O dia 20 de novembro foi instituído pela Lei n. º 12.519/2011 como o Dia Nacional da Consciência Negra. Mesmo não sendo considerado feriado nacional, inobstante em algumas cidades ser feriado, é um dia reservado à reflexão sobre o que movimenta a criação da data: o sofrimento e a luta do povo negro, que durante 400 anos foi escravizado, e ainda hoje suporta um legado de discriminação, desigualdade, abandono, preterimento, extermínio e todo o tipo de violação.
O dia é atribuído por ser o dia da morte de Zumbi de Palmares, uma das representatividades mais importantes da resistência negra, tendo sua morte ocorrido no dia 20 de novembro de 1695.
Embora a denotada importância do motivo da data, o que nos importa atualmente, é o signo da consciência negra, e o que isso influi em ações para transformar uma realidade que ainda é racista.
No Brasil, o termo alcançou destaque na década de 1970, em decorrência da luta dos movimentos negros no enfrentamento ao racismo. Também representa uma referência à ancestralidade africana, de um povo que foi trazido à força, os que sobreviveram foram escravizados, foram submetidos a todo tipo de violência, incluindo a sexual e após a falsa da abolição, foram largados à própria sorte, sem nenhuma preocupação se sobreviveriam ou não.
Importante pontuar que, à época, muitos, da elite branca e classe política, achavam que não vingariam. Que jogados à deriva na sociedade, morreriam, de fome ou doença.
Ledo engano.
O povo negro resistiu em meio a muito sofrimento. Alguns decorrentes das intempéries da falta de condições de vida advindas da ausência ou escassez de estrutura dada a essa população, que é responsável pela construção do Brasil. Outros, consequência da necropolítica implementada pelo Estado que é o maior violador de direitos humanos.
Símbolo da luta e da resistência, o povo negro tem a consciência de que não é inferior por causa da cor da pele, traços fenotípicos e jeito do cabelo. Muito pelo contrário. Possui um valor extremo, tendo muito a contribuir para a construção de um lugar melhor de se viver, a partir de sua cultura, religiosidade, literatura, ciência e conhecimento.
A consciência negra é o primeiro passo para a desconstrução da subalternidade, imposta pelo eurocentrismo, numa lógica de que existem humanos melhores que outros, culturas melhores que outras, religiões melhores que outras.
O papel da consciência é fazer com que pensemos na nossa existência e o quanto isso nos torna seres viventes. A nossa existência precede a nossa essência. Ou seja, é na vivência que nos construímos. E esse movimento é determinante para se estabelecer consciência. Criar capacidade de pensar na existência e se perceber como um ser no mundo e capaz de modificar o mundo, compondo assim uma complexa rede de significados, no trabalho de moldagem dos sujeitos de direitos.
Eis a importância das pessoas negras se perceberem como um ser no mundo que pode modificá-lo e que pensa na sua existência, a partir do traço da racialidade, e compreendendo o passado de violações de direitos humanos a que foram submetidas, que as tornaram credoras de uma sociedade e um estado racistas.