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Educação

Governo Bolsonaro: de religiosos a vendilhões do templo

Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, foi preso pela Polícia Federal por suspeita de corrupção e de fazer da “carteira do MEC" um balcão de negócios

Públicado em 

23 jun 2022 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

O ministro Marcelo O ministro Milton Ribeiro, da Educação
O ex-ministro Milton Ribeiro, da Educação Crédito: Walterson Rosa/MS
Manhã de quarta-feira. 22 de junho de 2022. Manhã fatídica para Bolsonaro, para sua campanha, para o pastor Milton Ribeiro, para o Ministério da Educação e para os brasileiros. Ex-ministro da Educação é preso pela Polícia Federal por suspeita de corrupção, por suspeita de fazer da “carteira do MEC" um balcão de negócios. Segundo apurações da polícia, o caso é escabroso, e por isso prender os envolvidos é um sinal do tamanho do esquema envolvendo pastores, evangélicos, propinas e recursos da educação para a base “religiosa”.
Vale recordarmos aquela passagem bíblica de Jesus, chegando ao templo e assistindo à “casa de oração” sendo transformada em casa de comércio. Ele pega um chicote, derruba as mesas e espanta os vendilhões. Bom, aqui só mudamos o cenário, o espanto é de todos nós, que estamos assistindo ao “templo da educação” se tornando um templo de vendilhões.
O custo da religião no governo Bolsonaro, começou a chegar. Estamos falando de pastores que pediam propina, ouro, dinheiro em contas, dinheiro para imprimir bíblias. Bolsonaro chegou a dizer recentemente que por Milton Ribeiro ele colocava a “cara no fogo”. E agora? O uso do altar e do palanque, dos cultos e pregações, como trampolim e acordo político estão se manifestando. O uso da religião como promoção política tem um custo. O uso da fé também.
O fato reflete e endossa com envergadura a máxima que quase sempre ouvimos: religião e política não devem se misturar. A operação desta quarta-feira (22) quase sacramenta a filosofia popular. Mas precisamos ir além, o problema não é “se misturar”,  o problema é como se dá esse envolvimento. Se pensarmos que tanto a religião como a política devem promover a vida, bom, estamos falando de uma mistura sensata e congruente. A questão não é o envolvimento da religião, mas dos que se dizem religiosos, dos líderes.
Quando os religiosos fazem da religião uma ponte para a política, isso nunca termina bem. É fato que precisamos insistir para que os bons valores da religião estejam na política. Há muitos líderes religiosos que foram para a política e levaram os valores religiosos e não a religião. Outros não conseguem e acabam de “religiosos a vendilhões do templo”.
Em ano eleitoral, ter um cenário político como o nosso chama a atenção e deve nos levar a refletir,  sobretudo, o papel e a “mistura” da religião na política. Será mesmo que precisamos de bancadas católicas, evangélicas, pentecostais, etc. no nosso Congresso? Será que precisamos de púlpitos públicos sendo ocupados por religião? Será que precisamos de lideranças políticas que vão a cultos e missas apenas em troca de imagem política? O dia 22 de junho de 2022 lança perguntas e pode também nos dar muitas respostas.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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