No primeiro trimestre deste ano, dos dez tipos de crimes patrimoniais listados pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp), sete registraram queda em comparação ao mesmo período de 2025.
O impacto foi maior para quem utiliza ônibus ou mora em residências e condomínios, casos em que o número de roubos caiu pela metade. Os dados do Observatório da Segurança Pública indicam as seguintes reduções:
Roubo em transporte coletivo - 49,8%
Roubo em residência / condomínio - 52,6%
Roubo em estabelecimento comercial - 18,4%
Roubo a pessoa em via pública - 30,9%
Furto em residência / condomínio - 22,1%
Furto a pessoa em via pública - 2,4%
Crimes informáticos - 23,8%
Desde 2024 este conjunto de crimes apresenta uma trajetória de queda que foi acentuada no ano passado, principalmente nos casos de roubo a coletivos, que “aterrorizam as pessoas”, como pontuou o secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno. “No ano passado conseguimos uma diminuição de 56% neste indicador”, assinala.
Ele relaciona o bom desempenho a adoção de algumas tecnologias como o reconhecimento facial, viabilizado por intermédio das chamadas câmeras inteligentes, além dos totens de segurança, instalados em vias de grande circulação.
“A implantação das câmeras inteligentes dentro dos ônibus repercutiu de forma muito evidente nos roubos a coletivos, que aconteciam no horário noturno ou de menor intensidade de público. O que percebemos é que o criminoso não está disposto a se expor no momento que o ônibus está mais vazio”, observa.
Além dos ônibus, todos os terminais rodoviário e aquaviário são monitorados por um sistema que permite identificar pessoas com mandados de prisão em tempo real. O que tem auxiliado, segundo o secretário, em prisões mais qualificadas que também repercutem na redução dos crimes patrimoniais.
Das 750 realizadas desde meados do ano passado, 90% aconteceram dentro dos terminais. Entre os que foram detidos, 137 tinham mandado de prisão por roubo e outros 37 por furto.
Segundo Damasceno, a estratégia de reduzir os crime mais violentos tem funcionado. “O roubo é um crime que para nós é prioridade porque pode evoluir para latrocínio. Até agora tivemos apenas um latrocínio (roubo com morte), contra oito do ano passado, no mesmo período”.
Novas câmeras
O resultado levou a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) a realizar um estudo para a ampliação do número de tótens de segurança e do reconhecimento facial. “Devem ser apresentados ao governador em maio para decisão sobre novos investimentos”, disse Damasceno.
É citado como exemplo uma ocorrência do último dia 12, quando a câmera de um totem de segurança fez o reconhecimento facial de um homem de 40 anos, que tinha fugido em 2022 da Penitenciária Semiaberta de Vila Velha, local onde ele respondia pelo crime de roubo.
Ele foi localizado atuando como como guardador de carros, usando colete, na Praça Costa Pereira, no Centro, em Vitória.
Ações, segundo o secretário, que aliadas ao planejamento trouxe mais flexibilização para o uso das equipes e viaturas das corporações. "Nos terminais, por exemplo, foram feitos investimentos na escala suplementar dos policiais militares, o que permitiu a presença física de duplas nos terminais, aumentando a rapidez na resposta a ocorrências".
O desafio
Por outro lado, outros três indicadores ainda representam um desafio por apresentarem crescimento no primeiro trimestre deste ano. São eles:
Furto em transporte coletivo - aumento de 16,88%
Furto em estabelecimento comercial - aumento de 5,17%
Estelionato e fraude - aumento de 4,58%
No transporte coletivo os casos de furto ocorrem, principalmente, nos horários de pico. “É um crime de oportunidade. É um aproveitador, um batedor de carteira, que aproveita a lotação do ônibus para furtar o objeto sem ser percebido”, pontua o secretário.
Já o estelionato, embora o percentual de crescimento seja o menor dos três, possui um número de casos mais expressivo. Foram registrados 12.475 no primeiro trimestre.
A maior parte ocorreu no cenário virtual, explica Damasceno: “É um problema contemporâneo difícil de evitar porque usa engenharia social ponto a ponto. Mas a delegacia especializada está empenhada no combate desses crimes”.
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