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Azedou

Guarapari: dupla contra Magalhães se desfaz

Relação entre Carlos Von (Avante) e o ex-vereador Gedson Merízio (PSB) azedou, e eles não devem unir forças para desbancar o prefeito de Guarapari

Publicado em 29 de Abril de 2019 às 11:36

Públicado em 

29 abr 2019 às 11:36
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

Aliados contra Edson Magalhães (PSDB) na eleição a prefeito de Guarapari em 2016, o hoje deputado Carlos Von (Avante) e o ex-vereador Gedson Merízio (PSB) tendiam a repetir a dobradinha, unindo forças de novo para desbancar o atual prefeito na próxima disputa municipal, marcada para 2020. Mas a relação entre eles azedou.

Filiado ao PSB de Casagrande, Gedson tornou-se subsecretário estadual de Turismo (área mais forte da cidade).

Por sua vez, Carlos Von tem se queixado de que estaria sendo preterido e recebendo pouca atenção do governo a seus pleitos. Reclama, ainda, do próprio Merízio, o qual, segundo ele, estaria enchendo o governo de cabos eleitorais, em cargos comissionados lotados na Secretaria de Governo, no Detran e na própria Secretaria de Turismo.

Carlos Von e Gedson Merízio não devem repetir parceria contra o prefeito de Guarapari Crédito: Arte | Amarildo

Por isso, em conversa com a coluna há duas semanas, Von já indicava que tendia a se deslocar para fora da base aliada do governo Casagrande na Assembleia Legislativa. Em fevereiro, foi um dos três únicos deputados que não votaram em Luiz Carlos Ciciliotti, apoiado por Casagrande, para a vaga de Valci Ferreira no Tribunal de Contas do Estado.

Na semana passada, em duas votações muito importantes para o governo, Von confirmou seu movimento. Primeiro, na última quarta-feira, o deputado deu um dos únicos dois votos contrários ao projeto de Casagrande que flexibiliza o uso de recursos do Fundo para Redução das Desigualdades Regionais por parte de prefeitos (o outro partiu de Majeski). O detalhe é que Guarapari é precisamente o 2º município que recebe a maior fatia do Fundo: R$ 5,5 milhões neste ano.

No dia seguinte, Von votou novamente contra o governo, nos dois projetos de lei complementar que estabelecem novas regras para promoções na PMES e nos Bombeiros.

“Minha relação com o governo hoje é fria. Hoje sou um deputado independente”, define-se Von. “Em fevereiro não votei em Ciciliotti e, desde então, a relação não está muito boa. Às vezes tenho dificuldade em falar com os secretários. Você percebe claramente que o governo tem lá suas preferências na Assembleia. O governo tem valorizado muito mais deputados como Euclério Sampaio, Enivaldo dos Anjos, Zé Esmeraldo... E tem prometido muitas coisas para os novatos, mas até agora sem cumprir”, reclama.

Von afirma que ainda não definiu se concorrerá de novo à prefeitura em 2020 e desconversa sobre uma reedição da aliança com Merízio. “Não tenho uma relação ruim com ele. Mas ele é uma pessoa muito ansiosa e fica antecipando muito o debate.”

Por sua vez, Merízio também prefere não falar em candidatura, mas mantém uma porta aberta para voltar a se unir com Carlos Von. “Nós dois sempre nos respeitamos muito. Nunca tivemos pessoalmente qualquer atrito que rompesse a relação. Pelo contrário. A gente sempre se fala por aplicativo. De vez em quando tomamos café. Não tem nada que poderia nos impedir de estar juntos lá na frente.”

Ele minimiza o movimento de Von: “Não houve nenhum tipo de rompimento por causa de Guarapari. Partidariamente, não existe aliança. Ainda não. Mas nossa relação pessoal é boa e pode lá na frente se tornar uma aliança eleitoral”.

Por enquanto, Magalhães agradece...

Pra deixar menos feio...

Na última segunda-feira, o diretório do PSB da Serra anunciou a “desfiliação compulsória” do vereador Geraldinho Feu Rosa. No dicionário da sinceridade, isso se chama “expulsão”. “Sim, mesma coisa”, confirma Bruno Lamas (PSB).

Concepção rasa e tosca

Faz poucos dias, o presidente Jair Bolsonaro voltou a expressar, em um tuíte, uma concepção rasa e tosca de educação. E, especificamente, uma compreensão ainda mais rudimentar sobre as Ciências Humanas. Anunciou que, sob a gestão do ministro Weintraub, o MEC estuda “descentralizar investimentos [eufemismo para cortar] em faculdades de Filosofia e Sociologia (Humanas)”, para “focar em áreas que deem retorno imediato ao contribuinte”. Em outras palavras, numa visão tecnicista e imediatista, Bolsonaro acredita que as Ciências Humanas não servem para nada e os cursos da área em faculdades públicas são desperdício de dinheiro.

“Visão incorreta”

O secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo, é graduado em História e mestre em Ciências Sociais, com ênfase em Ciências Políticas. Sobre o anúncio de Bolsonaro, ele opina da seguinte forma: “É natural que os governos enfatizem áreas que consideram mais importantes para sua agenda. No entanto, como toda política pública, é importante que isso sempre esteja baseado em evidências. No caso em questão, o anúncio revela uma visão reducionista e incorreta das Ciências Humanas, que têm papel fundamental no desenvolvimento humano, social e, inclusive, econômico”.

Constatação

Um curso de Humanas (qualquer um) não teria feito mal a Bolsonaro.

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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