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Mudanças climáticas

Será que ainda dá tempo?

Ao pedir a punição dos responsáveis, talvez estejamos atrasados demais, diante do que já é vivenciado. A oposição ao modelo capitalista e ao agronegócio já é retórica que não tem dado efeito e nem de perto parece mudar a situação. É preciso mais

Publicado em 30 de Setembro de 2024 às 03:30

Públicado em 

30 set 2024 às 03:30
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Nos últimos meses, de forma mais intensa, estamos sentindo na pele o preço da fatura que temos a pagar por anos de irresponsabilidade com o meio ambiente. O valor da vida em sua integralidade tem sido mitigada com interesses que tem o objetivo em gerar riquezas, e que a todo o custo destroem o meio ambiente para saciar, de forma exacerbada e egoísta, os desejos produzidos por uma sociedade que tem elegido outras prioridades diferentes da vida humana.
As queimadas e as enchentes, que têm destruído boa parte do país, têm mostrado, neste ano de 2024, que as mudanças climáticas já se tornaram um grande problema para o povo brasileiro e caminham para se tornar um dos maiores desafios já enfrentado pelo Brasil, dado que estamos falando de algo finito.
Conectando, diretamente, as grandes cidades do país, onde vive a imensa maioria da população, 85% dela urbana, impõe de maneira inegociável a urgência na preservação do Cerrado, do Pantanal e da Amazônia. Mas será que ainda dá tempo?
No dia 20 de setembro, movimentos sociais e entidades realizaram na capital paulista a Marcha por Justiça Climática, com o tema: "Esse calor não é normal".
Articulado por diversas mobilizações pelo país, iniciadas no evento e que seguirão pelo mês de outubro, foi organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Fórum Popular da Natureza, o Greenpeace Brasil, Coalizão pelo Clima SP e o Jovens pelo Clima.
Na pauta, que já conhecemos há anos, chamam a atenção para incêndios florestais recentes, que têm contribuído para a emissão de gases de efeito estufa, piora na qualidade do ar acarretando consequências graves para a saúde, entre outras, que colocam a condição humana em risco real.
Ao pedir a punição dos responsáveis, talvez estejamos atrasados demais, diante do que já é vivenciado. A oposição ao modelo capitalista e ao agronegócio já é retórica que não tem dado efeito e nem de perto parece mudar a situação. É preciso mais.
Denota-se que 97% dos brasileiros aceitam que as mudanças climáticas existem e 78% avaliam que elas têm causas humanas, um dos maiores índices do mundo, como resultado de um aprendizado prático nas condições de existência.
Incêndio atinge o Parque da Serra dos Órgãos, no Estado do Rio
Incêndio atinge o Parque da Serra dos Órgãos, no Estado do Rio Crédito: Divulgação/Parnaso
No entanto, quando se aprofunda para apontar os responsáveis, a resposta genérica, indicando “os homens” ou “os seres humanos”, distancia-se da  responsabilização e assume-se que não há intencionalidade em resolver a questão, justamente pelo que está em jogo. Afinal, produção exacerbada de riqueza não combina com preservação do meio ambiente.
Em outros países, as consequências do aquecimento global parecem resultado de processos sistêmicos mais distantes, mas no Brasil temos uma interação entre os biomas e o clima, com um monitoramento por satélite dos incêndios, que nos permite obter o CPF e o RG dos grandes interessados e responsáveis pelos incêndios. É só enfrentar. Mas será que há essa vontade? E será que dá tempo?

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

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