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Vitor Vogas

Guerreiras do L-Pop contra Vingadores do PL: a Assembleia do ES que saiu das urnas

Podemos esperar, desde o início do mandato, um plenário superaquecido, que tem tudo para virar palco de embates muito acalorados entre dois extremos ideológicos

Publicado em 06 de Outubro de 2026 às 17:59

Públicado em 

06 out 2026 às 17:59
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas
No sentido da leitura: Açucena (PT), Karla Coser (PT) e Camila Valadão (PSol); Capitão Assumção, Dárcio Bracarense, Pastor Dinho, Dr. Vitor Louzada (todos do PL)
No sentido da leitura: Açucena (PT), Karla Coser (PT) e Camila Valadão (PSol); Capitão Assumção, Dárcio Bracarense, Pastor Dinho, Dr. Vitor Louzada (todos do PL) Fotomontagem

O plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), na atual legislatura, pode ser considerado bastante conservador e, predominantemente, de direita. Nos próximos quatro anos, ficará ainda mais. Essa é a primeira conclusão que podemos tirar do resultado que saiu das urnas no Espírito Santo, no último domingo (4).


A segunda conclusão é que podemos esperar, desde o início do mandato, um plenário superaquecido, que tem tudo para virar palco de embates muito acalorados entre dois extremos ideológicos, reproduzindo no microcosmo da Ales a polarização que se apoderou da política nacional na última década e que ganhou novo fôlego nas eleições deste ano.


De um lado, teremos a bancada do Partido Liberal (PL), que voltará a ser a maior do Legislativo Estadual, a partir de fevereiro. Repetindo aqui o excelente resultado obtido nas eleições legislativas no Brasil inteiro – e confirmando a inflexão do eleitorado brasileiro em direção à extrema direita –, o partido da família Bolsonaro elegeu 6 deputados estaduais no Espírito Santo e terá sozinho 20% das 30 cadeiras. Será a bancada dos “Vingadores” (Advengers).


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Por que “Vingadores”? Primeiro, porque seis é exatamente o número de personagens originais do grupo nos quadrinhos. Segundo, em referência à definição dada pela revista “The Economist” para Flávio Bolsonaro em manchete publicada na semana passada: “O próximo presidente do Brasil será um nepobaby vingativo ou um trêmulo esquerdista” (Brazil’s next president will be either a vengeful nepo-babyor a doddering leftie). 


Após quatro anos fora do poder e com Jair Bolsonaro preso por tentativa de golpe e outros crimes, o bolsonarismo quer revanche.


Do outro lado do plenário, teremos as três Guerreiras do L-Pop: Camila Valadão (PSol), reeleita para o segundo mandato como a candidata mais votada da Assembleia, e as vereadoras petistas Karla Coser, de Vitória, e Açucena, de Cariacica, que chegarão para o primeiro mandato. Três é exatamente o número de guerreiras do conjunto na animação coreana ganhadora do Oscar.


As três são jovens, têm pouco tempo de política (Camila e Karla exercem mandatos desde 2021; Açucena, desde 2025) e se assemelham pelo perfil combativo. Em minoria absoluta no plenário, é provável que protagonizem duros embates com os “Vingadores”.


Na verdade, a esquerda ficou encurralada em um canto do plenário. Dos 30 eleitos, só quatro são considerados declaradamente de esquerda: além das três “guerreiras”, o petista Julio da Fetaes, representante dos pequenos trabalhadores agrícolas do Espírito Santo – com perfil não tão “aguerrido”. A bancada do PT aumentará, de 2 para 3 deputados, mas ainda estará em ampla minoria.


Enquanto isso, à bancada do PL, poderão se somar deputados eleitos por outras siglas, mas também com perfil bastante conservador. Entre eles, o vereador de Vitória Davi Esmael (Republicanos), aliado de longa data de Lorenzo Pazolini e ex-presidente da Câmara, onde, desde o mandato passado, protagoniza enfrentamentos com vereadores do PT, como a própria Karla Coser. Possível ensaio do que está por vir...


Para conter os ânimos, garantir o respeito ao decoro e manter a condução dos trabalhos de maneira equilibrada, será preciso um próximo presidente, sucessor de Marcelo Santos (União) – eleito deputado federal –, que tenha ao mesmo tempo pulso firme, muito jogo de cintura, o respeito dos pares e boa interlocução com todos, incluindo os dois polos em disputa, que equivalem a 1/3 dos deputados.


A questão é que, quando olhamos o painel completo dos 30 eleitos, destacam-se poucos deputados que reúnam, ao mesmo tempo, características como experiência, equilíbrio, capacidade de articulação e espírito de liderança. Gandini (Podemos) é um. Mazinho dos Anjos (MDB) é outro. Vandinho Leite (MDB) também pode ser incluído aqui, embora certamente mais à direita. E a lista não vai muito além disso.


O roteiro desse filme não prevê muito equilíbrio mesmo, não... Promete ser um filme de guerra, ou, no mínimo, um thriller de ação. 

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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