Escolhido às pressas para presidir interinamente o Banestes, após a
na última terça-feira (29) durante a Operação Circus Maximus, Silvio Grillo não deve ser efetivado na presidência do banco pelo governador Renato Casagrande (PSB).
Desde terça-feira, Grillo acumula o cargo de presidente do Banestes com o de diretor de Tecnologia. Segundo Casagrande, sua intenção é manter Grillo concentrado na Diretoria de Tecnologia. O governador, portanto, tende a escolher outro nome como próximo presidente efetivo do Banestes. Ele tem prazo de 90 dias, contados desde a última terça-feira, para indicar o novo presidente.
Casagrande deu a declaração na manhã desta sexta-feira (1º), após a sessão de posse dos deputados estaduais, na Assembleia Legislativa.
"O Silvio Grillo cumpre um papel muito bom na Diretoria de Tecnologia, que é um desafio do banco. Então, a princípio, o Silvio cumprirá um papel na Diretoria de Tecnologia."
O governador afirmou que vai escolher "com calma" o próximo presidente.
"Todos os outros diretores já foram encaminhados ao Banco Central. O Silvio Grillo, que é um diretor da minha época ainda, do mandato passado, já está lá [na presidência]. Já assumiu interinamente. Agora eu vou analisar com calma."
"SURPRESA"
Casagrande voltou a dizer que foi pego de surpresa com os eventos da Operação Maximus, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, que investiga esquema de cobrança de propinas, por parte de dirigentes do Banco de Brasília (BRB), em troca de liberação de recursos geridos pelo banco para o financiamento de empreendimentos.
Diretor-presidente do BRB durante o governo de Rodrigo Rollembeg (PSB) no Distrito Federal (2015-2018), Vasco Cunha Gonçalves é acusado de integrar a organização criminosa e de ter cobrado propina pessoalmente em pelo menos três ocasiões.
Segundo o governador, Vasco fez um "trabalho responsável" à frente do BRB, "em termos de resultado para o banco".
"O que aconteceu no Banestes de fato foi uma surpresa, porque o Vasco Cunha não tinha nenhum processo contra ele, não tinha nada que o desabonasse, tanto é que foi aprovado rapidamente pelo Banco Central. Ele passou quatro anos com um trabalho responsável em termos de resultado para o banco, lá no BRB. E, quando aconteceu isso [a operação], imediatamente nós fizemos a nomeação interina. E agora temos 90 dias para tomar a decisão. Mas o Banestes está estável, porque o Silvio Grillo assumiu e já está trabalhando, com gerentes e superintendentes. Os outros diretores estão chegando. Nos próximos dias eu escolherei o novo presidente."
De acordo com Casagrande, grande parte dos oito diretores nomeados por ele (seis ainda aguardam aprovação do Banco Central) são servidores técnicos do próprio Banestes.