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Paródia

De Chico para Bolsonaro: o "Cotidiano do Jair"

Presidente recusou-se a assinar prêmio em homenagem a Chico Buarque. Com nossa pequena ajuda, o escritor e compositor homenageia o presidente

Publicado em 13 de Outubro de 2019 às 14:41

Públicado em 

13 out 2019 às 14:41
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Chico Buarque de Holanda Crédito: Amarildo

“Cotidiano do Jair”

Composição: Chico Buarque de Holanda (mas vai pra Cuba)

Todo dia ele faz tudo sempre igual
Manda um zap às seis horas da manhã
Lê duas linhas, reclama do jornal
E faz queixas bem loucas, pouco sãs


Todo dia ele diz algo de espantar
Tipo: “Podem vir cá pegar mulher!”
Diz: “Michele, prepara o meu jantar,
Vou ali tretar com o Macron, até!”


Todo dia ele pensa só após falar
Meio-dia: “Brasil tem fome não!”
Depois pensa no pinto pra lavar
E passa um Leite Moça no seu pão


Seis da tarde como era de se esperar
Ela nega a própria afirmação
Diz que está uma intriga a farejar
E na orelha do Moro dá puxão


Toda noite ele volta a tuitar
Meia-noite ele ao Trump jura amor
E lamenta o Mourão não poder trocar
Sonha com o 03 embaixador


Todo dia ele acha que é tudo igual
ONU, árvore, índio, ONG pagã
Tudo é gay, comunista, é bacanal
Contra a moral ocidental cristã

CONFIRA A LETRA ORIGINAL

Letra original: “Cotidiano” (Chico Buarque)

Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã


Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café


Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão


Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão


Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor


Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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