Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Salários

Escolarização não garantiu o crescimento da renda nos últimos dez anos

O quadro geral é de uma economia pouco dinâmica, com empresas que pouco investem e pouco se desenvolvem. A informalidade laboral cresceu mais entre quem estudou mais

Publicado em 18 de Setembro de 2023 às 00:20

Públicado em 

18 set 2023 às 00:20
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros
Matéria publicada na Folha de S.Paulo, assinada por Fernando Canzian, na edição impressa de 4 de setembro, trouxe informações relevantes para o debate contemporâneo. Em síntese, “os últimos dez anos foram trágicos em termos de renda e qualidade de empregos para os brasileiros que se esforçaram para estudar mais, terminar o ensino médio ou ingressar na faculdade”. Farei alguns comentários sobre esse assunto.
Perdeu mais quem mais estudou nos últimos dez anos, de acordo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), com base nos dados do IBGE. Ficou bem claro, segundo revelou a matéria, que “os resultados revelam uma economia que cria predominantemente empregos de baixa qualidade e pouco produtivos”.
Brasileiros mais escolarizados foram empurrados para ocupações que pagam menos e que são, cada vez mais, informais, comprometendo o crescimento potencial do país. Em artigo anterior, destaquei que quase 60% das empresas registradas no Brasil são microempreendedores individuais (MEIs).
No primeiro quadrimestre de 2023, a cada 100 empresas abertas no Brasil, 75 eram MEIs. O crescimento de MEIs revelou que muitas empresas buscam ainda reduzir custos com trabalhadores e que os brasileiros precarizados buscam alguma proteção social mínima. Estamos normalizando o quadro distópico da precarização laboral crônica.
Uma estrutura produtiva de baixa sofisticação tecnológica vem revelando o seu custo social. Entre 2012 e 2023, mostrou Fernando Canzian, “o rendimento médio dos que estudaram entre 12 e 15 anos recuou 11,2%”. Para quem estudou 16 anos ou mais, a queda real foi de 16,7% na renda do trabalho.
O quadro geral é de uma economia pouco dinâmica, com empresas que pouco investem e pouco se desenvolvem. A informalidade laboral cresceu mais entre quem estudou mais. Segundo a matéria, “de 2012 a 2023, a renda do trabalho só aumentou para os menos escolarizados”.
A taxa média de desemprego ficou em 8% no segundo trimestre e muitas consultorias estimam o crescimento econômico neste ano em 3%, com a geração de mais empregos. No entanto, conforme consta na matéria, “estamos gerando empregos ruins, que pagam pouco”.
Pagamento, salário, dinheiro, renda
Crédito: Reprodução
O debate sobre a baixa complexidade econômica da estrutura produtiva capixaba está presente entre nós. A industrialização substitutiva de importações ajudou a construir uma classe média e a urbanizar aceleradamente o Brasil na segunda metade do século XX. Esse processo, entretanto, carregou endogenamente as suas fragilidades ao longo do tempo.
A baixa complexidade econômica capixaba, algo que tratei em outros artigos, tem correlação com o diagnóstico acima exposto. Necessitamos, portanto, de uma discussão ampla, para além de resultados burocráticos e de fins estatísticos, sobre como as políticas públicas poderiam ajudar a mudar esse quadro.
Caso as políticas públicas, nacionais e subnacionais, continuem reforçando cronicamente esse quadro, dificilmente poderemos esperar por resultados diferentes no horizonte. Afinal, as políticas públicas vigentes ainda estão reforçando, estruturalmente, um modelo econômico esgotado?
Modernizações conservadoras e reformas regressivas deveriam ter nos ensinado que a excessiva concentração de riquezas pode muito bem levar a distorções na alocação de recursos produtivos e reforçar aspectos perversos da preferência pela liquidez da parte de uma minoria abastada. Concentrações excessivas de riquezas e poder distorcem inclusive os processos políticos nas democracias liberais, colocando a própria democracia em risco.

Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Motorista atropela multidão durante parada LGBTQIA+ em Berlim; uma pessoa morreu e 16 ficaram feridas
Fumaça escura no Contorno do Mestre Álvaro, na Serra
Fumaça escura atrapalha motoristas no contorno do Mestre Álvaro
Incêndio no Morro São Francisco, em Vitória
Incêndio atinge área de mata em Vitória; veja as imagens

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados