Na última segunda-feira, uma estratégia inusual do líder do governo na Assembleia, Enivaldo dos Anjos (PSD), para limpar a pauta de votações, resultou na derrubada de cinco vetos que o governador Renato Casagrande (PSB) havia feito a projetos de deputados. Enivaldo liberou a base governista e, espantosamente, indicou o próprio voto pela rejeição dos vetos do seu “chefe”.
Enivaldo agiu por conta própria. Casagrande e o chefe da Casa Civil, Davi Diniz, foram pegos de surpresa. Como de praxe, Diniz acompanhava a sessão. Quando Enivaldo indicou seu primeiro voto pela derrubada de um veto do governador, o secretário começou a disparar telefonemas, para Enivaldo e outros deputados da base em plenário, buscando entender o que estava ocorrendo.
Consentimento póstumo
Enivaldo tranquilizou Diniz e Casagrande. Nesta terça-feira (21), o governador confirmou que só foi informado do movimento do seu líder na Assembleia depois de feito, mas disse ter compreendido a iniciativa de Enivaldo.
Fato histórico
Tanto Enivaldo como o governo buscaram tirar o peso do que ocorreu (a derrota consentida pelo líder em cinco votações), mas trata-se de uma raridade histórica. No governo passado inteiro, de 2015 a 2018, Paulo Hartung só teve seis vetos derrubados em plenário. Na segunda, em uma só sessão, Casagrande teve cinco vetos rejeitados numa tacada só.
Ações judiciais
O governo agora deve ingressar com Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), que implicam custos ao erário, para reverter alguns dos cinco projetos que acabaram passando. Segundo Casagrande, é certa a ADI contra o projeto de Vandinho Leite (PSDB) que obriga a EDP Escelsa a trazer impressa na conta de energia a foto do equipamento de aferição no momento da leitura do consumo.
Sem barreira para a barreira
Quanto ao projeto de Euclério Sampaio (sem partido) que dispõe sobre a implantação de um meio de proteção para impedir suicídios na Terceira Ponte, o governo, segundo Casagrande, pode não ingressar na Justiça, pois também pretende implantar a barreira.
Sem barreira para o Fundo
De todo modo, a prioridade máxima do governo neste momento é ter a pauta da Assembleia mesmo livre e desimpedida para a votação do projeto que cria o Fundo Soberano. O projeto foi lido na sessão de segunda, mas ainda não foi pautado pelo presidente da Casa, Erick Musso (PRB) porque o Palácio aguarda o melhor momento. Ontem, Davi Diniz conversou pessoalmente com Erick e Enivaldo dos Anjos a fim de definir a melhor estratégia.
Armas bem guardadas
Enquanto isso, o “bloco independente”, hoje formado por dez deputados, prepara suas armas para obstruir a votação de projetos do governo: requerimentos de urgência aos próprios projetos. Na pauta da sessão de ontem, havia 16 desses – seis de Capitão Assumção (PSL) –, mas os independentes pediram a retirada de pauta. É uma arma secreta. Quando julgarem oportuno, eles voltam a protocolar os requerimentos, com o intuito de travar a pauta.
Balançando
Desse bloco de dez, dois têm sido seduzidos pelo governo e começam a "fraquejar" para voltar à situação: Alexandre Xambinho (Rede) e Hudson Leal (PRB).