Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"Sangue e Ouro", da Netflix, é divertido faroeste na Segunda Guerra

Com influências do faroeste italiano e de Quentin Tarantiono, "Sangue e Ouro" tem tropa alemã em busca de ouro ao final da Segunda Guerra

Vitória
Publicado em 30/05/2023 às 16h44
Filme
Robert Maaser como Heinrich em Sangue e Ouro. Crédito: Reiner Bajo

O filme alemão “Sangue e Ouro”, lançado pela Netflix, se vende como um filme de guerra e até aparenta sê-lo, mas, em sua essência, o longa de Peter Thorwarth é um faroeste com muita influência dos spaghetti westerns italianos, dos trabalhos de nomes como Sergio Leone e Franco Nero. Não à toa, em diversos momentos o filme dialoga também com o cinema de Quentin Tarantino, que nunca escondeu sua admiração pelo gênero.

“Sangue e Ouro” se passa nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando as tropas aliadas já avançam pelo território Alemão. Conhecemos Heinrich (Robert Maaer), um soldado prestes a ser enforcado por deserção; ele nunca quis estar ali e já não vê motivos para continuar lutando. Pouco depois de ser deixado para morrer, Heinrich é salvo por Elsa (Marie Hacke), uma fazendeira que só quer defender suas terras e seu irmão, Paule (Simon Rupp), um jovem com necessidades, das violentas tropas alemãs. Comandadas pelo caricato coronel coronel von Starnfeld (Alexander Scheer, em uma atuação que remete à de Christoph Waltz em “Bastardos Inglórios”), os soldados querem apenas saquear tudo o que for possível antes da chegada dos americanos.

Após alguns acontecimentos que também remetem ao filme de Tarantino, Heinrich, Elsa, Paule e a tropa alemã acabam em uma cidade na qual, segundo lendas, uma família judia enviada para os campos de concentração escondeu muito ouro. O filme usa alguns flashbacks para contextualizar os moradores daquela cidade, um quem é quem, antes deles se envolverem com os protagonistas, uma muleta do texto, mas um recurso que funciona para dar o mínimo de desenvolvimento àqueles personagens.

“Sangue e Ouro” tem boas sequências de ação, com um ou outro toque de um humor quase sádico, e bastante violência. É curioso como Thorwarth busca a referência estética de Quentin Tarantino, mas não leva também a agilidade do texto a seu trabalho. Os diálogos do filme da Netflix são quase todos curtos e objetivos, com o roteiro muito mais preocupado em priorizar estilosas cenas de ação que remetem a histórias em quadrinho. Ainda assim, o texto faz algumas escolhas interessantes, dando até mais camadas aos pouco mais de 90 minutos de filme.

Filme
Marie Hacke como Elsa em "Sangue e Ouro". Crédito: Reiner Bajo

É interessante como o filme não trata os alemães como uma unidade nem mesmo dentro da tropa. Há soldados, como Heinrich, que não queriam estar ali, que não simpatizam com o nazismo, mas que foram obrigados a lutar. Da mesma forma, há moradores que se sentem culpados pelo que foi feito com os judeus da vila – são esses que ganham arcos que os aproximam de uma redenção no terceiro ato do filme.

O filme tem aquela pegada de entretenimento descompromissado. Robert Maaser é ótimo como o protagonista, dando ao filme a urgência e a intensidade que o gênero pede, ainda mais em uma narrativa curta. A trilha sonora de Jessica de Rooij e Hendrik Nölle reforça a influência dos faroestes spaghetti, gênero do qual o filme ainda pega emprestado algumas trocas de tiros e situações bem absurdas. “Sangue e Ouro” tem como mérito ser um filme de tom, mas que nunca se leva tão a sério.

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Marie Hacke como Elsa em "Sangue e Ouro". Crédito: Reiner Bajo

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