O Brasil encerrou 2025 com crescimento de 2,3% no PIB, segundo o IBGE, totalizando R$ 12,7 trilhões. O desempenho foi puxado pela agropecuária, que avançou 11,7%, enquanto serviços cresceram 1,8% e a indústria apenas 1,4%. Apesar do avanço, o país continua convivendo com uma das maiores desigualdades do mundo: o índice de Gini permanece em torno de 0,53, muito acima da média da OCDE (0,32).
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu para 5,6%, mas a informalidade ainda atinge cerca de 40% dos trabalhadores. Isso significa que milhões de brasileiros vivem sem proteção social, em ocupações precárias e com rendimentos estagnados. O bolo cresce, mas as fatias continuam concentradas.
Experiências internacionais mostram que crescimento sem inclusão é insustentável. A Coreia do Sul investiu em educação e inovação desde os anos 1960, diversificando sua economia e reduzindo desigualdades regionais. O Chile ampliou programas de transferência de renda, diminuindo a pobreza extrema. O próprio Brasil já demonstrou capacidade de transformação: entre 2003 e 2014, o Bolsa Família ajudou a retirar mais de 20 milhões de pessoas da pobreza, segundo estudos do Ipea.
O desafio atual é conciliar responsabilidade fiscal com políticas redistributivas. A dívida pública gira em torno de 79% do PIB, pressionando o orçamento. Isso exige escolhas claras sobre prioridades.
Recomendações de políticas públicas para que o crescimento econômico brasileiro seja mais inclusivo:
- Reforma tributária progressiva: ampliar impostos sobre renda e patrimônio – especialmente dos mais ricos –, reduzindo a carga sobre consumo. Hoje, a estrutura tributária penaliza os mais pobres;
- Investimento em educação básica e técnica: evidências mostram que cada ano adicional de escolaridade pode elevar em até 10% o rendimento futuro do trabalhador. Programas de ensino técnico e tecnológico são fundamentais para setores de maior produtividade;
- Política industrial verde: ampliar o apoio a setores ligados à transição energética e inovação tecnológica. O Brasil tem potencial em energias renováveis e biotecnologia, mas precisa de coordenação estatal e crédito direcionado;
- Fortalecimento da proteção social: expandir programas de transferência de renda e garantir direitos básicos aos trabalhadores informais. Isso não é apenas justiça social: é estímulo ao consumo interno;
- Descentralização de investimentos: criar mecanismos de financiamento para reduzir desigualdades regionais. O Espírito Santo, por exemplo, pode se consolidar como polo logístico e energético, mas precisa de infraestrutura integrada ao restante do país.
O Brasil precisa decidir se continuará apostando em um crescimento que concentra renda ou se ousará construir um modelo de desenvolvimento inclusivo. A pergunta que se impõe é simples, mas decisiva: queremos apenas crescer ou queremos crescer juntos?