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Vitor Vogas

Casagrande sobre Ricardo: “Tarefa é difícil, mas campanha agora é um novo jogo”

Após ter se salvado por pouco de uma derrota histórica para ele mesmo (na eleição para governador) e ganhado uma sobrevida, Casagrande avalia o que a campanha de Ricardo deve fazer para alcançar uma difícil virada no 2º turno

Publicado em 05 de Outubro de 2026 às 15:28

Públicado em 

05 out 2026 às 15:28
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Casagrande e Ferraço
Reanato Casagrande e Ricardo Ferraço durante coletiva no Palácio Anchieta Carlos Alberto Silva

A noite deste domingo reservou para Renato Casagrande (PSB) um dos maiores sustos de sua longa vida política. Eleito para o Senado, ele por muito pouco não viu seu sucessor e candidato ao governo, Ricardo Ferraço (MDB), sofrer uma inesperada derrota maiúscula para Lorenzo Pazolini (Republicanos)... um revés que, se confirmado, teria sido, acima de tudo, uma derrota histórica para o próprio Casagrande, com uma grande parcela debitada de sua conta política.


Por 0,35 ponto percentual, Ricardo ganhou uma sobrevida – e assim também o projeto de Casagrande, representado nesta eleição pelo seu outrora vice-governador. Admitindo que “a tarefa é difícil”, o ex-governador evita falar em “erros e acertos” e assume o discurso de que “agora é uma nova eleição”. 

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É difícil a tarefa, todo mundo sabe que é difícil. Mas é uma eleição nova, que começou hoje e vai até o dia 25.

Renato Casagrande (PSB), ex-governador do ES e senador eleito

Reconhecendo também o peso do “desejo de mudança” em benefício de Pazolini, Casagrande argumenta que a campanha da situação, agora sem “distrações”, deve levar o “o capixaba [a] perceber que pode correr risco com essa mudança”. Também deve, em sua avaliação, fazer com que o “sentimento dos bons resultados” do atual governo supere o “sentimento ideológico”, ao qual ele atribui o forte crescimento de Pazolini na linha de chegada.


Para Casagrande, Pazolini foi empurrado pela força do “vento bolsonarista” que (mais uma vez) se espalhou pelo país. “Agora é outra campanha e outra comunicação.”


O senador eleito desmente uma informação que circulou nesta segunda-feira (5), segundo a qual ele poderia assumir a coordenação-geral da campanha de Ricardo. Seguirá atuando com afinco na linha de frente, ao lado de Ricardo, onde se considera bem mais útil.


Abaixo, a entrevista completa: 


O resultado de Ricardo Ferraço ficou muito aquém do esperado pela campanha de vocês, inclusive pelo senhor, o maior apoiador e fiador da candidatura dele. A quais fatores o senhor atribui o desempenho do seu candidato e o de Lorenzo Pazolini, que por muito pouco não levou no primeiro turno?


Sem ficar analisando se teve erros ou acertos na campanha de Ricardo, pois não me cabe fazer isso, digo que a razão principal foi a força do movimento bolsonarista dos eleitores vinculados a uma posição mais extremada à direita que deram um reforço à campanha de Pazolini. Esse vento bolsonarista fez o adversário crescer e conteve o crescimento de Ricardo. Ele caiu um pouco, mas se manteve no patamar de votos que estava em todas as pesquisas. No final, não conseguiu crescer, enquanto Pazolini cresceu vinculado a essa posição.


Agora é outra campanha. Não podemos calcular a diferença de um candidato para o outro no primeiro turno e dizer que é essa quantidade de votos válidos de que Ricardo precisa para ganhar no segundo turno. A conta não é essa. Não é uma conta exata. No segundo turno, teremos uma abstenção menor, tanto por causa da eleição nacional como da eleição local. Temos um outro jogo. É difícil a tarefa, todo mundo sabe que é difícil. Mas é uma eleição nova, que começou hoje e vai até o dia 25.


Para além das questões ideológicas e do “vento bolsonarista”, enfatizados pelo senhor, o senhor não crê que possa ter pesado e estar pesando também um desejo de mudança, identificado pelo eleitor no candidato adversário?


Pode estar pesando. A mudança sempre é um componente e uma variável no processo eleitoral. Agora, se o capixaba perceber que pode correr risco com essa mudança, ele vai pensar se vai mudar ou não. É por isso que reforçar um eixo de debate em que a confiança e a certeza de que o Estado continuará sendo bem gerenciado por Ricardo pode conter também a força da mudança.


Qual deve ser, na sua avaliação, a estratégia de comunicação no segundo turno?


Caberá ao marketing mostrar que o sentimento dos bons resultados que temos é superior ao sentimento ideológico. Aquilo que está ancorado aos resultados, aquilo que dá confiança, é mais forte ou tão forte quanto a posição ideológica dos eleitores. Teremos um tempo de TV mais amplo, com 5 minutos de campanha diária para cada um. Dá tempo de fazer uma exposição mais clara do projeto. E agora é comparação direta de projetos. É mais fácil as pessoas compararem um projeto com o outro quando não tem mais nada que possa despistar a visão do eleitor. No primeiro turno, os candidatos a outros cargos às vezes camuflam o debate para governador.


Agora as pessoas vão prestar mais atenção nesse debate, e vai ser a oportunidade de Ricardo apresentar nossas propostas e mostrar que nosso projeto fez uma transformação no Estado. Agora é hora de passar uma mensagem mais simples.


Como será sua participação pessoal na campanha?


Minha participação efetiva não está definida. Mas serei naturalmente alguém que estará nas agendas, com Ricardo ou sem ele, levando as propostas. Minha campanha ao Senado está resolvida. Então agora posso me focar inteiramente na campanha do Ricardo.


O senhor assumirá a coordenação geral?

Não, até porque sou mais útil na linha de frente, com Ricardo, do que numa sala. 


O senhor disse que não quer falar de erros e acertos, mas me parece que naturalmente houve erros estratégicos e de avaliação do cenário. Os números indicam isso, já que ficaram bem abaixo do resultado esperado pela campanha. O senhor não reconhece algum erro?


Não vou entrar nessa avaliação. Ela precisa ser feita por vocês. É preciso fazer essa avaliação e ver os ajustes que precisam ser feitos. É lógico que, quando você não consegue os resultados num processo eleitoral, sempre sobressaem os erros. Mas muitas vezes isso é ser “engenheiro de obra pronta”. Agora é outra campanha e outra comunicação. 

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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