Com a iminente abertura da vaga do conselheiro Valci Ferreira no Tribunal de Contas do Estado (TCES), o governador Renato Casagrande (PSB) já começa a trabalhar para emplacar um nome de sua máxima confiança como substituto de Valci. Nesse contexto, um aliado histórico de Casagrande ganha força nos bastidores: o presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti.
Na última terça-feira (5), Valci, afastado do cargo desde 2007, pediu à direção do TCES que encaminhe ao IPAJM o seu pedido de aposentadoria.
Em um primeiro momento, Ciciliotti não aparecia na lista de favoritos para substituir Valci na estratégica cadeira de conselheiro do TCES. Outros aliados de Casagrande eram apontados antes dele na banca de apostas, como o atual secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB), e o atual secretário-chefe da Casa Civil, Davi Diniz (PPS).
Ambos seriam nomes mais óbvios. No momento, estão muito mais em evidência do que Ciciliotti. Tanto Hoffmann como Diniz ocupam posições de destaque no primeiro escalão do governo Casagrande e trabalham diretamente na articulação política do governo, inclusive com os deputados estaduais. A vaga de Valci será preenchida pela Assembleia Legislativa, por votação dos deputados em plenário.
Ciciliotti, por sua vez, não está na vitrine no momento. No dia 2 de janeiro, ele foi nomeado para o cargo comissionado de assessor especial na Secretaria de Governo, um cargo muito discreto, na pasta comandada por Hoffmann.
Essa momentânea falta de visibilidade pode pesar contra Ciciliotti? A princípio, sim. Olhando-se o padrão dos últimos conselheiros nomeados para o TCES, todos, quando foram escolhidos, estavam em posições de destaque, na Assembleia ou no governo estadual.
Por outro lado, a estratégia de Casagrande parece ser exatamente a de "esconder" Ciciliotti na manga, para preservá-lo, como uma carta a ser lançada na mesa na hora certa. Uma fonte da coluna com bom trânsito no PSB confirma: "Você tem que olhar justamente quem não está na vitrine. Ciciliotti no Tribunal de Contas é o sonho dourado. Esse é o objetivo estratégico. E é a vontade que parte do governador".
Além disso, uma segunda fonte, com trânsito livre no Palácio Anchieta, descarta os nomes de Hoffmann e de Diniz para a vaga de Valci. Questão de "tempo político". Em primeiro lugar, os dois são muito jovens – ambos têm 38 anos – e podem pleitear a vaga de outro conselheiro no futuro. Em segundo lugar, não faria sentido Casagrande escalar os dois para posições tão relevantes no governo só para deslocar um deles para o TCES logo na largada da administração. Tanto Hoffmann como Diniz ainda têm uma missão a cumprir: dentro do próprio governo.
"Embora tenham capacidade, os dois não cabem neste momento. A vaga de Valci surge num momento inadequado para os dois. O governo precisa de ambos onde eles estão", afirma um interlocutor de Casagrande.
PRÉ-REQUISITOS
Por sua vez, do ponto de vista de Casagrande, o experiente Ciciliotti teria o perfil desejado e atenderia a todos os pré-requisitos: goza da plena confiança do governador, tem a fidelidade política e partidária e respeitabilidade junto à classe política.
Farmacêutico por formação, Ciciliotti é dirigente de carreira do PSB e foi um dos coordenadores da campanha de Casagrande ao governo em 2010. Por muitos anos, foi o braço direito do governador. De 2003 a 2007, por indicação de Casagrande (então senador), coordenou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Espírito Santo. No primeiro governo de Casagrande, foi secretário-chefe da Casa Civil (cargo hoje ocupado por Davi Diniz) de 2011 a 2013 e diretor da Bandes de 2013 a 2014.