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Violência

Discutir a segurança pública é urgente e tarefa de todos

Quem assistiu à série "Narcos" vai se lembrar de como a escalada do crime pode afundar um país. Pablo Escobar se tornou não só o maior traficante do mundo, como um personagem poderoso na política nos anos 1990

Publicado em 05 de Março de 2025 às 04:00

Públicado em 

05 mar 2025 às 04:00
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti Rafael Furlanetti
Faça um teste com a sua memória: quando foi a última vez que um caso de violência surgiu numa conversa na família ou com seus amigos? Provavelmente você vai perceber que isso acontece a toda hora porque, infelizmente, não faltam casos e vítimas conhecidas.
Não é à toa que a violência aparece em pesquisas de opinião como o primeiro ou o segundo maior problema do Brasil. Se quisermos evitar o pior, precisamos tratar da segurança pública com urgência.
Todos ficamos estarrecidos quando vimos, há duas semanas, que dois bandidos mataram o ciclista Vítor Medrado, em São Paulo, para roubar seu telefone celular. A polícia paulista prendeu uma mulher suspeita de financiar o crime. Ela alugava armas, capacetes, motos e falsas mochilas de empresas de entrega, que serviam de disfarce para os bandidos. Tinha uma tabela de preços por celular roubado.
No final de janeiro, as polícias do Rio e do Espírito Santo prenderam no Rio traficantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro, que está se expandindo pelo Espírito Santo. Além de vender drogas e criar terror na população, eles cobravam taxas de empresas que fornecem internet, água e gás em comunidades da Grande Vitória. Faturaram R$ 40 milhões em um ano, segundo a polícia.
No caso mais sofisticado, a Polícia Federal recentemente descobriu quatro fintechs suspeitas de serem usadas pelo PCC, a maior facção criminosa do país, para lavar dinheiro da ilegalidade. Por duas delas passaram astronômicos R$ 7,5 bilhões. A organização tinha ainda empresas de fachada para movimentar o dinheiro ilegal.
O crime está cada dia mais organizado e sofisticado, a ponto de abrir fintechs — que nasceram como uma forma inovadora de expandir o mercado bancário e o crédito no Brasil.
Repare como já existe uma “cadeia de produção”, que começa no bandido que rouba o celular na rua, passa pelo intermediário que aluga armas e depois compra o produto roubado, e vai até escalões mais altos, com suas fintechs para lavar dinheiro e movimentar bilhões de reais do tráfico de toneladas de drogas para a Europa.
Cabe a todos nós, governo e sociedade, pensarmos em formas mais elaboradas e coordenadas para combater este sistema criminoso cada dia mais desenvolvido. A polícia é só uma parte disso. Para ser mais eficiente, o combate ao crime precisa usar mecanismos financeiros, atacar o bolso dos bandidos, comprometer a sustentação do seu negócio ilegal.
Há mais medidas possíveis: estrangular o tráfico de armas, usar a tecnologia para auxiliar as polícias, como ampliar as câmeras de reconhecimento facial nas ruas e os scanners de mercadorias em portos e aeroportos, ampliar o intercâmbio de informações com órgãos de segurança pública de outras nações e rever nossa legislação e o funcionamento da Justiça — para acelerar os processos penais e fazer com que os condenados passem mais tempo na cadeia.
Cometer crimes precisa custar mais caro — seja pelo risco de perder dinheiro, seja pela certeza de ser detido e de passar muitos anos na prisão.
Operação Conexão Perdida acontece também no Rio de Janeiro
Operação Conexão Perdida aconteceu no Espirito Santo e no Rio de Janeiro Crédito: Divulgação Sesp
O crime não só ceifa vidas, ele inibe o empreendedorismo e reduz investimentos, empobrece quem trabalha honestamente e compromete o futuro. Qualquer investidor pensa duas vezes antes de abrir uma empresa num lugar dominado por traficantes, ladrões e milicianos.
É mais caro trabalhar e empreender em localidades violentas porque gasta-se com vigilância, escolta de cargas e outros custos que não existem em lugares seguros. Tudo isso gera menos empregos e atrapalha o crescimento da economia.
Quem assistiu à série "Narcos" vai se lembrar de como a escalada do crime pode afundar um país. Pablo Escobar se tornou não só o maior traficante do mundo, como um personagem poderoso na política nos anos 1990. A Colômbia virou um narcoestado e pagou um preço alto, demorou anos para se livrar do domínio do crime e se recuperar economicamente.
Não podemos aceitar a possibilidade de o crime dominar o Brasil e nos fazer mais pobres e inseguros. Todos nós precisamos participar desse debate urgente e construir um país desenvolvido, onde não mais teremos medo de sair à rua.

Rafael Furlanetti

Rafael Furlanetti Rafael Furlanetti

Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espirito Santo

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