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Vitor Vogas

Movimento reúne oito pré-candidatos a prefeito de Vitória

Presidente da Câmara, Clebinho (PP), promoveu encontro com Lorenzo Pazolini (sem partido), Sergio Majeski (PSB), Sérgio de Sá (PSB), Davi Esmael (PSB), Max da Mata (PSDB), Neuzinha (PSDB) e Roberto Martins (PTB)

Publicado em 04 de Junho de 2019 às 00:33

Públicado em 

04 jun 2019 às 00:33
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Praça Oito - 04/06/2019 Crédito: Amarildo
A fila de pré-candidatos a prefeito de Vitória começa na sede da própria Prefeitura, vai lá na Assembleia Legislativa, volta, passa pelo prédio da Câmara de Vitória e dobra o quarteirão daquele supermercado que fica ao lado da Casa. O presidente da Câmara, Cleber Felix (PP), conseguiu reunir, na manhã de ontem, oito potenciais postulantes à cadeira hoje ocupada por Luciano Rezende (PPS).
Durante o encontro, três participantes se apresentaram aos demais, diretamente, como pré-candidatos a prefeito: o próprio Clebinho, o vice-prefeito Sérgio de Sá (PSB) e o vereador Max da Mata (PSDB)
A fala do último surpreendeu até a alguns presentes. O tucano confirmou à coluna o que manifestou na reunião: quer ser candidato a prefeito, de preferência pelo PSDB, e só não o será se o deputado federal Amaro Neto (PRB), parceiro político dele, decidir disputar o mesmo cargo. “Confirmo. Estou muito animado com a possibilidade de disputar. Não descarto candidato a vereador de novo, mas hoje estou com foco total em ser prefeito”, afirma Da Mata, vereador desde 2009 e apoiador de Amaro em 2016.
Amaro, aliás, foi o único convidado a não comparecer. Procurado pela coluna, explicou que já tinha agenda previamente marcada. Em 2016, o deputado perdeu para Luciano no 2º turno.
Presidente da Câmara de Vitória, Cleber Felix (PP), o Clebinho, reúne líderes políticos e dirigentes partidários no gabinete da presidência da Câmara, para discutir as eleições de 2020 Crédito: Assessoria de Clebinho
Outro destaque foi a presença de três membros do PSB apontados como pré-candidatos: o vereador Davi Esmael, parceiro de Clebinho; o deputado estadual Sergio Majeski e o já mencionado Sérgio de Sá. Além deles, o presidente municipal do PSB, Juarez Vieira, representou a agremiação.
O partido de Renato Casagrande pretende lançar candidato próprio à sucessão de Luciano, mesmo que isso signifique concorrer com o candidato do PPS, rompendo a aliança política que vem desde 2012.
O “candidato do PPS”, a propósito, como é considerado por todos, é o deputado estadual Fabrício Gandini. Ele não foi convidado pelo anfitrião. Segundo Clebinho, o PP e o PPS romperam politicamente e não estarão juntos na eleição de 2020. Eis o motivo da barração.
À coluna, Sá e Majeski confirmam: o PSB quer ter candidato próprio. “O PPS se adiantou e lançou Fabrício. E o PSB entende que tem quadros. Isso não quer dizer rompimento. Podem ser dois projetos em paralelo. Os dois são legítimos”, disse Sá após o encontro, em conversa conosco.
Na reunião, o vice-prefeito, segundo presentes, falou como alguém que quer lançar candidatura. “Já venho me colocando como pré-candidato há bastante tempo”, reforçou ele para a coluna. Já Majeski saiu na foto, mas, desconfiado, preferiu ficar na dele e abriu mão da palavra durante o encontro organizado por Clebinho. Este, por sua vez, é o primeiro a assumir as pretensões eleitorias: “Estou trabalhando para isso. Mantenho minha pré-candidatura. Deixei isso muito claro para eles”.
Vereador de oposição a Luciano, Roberto Martins (PTB) também se incluiu no rol de pré-candidatos, em bate-papo com a coluna. Os outros dois participantes da reunião apontados como possíveis candidatos – embora não tenham se declarado assim para os demais – foram a vereadora Neuzinha de Oliveira (PSDB) e o deputado estadual Lorenzo Pazolini (sem partido).
O colóquio, inevitavelmente, foi centrado na eleição de 2020, como admite Clebinho: “Tive a ideia de buscar uma conversa com os pré-candidatos para conhecer os projetos. Não tem como fugir dessa realidade (de falar sobre eleições)”.
“Cleber abriu os trabalhos e deixou claro que o objetivo era fazer um diálogo entre pré-candidatos a prefeito”, contou Roberto Martins. “Entrou a discussão da eleição 2020, sim”, ratificou o vereador Sandro Parrini (PDT), aliado de Clebinho e também participante do encontro.
Além das aspirações eleitorais, um ponto em comum foram as críticas à atual administração. O discurso geral, no entanto, é o de que a proposta é discutir a cidade, e não organizar um movimento de oposição.
Clebinho, por outro lado, espera que esse seja o primeiro passo para o lançamento de um movimento eleitoral capitaneado pelo PP. Com um grupo tão heterogêneo, soa improvável.
Veto derrubado
Em mais um sintoma da insegurança política vivida hoje pelo governo Casagrande em plenário, a Assembleia derrubou, ontem, veto do governador ao projeto de lei do deputado Hércules Silveira (MDB) que proíbe instituições financeiras do Estado de ofertar e fechar contratos de empréstimo com aposentados e pensionistas por telefone. O placar: 16 a 11 contra o governo. Os dez do bloco de oposição votaram pela rejeição ao veto, além de Majeski, Ferraço e quatro membros da base governista.
Capitão vira cabo
O presidente da Assembleia, Erick Musso (PRB), ganhou um cabo eleitoral. Ontem, da tribuna, o deputado Capitão Assumção (PSL) chamou Erick de “futuro governador do Estado”.
Ênfase no vínculo
Para enfatizar a ligação com Bolsonaro, Assumção tem se referido aos colegas de bancada como “(nome do deputado), do PSL, partido do presidente Jair Messias Bolsonaro”.
Gafe amiga
Mas o pesselista Torino Marques não decorou a sigla. Ontem, ele se confundiu ao chamar um convidado de Assumção no momento da Tribuna Popular: “É o convidado do meu grande amigo, líder da bancada do Partido Socialista Brasileiro, o PSL, Capitão Assumção”.
Desenterrou o passado
Assumção de fato já pertenceu ao PSB e foi até deputado federal pelo partido de Casagrande. Mas não deve ter curtido ser chamado de “socialista” pelo colega. Seu ex-partido, afinal, é de centro-esquerda e se opõe ao bolsonarismo.
Cena Política
Celebrado por muitos colegas, o deputado Adilson Espindula (PTB) obteve ontem no plenário da Assembleia a aprovação do seu projeto de lei que beneficia pequenos agricultores, isentando-os de cobrança pelo uso da água. As galerias ficaram lotadas de vereadores e moradores da Região Serrana, reduto do deputado – especialmente Santa Maria de Jetibá. Para homenageá-los, Espindula arrematou seu discurso falando com eles um minutinho em pomerano. Ninguém além deles entendeu. No outro microfone, a deputada Janete de Sá (PMN) emendou: “Saravá, saravá!” Ninguém além dela entendeu.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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