A noite deste domingo reservou para Renato Casagrande (PSB) um dos
maiores sustos de sua longa vida política. Eleito para o Senado, ele por muito
pouco não viu seu sucessor e candidato ao governo, Ricardo Ferraço (MDB),
sofrer uma inesperada derrota maiúscula para Lorenzo Pazolini (Republicanos)...
um revés que, se confirmado, teria sido, acima de tudo, uma derrota histórica
para o próprio Casagrande, com uma grande parcela debitada de sua conta
política.
Por 0,35 ponto percentual, Ricardo ganhou uma sobrevida – e
assim também o projeto de Casagrande, representado nesta eleição pelo seu
outrora vice-governador. Admitindo que “a tarefa é difícil”, o ex-governador
evita falar em “erros e acertos” e assume o discurso de que “agora é uma nova
eleição”.
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É difícil a tarefa, todo mundo sabe que é difícil. Mas é uma
eleição nova, que começou hoje e vai até o dia 25.
Renato Casagrande (PSB), ex-governador do ES e senador eleito
Reconhecendo também o peso do “desejo de mudança” em
benefício de Pazolini, Casagrande argumenta que a campanha da situação, agora
sem “distrações”, deve levar o “o capixaba [a] perceber que pode correr risco
com essa mudança”. Também deve, em sua avaliação, fazer com que o “sentimento
dos bons resultados” do atual governo supere o “sentimento ideológico”, ao qual
ele atribui o forte crescimento de Pazolini na linha de chegada.
Para Casagrande, Pazolini foi empurrado pela força do “vento
bolsonarista” que (mais uma vez) se espalhou pelo país. “Agora é outra campanha
e outra comunicação.”
O senador eleito desmente uma informação que circulou nesta
segunda-feira (5), segundo a qual ele poderia assumir a coordenação-geral da
campanha de Ricardo. Seguirá atuando com afinco na linha de frente, ao lado de
Ricardo, onde se considera bem mais útil.
Abaixo, a entrevista completa:
O resultado de
Ricardo Ferraço ficou muito aquém do esperado pela campanha de vocês, inclusive
pelo senhor, o maior apoiador e fiador da candidatura dele. A quais fatores o
senhor atribui o desempenho do seu candidato e o de Lorenzo Pazolini, que por
muito pouco não levou no primeiro turno?
Sem ficar analisando se teve erros ou acertos na campanha de
Ricardo, pois não me cabe fazer isso, digo que a razão principal foi a força do movimento bolsonarista dos
eleitores vinculados a uma posição mais extremada à direita que deram um
reforço à campanha de Pazolini. Esse vento bolsonarista fez o adversário crescer
e conteve o crescimento de Ricardo. Ele caiu um pouco, mas se manteve no patamar
de votos que estava em todas as pesquisas. No final, não conseguiu crescer,
enquanto Pazolini cresceu vinculado a essa posição.
Agora é outra campanha. Não podemos calcular a diferença de
um candidato para o outro no primeiro turno e dizer que é essa quantidade de
votos válidos de que Ricardo precisa para ganhar no segundo turno. A conta não
é essa. Não é uma conta exata. No segundo turno, teremos uma abstenção menor, tanto
por causa da eleição nacional como da eleição local. Temos um outro jogo. É
difícil a tarefa, todo mundo sabe que é difícil. Mas é uma eleição nova, que
começou hoje e vai até o dia 25.
Para além das
questões ideológicas e do “vento bolsonarista”, enfatizados pelo senhor, o
senhor não crê que possa ter pesado e estar pesando também um desejo de
mudança, identificado pelo eleitor no candidato adversário?
Pode estar pesando. A mudança sempre é um componente e uma
variável no processo eleitoral. Agora, se o capixaba perceber que pode correr
risco com essa mudança, ele vai pensar se vai mudar ou não. É por isso que
reforçar um eixo de debate em que a confiança e a certeza de que o Estado
continuará sendo bem gerenciado por Ricardo pode conter também a força da
mudança.
Qual deve ser, na sua
avaliação, a estratégia de comunicação no segundo turno?
Caberá ao marketing mostrar que o sentimento dos bons resultados
que temos é superior ao sentimento ideológico. Aquilo que está ancorado aos
resultados, aquilo que dá confiança, é mais forte ou tão forte quanto a posição
ideológica dos eleitores. Teremos um tempo de TV mais amplo, com 5 minutos de
campanha diária para cada um. Dá tempo de fazer uma exposição mais clara do
projeto. E agora é comparação direta de projetos. É mais fácil as pessoas
compararem um projeto com o outro quando não tem mais nada que possa despistar
a visão do eleitor. No primeiro turno, os candidatos a outros cargos às vezes
camuflam o debate para governador.
Agora as pessoas vão prestar mais atenção nesse debate, e
vai ser a oportunidade de Ricardo apresentar nossas propostas e mostrar que
nosso projeto fez uma transformação no Estado. Agora é hora de passar uma
mensagem mais simples.
Como será sua
participação pessoal na campanha?
Minha participação efetiva não está definida. Mas serei
naturalmente alguém que estará nas agendas, com Ricardo ou sem ele, levando as
propostas. Minha campanha ao Senado está resolvida. Então agora posso me focar
inteiramente na campanha do Ricardo.
O senhor assumirá a coordenação geral?
Não, até porque sou mais útil na linha de frente, com Ricardo, do que numa sala.
O senhor disse que
não quer falar de erros e acertos, mas me parece que naturalmente houve erros
estratégicos e de avaliação do cenário. Os números indicam isso, já que ficaram
bem abaixo do resultado esperado pela campanha. O senhor não reconhece algum
erro?
Não vou entrar nessa avaliação. Ela precisa ser feita por vocês.
É preciso fazer essa avaliação e ver os ajustes que precisam ser feitos. É
lógico que, quando você não consegue os resultados num processo eleitoral,
sempre sobressaem os erros. Mas muitas vezes isso é ser “engenheiro de obra
pronta”. Agora é outra campanha e outra comunicação.
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