Aos 29 anos, o deputado estadual Lucas Polese, do Partido Liberal (PL),
foi o segundo candidato a deputado federal mais votado do país,
proporcionalmente ao total de votos válidos para a Câmara dos Deputados nos
respectivos colégios eleitorais. O deputado de Colatina ficou atrás somente de
Nikolas Ferreira (PL), reeleito deputado federal por Minas Gerais e campeão de
votos tanto em números absolutos como em números relativos (o percentual dos
votos válidos).
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Em Minas, com um total de 3.119.318 votos, recorde histórico
para deputado federal no país, Nikolas Ferreira atingiu 27,4% do total de
11.380.151 votos válidos para o cargo. Arredondando, de cada quatro eleitores
do estado vizinho que votaram em algum candidato a federal ou legenda, um votou
em Nikolas.
Já no Espírito Santo, Polese obteve 419.735 votos, o
equivalente a 19,6% dos 2.134.985 votos válidos para deputado federal. Arredondando,
de cada cinco eleitores deste estado que votaram em algum candidato a federal ou
legenda, um votou em Polese. Isso faz do colatinense o segundo campeão de votos,
em termos percentuais, entre os 513 eleitos para a próxima legislatura na
Câmara.
Para chegar a esta conclusão, calculei o percentual de votos
válidos dos 30 deputados federais mais votados do país em números absolutos e o
dos federais mais votados em cada uma das 27 unidades federadas. De fato,
somente o percentual de Nikolas supera o de Polese.
Em votos nominais totais, Polese foi o 11º candidato a federal
mais votado do país. À frente dele, porém, estão candidatos dos estados de São
Paulo, Minas Gerais, Ceará, Santa Catarina e Paraná – colégios eleitorais bem
maiores que o Espírito Santo. Ele também se tornou o recordista absoluto na história do Estado, superando em mais que o dobro o recorde anterior, pertencente a Amaro Neto (quase 200 mil votos em 2018).
Em Minas, graças à votação histórica de Nikolas, o PL
conseguiu eleger simplesmente 21 dos 53 federais que constituirão a bancada do
estado a partir de fevereiro – incluindo 15 dos 16 que entraram com menos votos.
Dos 21 federais eleitos pelo PL em Minas, 16 obtiveram menos
de 80 mil votos – votação tímida para os padrões do estado, segundo maior
colégio eleitoral do país. Oito deles entraram com menos de 50 mil votos –
votação pífia para os padrões de Minas. O menos votado teve 25.090 votos. Ficaria
longe de se eleger no Espírito Santo, colégio bem menor.
Enquanto isso, um candidato do PSD com mais de 100 mil votos
ficou de fora na distribuição das vagas. É fruto do sistema proporcional, que
valoriza a votação total da chapa.
Nikolas, sozinho, obteve 67,6% dos votos da chapa do PL. De
cada três votos da chapa inteira (52 candidatos), dois foram para ele.
No Espírito Santo, algo muito parecido ocorreu com relação a
Polese. Mas a concentração de votos da chapa em um mesmo candidato foi ainda
maior.
Graças aos mais de 400 mil votos de Polese, o PL ainda
conseguiu eleger um segundo candidato, justamente o que entrou com menos votos
entre os dez federais eleitos: o vereador de Viana Lucas Stein Casagrande, que
concorreu com o nome de urna Lucas o Federal da Direita (para emular Gilvan e
para cortarem o “Casagrande”).
Com a negação do registro do deputado Gilvan da Federal pelo
TRE-ES, por ter a ficha suja, Lucas Casagrande o substituiu e herdou seu número de urna. Recebeu
43.973 votos (possivelmente, muito em função do número). Foi só o 17º mais votado
nominalmente e mesmo assim entrou, graças aos votos do seu xará mais famoso.
Com um total de 539.093 sufrágios, a chapa do PL foi a mais
votada no Espírito Santo. Desse total, 79,4% foram diretamente para Polese. De
cada cinco votos para a chapa do PL no Espírito Santo, quatro foram para o
deputado de Colatina.
Semelhanças
Curiosamente, Lucas Polese fez campanha colado em Nikolas.
Em suas inserções de rádio e TV, mostrou declaração de apoio do deputado
mineiro, ao seu lado.
De fato, há algumas semelhanças, de idade e até de porte
físico, além das convicções ideológicas e da forma de fazer política, como “influenciadores
políticos” nas redes sociais – muito embora Polese não seja evangélico e não
seja de ficar fazendo proselitismo religioso.
Polese de cabeça na
campanha de Pazolini
Agora que já resolveu a própria campanha, Polese mergulhou
de cabeça na campanha de segundo turno de Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato a
governador apoiado pelo PL no Espírito Santo. Pazolini, é claro, está se
valendo do capital eleitoral do aliado que foi um fenômeno nas urnas.
Na segunda-feira (5), Polese participou de uma carreata em
Vitória, bem ao lado de Pazolini. No primeiro turno, ele chegou a participar de
atividade de rua com o ex-prefeito da Capital, em Colatina, Baixo Guandu e Vitória.
Na tarde desta quarta-feira (7), Polese foi a Brasília com
Pazolini, Erick Musso (Republicanos) e Coronel Ramalho (Republicanos) – este último
também eleito federal pelo ES – para uma reunião da bancada eleita com Flávio Bolsonaro
(PL), com o objetivo de alinhar estratégias para o segundo turno.
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