“Cotidiano do Jair”
Composição: Chico Buarque de Holanda (mas vai pra Cuba)
Todo dia ele faz tudo sempre igual Manda um zap às seis horas da manhã Lê duas linhas, reclama do jornal E faz queixas bem loucas, pouco sãs
Todo dia ele diz algo de espantar Tipo: “Podem vir cá pegar mulher!” Diz: “Michele, prepara o meu jantar, Vou ali tretar com o Macron, até!”
Todo dia ele pensa só após falar Meio-dia: “Brasil tem fome não!” Depois pensa no pinto pra lavar E passa um Leite Moça no seu pão
Seis da tarde como era de se esperar Ela nega a própria afirmação Diz que está uma intriga a farejar E na orelha do Moro dá puxão
Toda noite ele volta a tuitar Meia-noite ele ao Trump jura amor E lamenta o Mourão não poder trocar Sonha com o 03 embaixador
Todo dia ele acha que é tudo igual ONU, árvore, índio, ONG pagã Tudo é gay, comunista, é bacanal Contra a moral ocidental cristã
Letra original: “Cotidiano” (Chico Buarque)
Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar E essas coisas que diz toda mulher Diz que está me esperando pro jantar E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar Meio dia eu só penso em dizer não Depois penso na vida pra levar E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar Ela pega e me espera no portão Diz que está muito louca pra beijar E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar Meia-noite ela jura eterno amor E me aperta pra eu quase sufocar E me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã