível contragolpe político, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo, presidida por Marcelo Santos, sofreu a retirada de outro tipo de apoio: o financeiro. 


Como publicamos aqui na última quarta-feira (14), a exemplo de Da Vitória, Marcelo liberou seu grupo político e os dirigentes municipais do União Brasil, presidido por ele no Estado, que agora foram em grande parte para o lado de Pazolini.


No último dia 13, Marcelo também bancou a PEC das Emendas Impositivas, à revelia do governo Ricardo Ferraço.


Após a guinda de Marcelo, a assessoria da Assembleia confirma que o Banestes, banco público controlado pelo Governo do Estado, retirou patrocínio, inicialmente combinado, para ajudar a custear a tradicional festa anual oferecida aos servidores da Casa.


A festa ocorreria no Clube Álvares Cabral, na próxima segunda-feira (26), para celebrar o Dia do Servidor, que cairá dois dias depois (28).


Nesta terça-feira (19), Marcelo comunicou aos servidores, em reunião à entrada do plenário, que desta vez não haverá a confraternização, segundo ele, porque o Banestes recuou da decisão de patrocinar a festa.


A folha de pagamento da Assembleia está no Banestes, que tem agência na sede da Casa.


Entrei em contato com a assessoria do Banestes na noite desta terça-feira (19), sem sucesso, para ouvir e registrar o posicionamento do banco. O espaço segue aberto para isso, se houver resposta. 

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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